O primeiro round da disputa política da corrida eleitoral à Prefeitura de Campinas aconteceu na noite desta quinta-feira (4) durante entrega de obras viárias do BRT e do viaduto Bandeirantes (lote 3 e parcial do lote 2).
Era a segunda parte da agenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na cidade. Ele já havia participado do lançamento da pedra fundamental do Orion, complexo laboratorial para pesquisas avançadas em patógenos, do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), evento do qual participou o vice-prefeito Wanderley de Almeida (PSB), partido aliado aos petistas.
Na agenda que envolveu BRT e viaduto Bandeirantes, o prefeito Dário Saadi (Repub) esteve presente e foi o primeiro a discursar. Dário é do partido do governador Tarcísio de Freitas (Repub), virtual adversário de Lula em 2026. Tarcísio tem desconversado sobre esta hipótese para não gerar mal-estar com seu padrinho político, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), até agora inelegível.
Quando o mestre de cerimônias do evento chamou Dário, uma vaia considerável ecoou no ambiente.
O prefeito de Campinas, pré-candidato à reeleição, seguiu para o microfone constrangido e iniciou o discurso. Mas, os apupos continuaram e Lula interveio. “Olha, o prefeito é um convidado do governo federal para vir neste negócio. Então, não é correto a gente convidar as pessoas, ela vir aqui e ser recebido dessa forma”, ponderou.
“Se a moda pega, eu não posso ir em nenhuma cidade em que o governador não é do meu partido. É preciso respeitar a palavra do prefeito”, advertiu Lula à plateia, formada majoritariamente por integrantes de movimentos sociais, alguns de camiseta vermelha.
O evento aconteceu no bairro Satélite Iris, região com forte influência de militantes da esquerda. As obras contaram com recursos do PAC Mobilidade Grandes Cidades e atenderão cerca de 425 mil habitantes.
Lula também lembrou do dinheiro federal que está ajudando a financiar estes investimentos em Campinas.
Dário continuou o seu discurso, mesmo com algumas vaias ecoando. “Está tudo tranquilo, presidente”, respondeu o prefeito de Campinas. No ano passado, Dário e Lula tiveram um atrito com repercussão nacional.
Mal-estar no ano passado
Em junho de 2023, houve bate-boca nas redes sociais e nos círculos políticos a respeito da polêmica envolvendo o embate entre o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e o prefeito de Campinas, Dário Saadi (Repub). No centro da discussão estava o Residencial Mandela, que está em construção no DIC 5, na região do Ouro Verde, e que previa casas-embrião de 15m², com possibilidade de expansão em sua metragem.
Durante um evento em Belém (PA) naquele mês, Lula disse que Dario é “desumano” e “não entende de pobre” por construir casas de 15m². Para o mandatário de Campinas, o presidente falou “bobagens” e “mentiras” por não se informar sobre a situação. E pediu que ele se retratasse nas redes sociais.
Não houve retratação, o assunto esfriou e a Prefeitura acabou revendo o projeto. Dário sempre argumentou sobre este tema que aquela solução havia sido um desfecho de um processo judicial e que o tamanho das casas havia sido discutido com os próprios moradores.
Cena política atual
De qualquer forma, as vaias desta quinta-feira e a fala de Lula estão dentro do mesmo contexto: a polarização política que se repetirá entre esquerda e direita nas eleições municipais de outubro.
Até agora, Campinas tem quatro pré-candidatos com maior potencial eleitoral: Dário, que tentará a reeleição, Pedro Tourinho (PT), Rafa Zimbaldi (Cidadania) e Wilson Matos (NOVO), que acaba de substituição o vereador Paulo Gaspar.
Havia uma dúvida como seria o comportamento de Lula e de Dário na solenidade desta quinta-feira. E também como a plateia reagiria. O que já dá para afirmar é que a eleição já começou e que a polarização seguirá dando as cartas na disputa.
Mais anúncios
No evento da noite, houve também anúncios da requalificação do sistema de macrodrenagem de Campinas, conjugando infraestruturas tradicionais (com três reservatórios de retenção) e soluções baseadas na natureza (com três parques lineares).
Esse conjunto de obras diz respeito a antigo problema de inundações em Campinas envolvendo o Córrego Proença (eixo Princesa d’Oeste) e Córrego Serafim (eixo Orosimbo Maia). Nas duas bacias, há episódios recorrentes e históricos de mortes e enchentes severas, com muitos prejuízos. Estes investimentos, com recursos do governo federal, visam a resolver o problema.











