Domingo, 16 de setembro de 1951. Essa é a data de uma das maiores tragédias que já aconteceram em Campinas: o desabamento do Cine Rink, antigo e grandioso cinema que funcionava na esquina da Rua Barão de Jaguara com a Rua Conceição, número 1.049, no centro da cidade.
Naquela fatídica ocasião, há exatos 73 anos, uma das vigas que sustentava o telhado se soltou e caiu sobre o forro, que não suportou o peso. A estrutura cedeu e atingiu principalmente quem estava sentado nas fileiras do meio, resultando em 25 mortes (mais 15, posteriormente) e mais de 400 feridos.

O trágico acidente aconteceu no período da tarde, pouco depois das 15h, durante a exibição do filme “Amar Foi Minha Ruína” (1945), uma das atrações da sessão dupla daquela matinê de domingo. O faroeste “Os Salteadores” (1948) também estava em carta e foi exibido primeiro. O Cine Rink, que comportava 1.200 pessoas, estava lotado de gente no momento que o teto despencou. A construção foi obra do engenheiro Lix da Cunha.
Inaugurado em 1878, inicialmente especializado em patinação, mas também com salão para espetáculos, bailes e conferências, o Cine Rink passou a exibir filmes somente em 1901, com a chegada do cinematógrafo Lumière, equipamento considerado o marco do cinema, que havia sido apresentado ao público em 1895.
O desabamento do Cine Rink ocorreu a menos de dois quilômetros do estádio Moisés Lucarelli, onde Ponte Preta e XV de Piracicaba se enfrentavam naquela tarde de domingo. O duelo, justamente o mesmo que três anos antes havia inaugurado o estádio, com vitória do time visitante por 3 a 0, terminou novamente com derrota dos anfitriões, desta vez por 2 a 1.

No intervalo da partida entre Ponte e XV, os alto-falantes do Majestoso solicitaram que todos os médicos presentes no estádio se dirigissem aos portões de saída, mas foi só depois do apito final que o sistema de som avisou os torcedores sobre a tragédia.
Naquele ano de 1951, a Ponte inaugurou os refletores do Majestoso e estreou na primeira divisão estadual, contando edições sob organização da Federação Paulista de Futebol.
Na época, a Ponte Preta contava com o lendário goleiro Ciasca, o imponente zagueiro Stalingrado, que levava esse curioso apelido em alusão à maior batalha da Segunda Guerra Mundial, e o grande atacante Sabará, revelado no Majestoso, que depois jogaria no Vasco e chegaria à Seleção Brasileira.
Mãe de jogador da Ponte morreu na tragédia
Entre as 25 vítimas fatais do trágico dia do desabamento do Cine Rink, estava uma mulher chamada Olga Tereza Finelli Monteiro. Ela era mãe do jogador pontepretano Atis Monteiro, que na época tinha apenas 19 anos e iniciava sua trajetória no futebol.
Atis brilhava brilhava na equipe juvenil da Macaca e começava a ganhar oportunidades no time principal – no ano seguinte, ele entraria para a história do Dérbi Campineiro, ao marcar três gols numa goleada da Ponte por 4 a 0 sobre o Guarani, no Majestoso.
“Ele era muito próximo da mãe. Foi a maior desgraça da vida da família dele”, descreve Juliana Monteiro, uma das filhas de Atis. O ex-jogador da Ponte atualmente tem 92 anos e segue morando em Campinas, sua terra natal. “Meu pai nunca se conformou [com a tragédia] e passou a ser ateu desde então”, revela Juliana.
“Meu pai nunca deu entrevista nem falou sobre o tema e meu avô nunca cobrou danos na Justiça. Minha mãe era criança e também estava no cinema, mas se salvou”, acrescenta Juliana Monteiro, cuja família tem a tragédia do Cine Rink como um trauma eterno.
Uma viagem pelo futebol dos anos 50, com o ídolo pontepretano Atis Monteiro
Confira abaixo a ficha técnica da partida entre Ponte Preta e XV de Piracicaba, disputada no mesmo dia da tragédia do desabamento do Cine Rink:
Ponte Preta (1): Ciasca; Bruninho e Stalingrado; Inglês, Pitico e Rodrigues; Isabelino, Lelé, Isaldo, Moacir e Rovério. Técnico: José Agnelli.
XV de Piracicaba (2): Alfredo; De Sordi e Idiarte; Cardoso, Armando e Aedo; Santo Cristo, Moreno, Jairo, Gatão e Nelsinho.
Gols: Jairo e Nelsinho (XV de Piracicaba); Isabelino (Ponte Preta).
Data: 16 de setembro de 1951 (domingo).
Local: Estádio Moisés Lucarelli, Campinas (SP).











