A transformação digital da indústria, impulsionada pelos avanços da Indústria 4.0, tem acelerado a adoção de tecnologias como robótica e inteligência artificial em operações logísticas. Um projeto desenvolvido pelo Venturus, Centro de Inovação Tecnológica sediado em Campinas, ilustra como essa combinação pode resolver gargalos históricos na etiquetagem de embalagens, uma etapa crítica para rastreabilidade e eficiência em centros de distribuição.
A solução utiliza um sistema automatizado capaz de identificar, posicionar e etiquetar volumes de forma autônoma, sem intervenção humana. A tecnologia integra visão computacional, sensores e robótica em um modelo conhecido como pick and place, amplamente utilizado na automação industrial.
Na prática, o sistema analisa características como dimensão, posição e orientação das embalagens em tempo real, ajustando automaticamente a aplicação das etiquetas e mantendo o fluxo contínuo da linha.
“Estamos falando de uma operação que tradicionalmente depende muito da intervenção humana e está sujeita a falhas e interrupções. Ao aplicar inteligência e automação, conseguimos trazer mais previsibilidade e eficiência para esse processo”, afirma Daniel Lins, diretor técnico do Venturus.
Em operações logísticas, a variabilidade dos produtos e a necessidade de ajustes constantes tornam a etiquetagem uma etapa suscetível a erros, retrabalho e paradas de linha.
Com a automação, o processo passa a ser padronizado e orientado por dados, reduzindo inconsistências e aumentando a produtividade.
Segundo Lins, o impacto vai além da eficiência operacional. “A automação não só acelera a operação, mas também melhora a qualidade e a rastreabilidade. Isso é fundamental em cadeias logísticas cada vez mais complexas e exigentes”, explica.
A integração com sistemas corporativos, como ERPs e plataformas de gestão industrial, também permite monitoramento em tempo real e maior controle da operação.
Dentro do contexto da Indústria 4.0, a logística vem se consolidando como uma das áreas mais impactadas pela digitalização. O uso de tecnologias inteligentes permite transformar processos antes manuais em operações autônomas, escaláveis e orientadas por dados.
Essa mudança é especialmente relevante em setores que lidam com alto volume de mercadorias e exigem precisão na identificação e rastreamento.
Para o executivo, o movimento é estrutural. “A logística está deixando de ser apenas operacional para se tornar cada vez mais estratégica. A inteligência aplicada aos processos é o que vai diferenciar empresas nos próximos anos”, conclui.











