A febre maculosa fez três vítimas fatais em Campinas nos primeiros seis meses de 2022, contra cinco registradas em todo ano passado e também em 2020. A morte mais recente foi a de um jardineiro de 66 anos, morador da região do Ouro Verde, que provavelmente foi infectado quando trabalhava na limpeza de uma chácara no distrito de Sousas. Das cinco confirmações da doença até agora no município – quatro deles nesta semana –, três três tiveram Sousas como local provável de contaminação.
O primeiro caso de maculosa em Campinas este ano resultou em óbito. O rapaz de 18 anos era soldado do Exército, lotado no 28º Batalhão de Infantaria Mecanizada. Ele apresentou sintomas em 20 de abril e morreu no dia 24 do mesmo mês. O local provável de infecção é uma área do Exército na Fazendo Chapadão, região Norte do município.
O jardineiro morador do Ouro Verde apresentou os primeiros sintomas no dia 24 de junho e morreu no dia 30 do mesmo mês. A terceira vítima fatal, um homem, 30 anos, teve sintomas iniciais em 18 de junho e veio óbito oito dias depois. A infecção provavelmente ocorreu em Barão Geraldo.
Duas outras pessoas infectadas se curaram da doença. São dois homens, de 43 e 27 anos, ambos infectados possivelmente no distrito de Sousas.
O sucesso da resposta à contaminação pela maculosa depende do início rápido do tratamento, uma vez que a bactéria destrói a parede do vaso sanguíneo. O tratamento é realizado com um antimicrobiano específico.
A partir do 7º dia de doença, a lesão torna-se, geralmente, irreversível, segundo informações da Fundação Oswaldo Cruz.
Saiba mais
Infecção grave, causada por uma bactéria e transmitida pelo carrapato conhecido como estrela, a febre maculosa tem sazonalidade nos meses mais secos e frios do ano. O período entre maio a outubro é o de maior risco de contaminação.
O quadro clínico é marcado por início brusco, com febre alta e dores de cabeça, podendo haver dores musculares intensas e prostração.
Na evolução da doença, podem ocorrer hemorragias, náuseas e vômitos. As manifestações clínicas surgem após um período de incubação que leva em média 7 dias, podendo variar de 2 a 15 dias, conforme Elba Lemos, Chefe do Laboratório de Hantaviroses e Rickettsioses do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz).
O surgimento de lesões na pele, no 3º ao 5º dia de doença, aumenta o grau de suspeição, muito embora existam casos nos quais este sinal pode não ser detectado – no caso de pacientes idosos, submetidos a tratamento específico precocemente, ou mesmo em pacientes negros, pela dificuldade de se observar as manchas negras, por exemplo.
Apesar de ser considerada uma doença de baixa frequência no Brasil, a taxa de mortalidade é elevada devido à falta de diagnóstico adequado e de tratamento precoce.
Os sintomas são facilmente confundidos com os de outras doenças, o que faz com que informações passadas pelo paciente sobre presença em áreas de risco de maculosa sejam determinantes para o sucesso do tratamento.











