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Artigo: Minha Jangada de Velas (I) – por Rubem Costa

Redação Por Redação
22 de abril de 2026
em Opinião
Tempo de leitura: 7 mins
A A
Artigo: Minha Jangada de Velas (I) – por Rubem Costa

Imagem Gerada por IA/Freepik

 

Nunca fui homem do mar e muito menos jangadeiro do Nordeste. Mas, pelos mistérios do mundo, nasci jangada. Ou, melhor dizendo, não sei bem certo se fui eu que surgi nela ou se foi ela que surgiu em mim.

Esse é o enigma, a coisa indefinível que funde o conceito e me confunde o espírito. Assim digo, meu pai, minha mãe e eles me dizem: meu filho. São eles que são meus ou sou eu que sou deles? Se fui gerado por eles, como, então, eu digo que me pertencem?

Essa transliteração de vocábulos que, há séculos, os metafísicos tentam explicar, desaguando na transubstanciação, me trouxe, desde menino, o quebra-cabeça da contradição que, pela ausência de resposta, pragmaticamente deixo de lado, do mesmo modo que desisti muito cedo de saber quem foi que apareceu primeiro, se a galinha ou o ovo.,

Essa postura, sem trocadilho, se é má de um lado, por constituir um conformismo vagabundo que arrolha a reflexão, traz, contudo, apesar de seu aspecto aterrador, a vantagem de não agregar indagações estéreis, permitindo à criatura navegar, sem antagonismo, ao sabor dos ventos.

 

Foi o que, ainda menino, comigo aconteceu: De repente me vi nas ondas, sem nada entender das águas. Não direi que embarquei na minha jangada, porque, em essência, no conflito do ser e do ter, foi ela que passando – sem pedir licença, me carregou, impulsionando-me – como já dizia o chavão de Camões -, por mares nunca dantes navegados.

 

Mordaz, zombou muitas vezes de mim, rindo à socapa de minha pretensão de dono de meus remos.

Quando, seguro de mim mesmo, apontava a bússola para um porto, sorrateiramente, sem que eu percebesse, mudava as agulhas, me lançando ao léu da sorte para desconhecida e deserta praia oposta! Eu disse deserta, mas a honestidade me conduz, fiel a mim mesmo, a uma retificação. Direi, pois, que a praia só aparentemente era vazia, como as surpresas do mundo sempre me iriam mostrar depois.

Nem devo dizer, com certeza que, me empurrando na contramão dos meus desejos, estava verdadeiramente a zombar de mim. Porque, reconheço hoje, na sua veste consciente de pedagoga sutil, me levava – e talvez me leve, não sei bem ainda – com a sabedoria de Cassandra, para as veredas mágicas de meu destino.  Vai daí que, tantas vezes, pensando estar sozinho e sedento na praia, impulsionado pela necessidade de caminhar, fui levado, sem que percebesse, a escondidas fontes cristalinas.

Pensando melhor, erro ao dizer que caminhava. Era empurrado ao sopro do deus dará. Ora por vento de terra, outras horas por vento do mar.

Bem, neste passo, faço um intervalo, pois entendo ter-me precipitado nas considerações, pondo o carro adiante dos bois.

 

Antes deveria ter informado primeiro como descobri que nasci jangada ou a jangada nasceu em mim. Talvez, ambas as coisas de uma só vez, já que, na interpenetração dos conceitos, me tornaram, ao mesmo tempo, jangada e jangadeiro a navegar siameses no imperceptível oceano da vida.

 

Aconteceu quando, um dia, mal chegado à puberdade, aureolado pela empáfia, narciso em devaneio, divisei no vidro do espelho uma imagem de cadete do Exército. Antevi uma farda azul de gala penetrando imponente no salão de baile, com a orquestra – (a de Glenn Miller? talvez -) estonteada, parando de repente ao impacto da triunfal entrada, para que as mocinhas todas – todas elas – admirassem o garbo do Petrônio engalanado que chegava.

E a mais linda, esplendente no vaporoso vestido de tule rosa – antecipando-se às borboletas multicores – a me convidar com um sorriso, num doce aceno, para a valsa vienense, em voos de pluma pelo salão. Rapaz, – orgulhoso eu disse – vê a glória que o espelho te promete, vai para o Realengo e terás o mundo a teus pés! Afundei-me nos livros, com a farda na cabeça, as meninas no coração e a ansiedade no pensamento.

Para ganhar o glorioso uniforme (azul nos dias de festa) era preciso não medir esforços, nem podia me descuidar da forma física. Foi daí que o cérebro apressado e o corpo cansado entraram em desalinho, numa briga de direção.

Para inscrição no vestibular, a Escola exigia a dicotomia pedante da legenda latina: “mens sana in corpore sano” Por isso, cumulava as madrugadas de estudo com as tardes de atletismo, sem perceber que, para agrupar as duas coisas em conflito, me esquecia muitas vezes do repouso e até de bem me alimentar.

Nem percebia a aritmética negativa da desequilibrada combinação que enriquecia a mente, mas definhava o corpo. Emagrecia a olhos vistos. Isto é, aos olhos dos outros, não aos meus. Pensando na farda desfilando no salão de baile, só eu não via o paradoxo do comportamento insano. E foi assim que de madrugada, antes do galo cantar, desdenhosamente, uma líquida golfada quente na boca, atirando ao chão uma rosa vermelha de sangue, me avisou que o sonho do uniforme azul se estava desfazendo. Na quinta série do ginásio, já aprendera a ver nos olhos tristes dos tuberculosos a pouca glória dos poetas que morriam cedo.

 

Navegando no desespero, chorei. Chorei, sem suspeitar que, caminheiro de botas perdidas na terra, estava, sem farda, a nascer marinheiro descalço numa jangada a flutuar nas encapeladas ondas do mundo.

 

Enquanto o sonho campeava, era ainda menino de mais para compreender os mistérios indescritos dos estranhos ventos da vida. Envolvido pela ansiedade da juventude que, antes do pôr do sol, já queria ver o amanhã, eu me sentia agora na condição de deserdado que, perdendo o lume da esperança, estava atônito diante do túnel escuro do desengano.

Os amigos… Aqueles companheiros das horas folgãs, dos bailinhos em tom de amores e dos esportes ardentes, como por encanto, se foram. Desapareceram como a brisa suave de meus anseios. Tinham medo, com certeza tinham medo – e com razão – da transmissão cruenta do bacilo infausto.

A tísica, meu Deus, a tísica, doença dos poetas, era a condenação dos atletas.  – “Mens sana in corpore sano?” – Na contracapa da legenda, a imagem da parca de foice recurva. A tosse contínua, a febrinha persistente, o suor noturno, a dor nas costas, o gesto assustado dos conhecidos e o olhar de misericórdia dos que passavam agrediam a alma e transformavam em angústia os minutos que rolavam lentos, brincando de cabra cega com os ponteiros do relógio. Desalento do espírito e fuga do coração crente. A confusão mental me envolvendo, jogando-me na solidão de mim mesmo, como uma ilha intocada no arquipélago do medo.

 

Não, não me ocorria, então, na chuventa manhã dos dezessete anos, que as mesmas pedras que nos machucam os pés, servem também para construir catedrais. Nem desconfiava, ao menos, da filosofia serena de Mêncio que na velha China contava a sábia história daquele contonês antigo, tão antigo que viveu no tempo de Fo hi.

 

Velho e maneta, Hong morava num povoado miserável no fundo do vale. Tão miserável que, nele, possuir um animal, um cão sarnento que fosse, representava um privilégio de rei. Pois o velho era, então, segundo todos diziam, um homem rico. Tinha de seu, além do filho, Xi-Tzu, um cavalo magro, de costelas à vista magro e feio, mas, de qualquer forma, um cavalo..

Aconteceu que, um dia, o pangaré sumiu… Os vizinhos, com Huang-uei, o ancião, à frente, imaginando a aflição de Hong, foram em grupo consolá-lo:

– Que desgraça, disse o venerável, perder o seu único bem!

– Será que é desgraça? – Retrucou o maneta sereno.

Os amigos se retiraram e alguns dias após, o cavalo fujão, magro e feio, retornou à aldeia, liderando uma manada de fortes potros selvagens.

De novo, os aldeões se reuniram. Desta vez para se regozijarem com a fortuna:

– Que felicidade – exclamou Huangei – você está muito rico!

Ao que respondeu, Hong:

– Será que é felicidade?

Passados alguns dias. Xi-Tzu, tentando domar o potro mais forte, foi arremessado ao chão, quebrando as duas pernas. Solidários, mais uma vez os vizinhos se reencontraram:

– Mas que desgraça, Hong, seu menino quebrar a perna;

– Será que é desgraça? – argumentou o velho maneta, olhando para o sol que se punha, ainda fulgurante, no horizonte.

Tempos após, veio a guerra que toda a região do Vale do Oang, recrutando todos os moços válidos da aldeia para a luta. E o filho de Tu-fu, o forte, de Tu-um, o destemido, de Lo-yien, o sem medo, de Tien-han. o indomável, de Lin Chu, o valente, carregando penosamente suas armas, foram para o combate.  E todos, o forte, o destemido, o sem medo, o indomável, o valente, morreram. Todos? Todos, não, menos Xi-Tzu, o aleijado, que de pernas tortas, não foi chamado para a guerra.

Essa historinha, que vem dos milênios e vive na consciência do mundo, caminha no espaço e se alonga no tempo como a síntese da eterna pergunta do homem perdido no labirinto de seu destino. Eu a aprendi no dorso da montaria que, ao léu das ondas de ignotos mares, me carregava divertida, mudando, quando menos esperava, o norte de minha bússola.

 

Foi assim que, ao sabor dos ventos, depois da assustadora tempestade, me fez ancorar em um até então insuspeito porto sereno.

 

Uma informação acidental, que, matreira, sem se identificar me chegou aos ouvidos, levou-me para a única praia em que eu, ainda molhado pela chuva da alma que escorria pelos olhos, podia descer: – o vestibular da Escola Normal.

Lendo os jornais, antevi a possibilidade de, se possível, preencher o vazio de minha esperança, mesmo que fosse a custa de esforços incomuns em um aprendizado para o qual, até aquele momento, não descobrira qualquer inclinação.

Surpreendentemente a saúde havia melhorado, muito além da expectativa dos médicos. Diante disso, procurei o diretor da escola, a quem expus com lealdade a minha situação. Professor Geraldo compreendeu-me, estendendo-me a mão com generosidade. Fiz as provas e matriculado, me descobri, aluno, integrando, desajeitadamente, na aula de música, em um dia de março, o coral da escola. No orfeão, o ensino era ritual.

Canto a três vozes. A terceira, faziam-na os homens:  baixo, barítono ou tenor. A segunda e a primeira, as moças: contralto ou soprano.

Primeira apresentação:

A professora, maestrina de fôlego alto, anuncia o ensaio inicial com um pequeno poema do folclore nordestino.

Sem perceber, batendo a batuta na borda do piano, estava me apresentando, numa canção, a mãe de minha sorte. A mim que não era tenor, barítono ou baixo.

Um desafinado. Desafinado que não sabia cantar, mas que ouvia de repente um segredo imemorial que antes de mim, para mim já fora escrito.

 

“Minha jangada de vela.
  Para onde vais me levar?
De dia, vento de terra,
De noite, vento do mar“

 

 

Rubem Costa, campineiro nascido em 22 de abril de 1919, foi presidente emérito da Academia Campinense de Letras (ACL), educador, escritor e um dos jornalistas mais longevos do Brasil. Produziu crônicas e manteve-se ativo intelectualmente até meses antes de sua morte, em 2 de fevereiro de 2022.

 

* Este artigo está sendo publicado em três partes (dias 22, 23 e 24 de abril)

* Revisão Maria Elisabete Costa Grinaboldi em 06/01/2026

 

LEIA TAMBÉM:

 

Hora Campinas homenageia Rubem Costa com publicação de trilogia inédita

 

Tags: ArtigoCampinascontoescritorHora CampinasjornalistaMemóriaOpiniãoRubem Costa
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