A polêmica sobre as quedas e extrações de árvores em Campinas está perto de envolver também o Ministério do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas do governo Lula. O coletivo SOS Piçarrão afirma que um dossiê sobre o caso está em processo de elaboração para ser encaminhado nos próximos dias à ministra Marina Silva.
A intenção do coletivo, formado por ambientalistas da cidade, é inibir a ação da Prefeitura, que intensificou as extrações de árvores nos últimos dias depois da queda de um eucalipto no Parque Taquaral que matou a menina Isabela Tiburcio Firmino, de 7 anos, no último dia 24.
De acordo com o SOS Piçarrão, o trabalho de extração da Prefeitura é precipitado por acontecer sem um estudo prévio a respeito das condições das árvores. A medida também impacta o equilíbrio ambiental, argumenta o coletivo.
“Sabemos que a ministra tem demandas emergenciais, como é o caso dos Yanomamis, grilagem, garimpo ilegal. Mas ela segue nossa página, de alguma uma forma ela acompanha pelas redes sociais. Vamos mandar o dossiê para oficializar”, disse Paulinho Olivieri, integrante do coletivo.
Na terça-feira (7), o SOS Piçarrão protocolou uma queixa-crime no Ministério Público contra a Administração. O grupo já havia formalizado uma ação cautelar no MP no último dia 4 de janeiro solicitando a suspensão das podas no Bosque dos Jequitibás. Segundo os ambientalistas, um inquérito foi aberto para apurar o caso relacionado ao Bosque.
No teor da queixa-crime protocolada nesta semana, o grupo alega que a extração é inconstitucional. Pede ainda, entre outras solicitações, “uma perícia afim de comprovar se os cortes são realmente indispensáveis e a paralisação das extrações até a emissão do resultado pericial”.

Ações e resposta da Prefeitura
O Departamento de Parques e Jardins (DPJ), da Secretaria de Serviços Públicos de Campinas, iniciou um mutirão, desde o último final de semana, para a extração de 27 árvores, todas de grande porte, do canteiro central na Rua Abolição até a Avenida Francisco Glicério.
Conforme laudo do DPJ, o canteiro das árvores está incompatível com o tamanho das raízes, danificando o asfalto e aumentando o risco de queda. A Administração alega que a ação está no enquadramento legal da Lei Municipal de 11.571 de 2003, com base no diagnóstico do laudo.
Na Lagoa do Taquaral, a supressão ocorre em 25 eucaliptos no entorno daquele que caiu sobre a menina Isabela. De acordo com o secretário de Serviços Públicos, Ernesto Paulella, a medida no Taquaral tem como base um laudo do Instituto Biológico e do Instituto de Pesquisas Tecnológicas. Não está descartada a possibilidade da extração de mais eucaliptos no local. “Isso vai depender da análise do Instituto Florestal que já foi solicitada”, diz Paulella.
Desde a última sexta-feira, a Prefeitura de Campinas fechou, por tempo indeterminado, um trecho da pista interna da Avenida Heitor Penteado, no entorno da Lagoa, para circulação de pedestres, ciclistas e veículos. O trecho vai do balão onde está situado o 4º Distrito Policial até a avenida Almeida Garret.
A Lagoa do Taquaral está entre os 16 parques e bosques da cidade que continuam fechados, em razão do risco de novas quedas de árvores. O grande volume de chuvas dos últimos dias mantém o solo encharcado, o que amplia os riscos de quedas.
De acordo com Paulella, desde o último dia 17 de janeiro cerca de 300 árvores caíram em Campinas. O problema, no entanto, começou antes, na última semana de 2022, quando uma figueira do Bosque dos Jequitibás caiu em cima de um carro que passava na Rua General Marcondes Salgado. O motorista morreu no local. Segundo a Prefeitura, um total de seis árvores do Bosque foram suprimidas nos últimos dias.











