O Conselho de Segurança da Organização das Nacões Unidas (ONU) fez uma sessão especial nesta sexta-feira (6) para debater a escalada da violência no Afeganistão. O destaque é o avanço da ofensiva militar do Talibã, marcado pelas constantes violações dos direitos humanos.
Na sessão, a representante especial do secretário-geral para o país, Deborah Lyons, sublinhou que “é difícil descrever o clima de pavor” que é enfrentado todos os dias.
Pelo menos mil pessoas morreram em um mês de ataques mais intensos.
A enviada destacou a destruição de casas, hospitais, lojas, pontes e outras infraestruturas ao mencionar a terrível situação em que a ONU e os parceiros humanitários fazem frente continuando presentes. Eles avaliam as necessidades quando possível, prestando ajuda em caso de acesso “no que se está tornando cada vez mais difícil”.
A representante mencionou relatos de afegãos mostrando “que o debate não é sobre como preservar o progresso e os direitos, mas quase a sobrevivência”.
Esta semana, o diretor do centro de mídia e informação do Afeganistão foi assassinado por milícias Talibã na capital, Cabul.
Agências de notícias informaram esta sexta-feira que a cidade de Zaranj, na província de Nimroz no sudoeste, se tornou a primeira capital provincial do país a cair nas mãos do Talibã nos últimos anos.
Guerra urbana
Sobre os efeitos da escalada da violência sobre civis, Lyons ressaltou como a “guerra urbana” ameaça grandes áreas no que “parece ser uma decisão estratégica do Talibã”.
A enviada advertiu ainda que “a provável carnificina resultará na insegurança nacional do Afeganistão”. Apesar de forças de segurança do país estarem defendendo essas cidades, ela considera que “sem dúvidas haverá vítimas civis”.
A representante disse ainda esperar um aumento dos danos diários com a destruição da infraestrutura básica, como redes de eletricidade e água.
Para a também chefe da Missão da ONU no Afeganistão, Unama, essas táticas podem representar uma violação grave do direito internacional humanitário, além de ser consideradas crimes de guerra e contra a humanidade.
Crise humanitária
Lyons disse que o sofrimento causado pela ofensiva se soma a uma já crescente crise humanitária agravada pela severa seca. A situação afeta 18,5 milhões de pessoas, ou quase metade da população do país que precisa de ajuda.
Trabalhadores humanitários sofreram mais de 25 ataques. Pelo menos oito funcionários do setor foram mortos e outros 60 ficaram feridos, apenas nos primeiros seis meses deste ano.
A expetativa da enviada é que os números sobre migração dupliquem este ano. Quase um terço dos afegãos já enfrentam níveis emergenciais de insegurança alimentar, quando a seca piora e os deslocamentos internos aumentam.
Terroristas
De acordo com a Unama, o total de civis mortos e feridos no Afeganistão entre 1º de janeiro e 30 de junho aumentou 47%, em comparação com o primeiro semestre de 2020.
Existe preocupação com o aumento de afetados desde o anúncio da retirada das tropas internacionais em abril. Entre maio e junho, o número de vítimas civis foi o mais alto registrado no período desde que começou a documentação sistemática.
O novo embaixador do Afeganistão na ONU, Ghulam Isaczai, disse que cidades e infraestrutura pública reconstruída com apoio internacional nas últimas duas décadas estão agora expostas a um nível inimaginável de destruição pelo Talibã.
(Agência ONU News)











