A chapa “Continuamos Unidos pela Irmandade”, que disputa a eleição no complexo Santa Casa de Campinas e Hospital Irmãos Penteado, divulgou na manhã desta sexta-feira (15) uma nota de esclarecimentos em que refuta denúncias apresentadas pela chapa oposicionista e reforça “lisura e transparência” no trabalho da Irmandade de Misericórdia.
Como mostrou o Hora Campinas, a Irmandade de Misercórdia de Campinas, que abrange os hospitais Irmãos Penteado e Santa Casa, localizados no centro da cidade, nas imediações da Prefeitura, vem enfrentando crises financeira e de gestão.
No final de abril, a eleição da nova diretoria da Santa Casa de Campinas, que deveria ocorrer no dia 30 do mês passado, foi suspensa pela Justiça, em decisão liminar.
Nos últimos dias também veio à tona a decisão do juiz Felipe Guinsani, da 7ª Vara Cível de Campinas, que determinou a retirada do segredo de justiça de um processo que reconhece irregularidades na gestão da Santa Casa.
Para permitir que as decisões viessem a público, o magistrado considerou o “inequívoco interesse público” de que “a sociedade tenha acesso às decisões proferidas sobre o patrimônio de entidade filantrópica destinada ao atendimento da população carente”.
Com a quebra do sigilo, tornou-se público o Acórdão da 10ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo, liberado em 12 de março de 2025, que proibiu a atual gestão da Santa Casa de iniciar um empreendimento imobiliário no local onde hoje se encontram o Hospital Irmãos Penteado e a Santa Casa de Campinas, projeto que incluia até mesmo a construção de Shopping Center no local. A decisão do magistrado é de 8 de maio último.
No posicionamento, a IMC alfineta seus adversários na eleição. “Aparentemente apenas a chapa Santa Causa se nega a entender esses desafios e remar na contramão da evolução”.
A nota de esclarecimento
O documento assinado pela chapa “Continuamos Unidos pela Misericórdia, ao qual o Hora Campinas teve acesso, informa que o grupo da situação “tomou conhecimento pela mídia televisiva e impressa de Campinas, de denúncia anônima realizada, sobre supostas rachadinhas e, mesmo sem notificação formal para se manifestar, apresentou todos os documentos e prestação de contas necessários ao Ministério Público Local, o que foi de pleno constatado nenhuma insurgência criminal à IMC ou na pessoa do provedor”.
A nota segue esclarecendo que “o procedimento de averiguação pelo MP tramita em segredo de justiça, e está na fase de manifestação de defesa da Municipalidade Campinas, sobre o assunto.”
No texto, a Irmandade de Misericórdia de Campinas diz que “reforça o compromisso com a ética, lisura e transparência sempre apresentados em seus trabalhos, contribuindo de forma voluntária ao procedimento de averiguação pelo MP, e se manifestará sempre que instada”.
Veja os pontos apresentados pela chapa da situação
A chapa “Continuamos Unidos pela Irmandade” esclareceu também:
♦ 1. O projeto de construção de um novo e moderno centro hospitalar foi regularmente aprovado pela Mesa Administrativa e por 100 irmãos que compareceram a uma assembleia especialmente convocada;
♦ 2. Entre esses que aprovaram, 7 ingressaram com pedido judicial afirmando que não haviam participado dos atos de aprovação, contrariando provas documentais apresentadas;
♦ 3. No curso do processo, a Justiça não analisou critérios de viabilidade técnica ou econômica. A decisão, entretanto, interpretou que ajustes técnicos do projeto não guardavam 100% de correspondência com a previsão original; Importante, então, esclarecer a todos: (i) A Irmandade está sediada em terreno de aproximadamente 25.000m², com potencial construtivo de mais de 125.000m². Ou seja, onde atualmente há, aproximadamente, 15.000m² de construção, poderia ser construído mais 110.000m². Esse potencial construtivo corresponde a um PATRIMÔNIO não edificado da Instituição. Tentar inviabilizar sua destinação, antes de mais nada, é inviabilizar seu próprio crescimento e evolução tecnológica. Argumentos irresponsáveis podem prejudicar indefinidamente a Instituição que se alega defender; (ii) O Projeto respeitava bens tombados, tanto que foi aprovado pelo CONDEPACC; (iii) O patrimônio imobiliário da instituição seria multiplicado em dezenas de vezes, tornando-a proprietária de uma moderna estrutura multiuso, complementar às atividades hospitalares.
♦ 4. A Irmandade não passaria a operar um centro comercial ou rede hoteleira apenas, mas destinaria à locação e auferiria renda, nada diferente do que já faz. Novamente chamamos à atenção para argumentos irresponsáveis que podem causar danos permanentes à instituição; (iv) A área destinada à sede da Instituição, além de muito mais moderna e arrojada, seria aproximadamente 50% maior que a área atual, um benefício óbvio; (v) Todos os que realmente prezam pela instituição podem imaginar o imenso desafio que é gerir um hospital dessa relevância e importância em instalações construídas entre 1871 (Santa Casa) e 1936 (Irmãos Penteado).
♦ 5. Aparentemente apenas a chapa “Santa Causa” se nega a entender esses desafios e remar na contramão da evolução; (vi) A Justiça não proibiu definitivamente o projeto, tampouco teria autoridade para tamanha ingerência em uma instituição PRIVADA;
♦ 6. Dessa forma, convidamos a todos para, individualmente, refletir se o ideal buscado pela chapa “Santa Causa”, de inviabilizar o atendimento hospitalar em uma estrutura moderna, é condizente com os objetivos da Instituição. Ao invés disso, a chapa “Continuamos Unidos pela Irmandade” é coerente aos seus princípios e defende uma gestão ética, responsável e transparente. Viabilizar uma infraestrutura hospitalar moderna à população carente da Região Metropolitana de Campinas (RMC) é, acima de tudo, atender à finalidade definida desde a fundação da Irmandade, em 1871.
♦ 7. Contamos com o seu apoio para mantermos a Irmandade de portas abertas e com a qualidade e respeito que merece de todos nós!
CHAPA CONTINUAMOS UNIDOS PELA IRMANDADE












