O debate administrativo e a politização da tragédia que resultou na morte da estudante Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, no último sábado, na Ponte do Esqueleto, em Limeira, ganharam novos desdobramentos nesta segunda-feira (15).
O prefeito Murilo Félix (Podemos), que havia acusado o Governo Federal de “omissão” na fiscalização da estrutura, se reuniu com representantes do Governo Federal, da Câmara Municipal de Limeira e integrantes da Câmara dos Deputados, para discutir medidas voltadas à restrição de acesso ao local, localizado no limite com Cordeirópolis.
Durante o encontro, o prefeito ressaltou que a atividade no local sempre foi proibida e solicitou que a União faça a demolição da estrutura como medida definitiva para eliminar os riscos existentes na ponte, além de investigação pela Polícia Federal de futuras atividades divulgadas pelas redes sociais.
O assunto teve jogo de empurra nas últimas horas.
A Secretaria de Patrimônio da União (SPU), vinculada ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), afirmou nesta segunda-feira (15) que desde 2024 vem solicitando apoio das prefeituras da região para restringir o acesso à Ponte do Esqueleto, onde ocorreu a morte da estudante Maria Eduarda Rodrigues na manhã do último sábado (13) durante um salto de rope jump. A manifestação ocorreu em resposta à posição da Prefeitura de Limeira de processar o Governo Federal na Justiça por omissão.
Em nota, a SPU informou que a ponte chegou a ser bloqueada por alguns meses, mas a reabertura foi “posteriormente discutida e defendida por empresários locais durante sessão na Câmara de Vereadores de Limeira”. Conforme a SPU, o bloqueio ocorreu em 2024, após a morte da ciclista Kelly Stefani de Oliveira Alves, de 38 anos, ao cair da mesma ponte enquanto pedalava.
Já a Prefeitura de Limeira assegura que a responsabilidade pela fiscalização e controle de acesso à ponte é exclusiva da União e afirma que vem cobrando providências dos órgãos federais desde 2025.
Também anunciou que instalará barreiras físicas de acesso e placas de aviso de propriedade da União e entrada proibida.
A Pasta defendeu que “o diálogo e parceria entre entes federados é o caminho para gestão de espaços de uso comum”.

A reunião em Limeira
“Estamos tratando de uma área que apresenta riscos conhecidos há muitos anos e que continua atraindo pessoas mesmo interditada. A implosão da estrutura será uma solução definitiva para evitar novos incidentes e garantir a segurança da população”, afirmou o prefeito de Limeira, Murilo Félix.
Durante o encontro, a Prefeitura apresentou as medidas já antes adotadas desde 2024 para impedir o acesso à ponte, entre elas a instalação de placas de advertência, o bloqueio de acessos e a abertura de valetas, que ainda assim foram ultrapassadas irregularmente por pessoas para praticar atividade criminosa.
O município ressaltou, porém, que a estrutura pertence à União e que parte das entradas ocorre por propriedades particulares.
De acordo com o secretário interino de Assuntos Jurídicos da Prefeitura de Limeira, Jonathan Fernandes, o compromisso assumido por todos na reunião foi de agir contra o exercício ilegal de atividade, e que o acesso ao local configura crime pois não se trata de área de acesso público permitido.
A empresa
A “Entre Cordas”, empresa responsável pela atividade de rope jump em que morreu a jovem Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, operava sem Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), segundo as investigações.
Maria Eduarda morreu no último sábado (13), durante um salto realizado na região da Ponte do Esqueleto, em Limeira. A Polícia Civil investiga o caso como homicídio com dolo eventual, quando há presunção do risco de produzir a morte.
De acordo com a investigação, a empresa funcionava de forma clandestina. As redes sociais foram desativadas logo após o ocorrido.
Três homens permanecem presos
Inicialmente, seis pessoas foram detidas e levadas para prestar esclarecimentos. Após serem ouvidas, três homens apontados como diretamente ligados à atividade foram presos. Eles passaram por audiência de custódia e tiveram as prisões mantidas pela Justiça.
Jovem pagou R$ 200 pelo salto
Segundo a apuração, Maria Eduarda havia pago cerca de R$ 200 para participar da atividade. O salto dela seria o 16º realizado naquele dia e o primeiro na modalidade conhecida como “aviãozinho”, em que instrutores carregam o participante e o lançam da plataforma.
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Quem era Maria Eduarda
Moradora de Jandira, na Grande São Paulo, Maria Eduarda era formada em Educação Física e Gestão Esportiva e trabalhava em uma academia da cidade. O enterro da jovem aconteceu neste domingo (14), em Jandira. Nas redes sociais, familiares e amigos prestaram homenagens. A mãe da jovem também publicou mensagens de despedida.
O que é rope jump
No rope jump, o praticante salta de locais elevados preso a cordas especiais projetadas para interromper a queda de forma controlada. Diferentemente do bungee jump, que utiliza corda elástica e provoca quicadas, o rope jump realiza um movimento de pêndulo no ar, o que rendeu à modalidade o apelido de “pêndulo humano”.
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