O Hipódromo Boa Vista ficou esquecido na memória dos campineiros, mas resiste ao tempo às margens da Rodovia Anhanguera, no Parque Via Norte. O local que já abrigou importantes páreos, transformou-se em centro de treinamento na década de 1970 e, mais recentemente, em alvo de disputas judiciais. Para quitar débitos da dívida ativa do Jockey Club de São Paulo, o Hipódromo Boa Vista mais uma vez irá a leilão, no próximo dia 30, por lance mínimo de R$ 120 milhões.
O leilão está a cargo da Zuk, que anuncia a negociação do Centro de Treinamento do Jockey Club de Campinas com lance mínimo de R$ 120 milhões, uma redução de cerca de 30% em comparação ao R$ 171.792.096,38 pedidos na primeira praça do leilão, realizada em agosto, sem interessados. Outras tentativas de leilão também foram realizadas em 2023 e no início deste ano, com valores de até R$ 217 milhões.
A página do leiloeiro mostra que até o momento há um único lance para o hipódromo campineiro.
O imóvel está localizado na Rodovia Anhanguera, Km 98 – Parque Via Norte. Possui um terreno de 348.845,69 metros quadrados. Além disso, as antigas instalações ainda resistem, totalizando de 45.997,85m² de metragem construída, segundo a casa de leilões.
A propriedade é composta por uma portaria de acesso, hipódromo com torre para narração, área construída para preparação dos cavalos, enfermaria, duas arquibancadas, cocheiras cobertas e construções para abrigar trabalhadores.

As instalações no Parque Via Norte, visíveis para quem passa pela Rodovia Anhanguera, sucumbiram às dívidas que, em agosto de 2019, eram calculadas em R$ 23.408.878,32.
No edital do leilão, consta informações sobre o leilão de praça judicial, tendo o Jockey Club de São Paulo como executado. Há vários credores citados na ação de execução. A penhora foi decretada em 2019.
História
Para situar a história do Hipódromo Boa Vista é preciso citar seu antecessor, o Hipódromo do Bonfim, o primeiro da cidade, inaugurado em 1878, próximo à atual sede do Sesc, no bairro Bonfim.
A página do Jockey Club Campineiro descreve que a inauguração do lugar foi assistida por seis mil pessoas, “numa grande festa que reuniu a nata da sociedade campineira, no dia 29 de setembro”.
A linha do tempo do turfe campineiro apresentou uma grande lacuna depois de 1889, devido à epidemia de febre amarela. A história foi retomada em 1929, quando foi inaugurado o prédio histórico do Jockey, no Centro de Campinas. Em 1965, a Prefeitura de Campinas requisitou a área que fora cedida pelo município ao Hipódromo do Bonfim e, três anos depois, era inaugurado do Hipódromo Boa Vista.
Inicialmente destinado ao treinamento de animais, o Jockey Campineiro começou a receber corridas alternativas aos circuitos do Rio de Janeiro, devido a uma lei do então presidente Jânio Quadros, que proibia a realização de duas corridas no mesmo dia.
“Em 1974, o general Emílio Garrastazu Médici, apaixonado por cavalos, liberou as corridas e o Hipódromo Cidade Jardim, na capital, voltou a ter páreos todos os dias, esvaziando as corridas em Campinas”, descreve o Jockey Club de Campinas em sua página.
O Hipódromo Boa Vista recebeu o último páreo em 8 de maio de 1974. Foi uma vida breve como palco do turfe do estado, de pouco mais de seis anos.











