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Home Colunistas

A arte de restaurar sofás e vidas – por Kátia Camargo

Projeto social trabalha com jovens de 15 a 24 anos que aprendem um ofício e reconstroem suas histórias

Kátia Camargo Por Kátia Camargo
9 de dezembro de 2022
em Colunistas
Tempo de leitura: 4 mins
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A arte de restaurar sofás e vidas – por Kátia Camargo

Projeto Reforcriativ nasceu no quintal da casa de Izidoro, em 2006, nas manhãs de sábado, com o objetivo de ensinar os jovens o ofício de estofador - Fotos: Divulgação

O ofício de estofador de móveis, aprendido com um conhecido ainda na adolescência, fez com que Valdinei Marques Izidoro, de 47 anos, enxergasse na profissão que exerce a possibilidade de tirar jovens em situação de vulnerabilidade social das ruas. Foi assim que nasceu em 2006, o Reforcriativ, que capacita adolescentes, entre 15 a 24 anos, a restaurar e estofar sofás, cadeiras e móveis, no bairro Eldorado, uma das áreas mais violentas da Paraíba do Sul, município onde vivem aproximadamente 44.500 pessoas, no estado do Rio de Janeiro.

Desde que tinha 19 anos, Izidoro decidiu que usaria um dia de sua semana para fazer algo para ajudar o próximo. Seu primeiro projeto na comunidade foi ensinar futsal, aos sábados, para crianças do bairro. As aulas de futsal funcionaram por 13 anos, mas o estofador foi percebendo que ao completar 13, 14 anos os adolescentes iam perdendo o interesse de participar dos jogos, deixavam de frequentar as aulas de futsal e chegavam até a abandonar a escola. Observava que alguns jovens começavam a se envolver com traficantes da região, entravam para o crime, eram presos e morriam muito jovens, geralmente de forma trágica. “Sentia que precisava fazer algo por esses meninos que estavam entrando num caminho sem volta”, lembra Izidoro.

Foi buscando um caminho para tentar despertar o interesse dos jovens que Izidoro se lembrou do ‘seu Otácilio’, um senhor já falecido que o ensinou, ainda na adolescência, a arte de estofar, que se tornou sua profissão e sustento. Nesse trabalho, ele aprendeu sobre a força de restaurar, reformar, criar, embelezar e dar vida nova a móveis como sofás, cadeiras, poltronas, pufes que estavam malconservados e colocados de lado pelas pessoas.

Pensando no processo de seu trabalho diário de estofador, ele começou a enxergar uma semelhança metafórica entre os móveis que restaurava e parte da vida desses jovens que estavam se perdendo e vivendo em uma sociedade que, muitas vezes, limita suas potencialidades, privando-os de oportunidades de construir um futuro melhor e mais digno. Foi então que percebeu que seria preciso ‘estofar’ e ‘restaurar’ a vida desses jovens, começando a ensinar um ofício que os ajudaria a recuperar a autoestima e a acreditar em suas capacidades.

 

Valdinei Marques Izidoro: “Queria que eles se sentissem acolhidos e valorizados no projeto”

 

 

O projeto Reforcriativ nasceu no quintal da casa de Izidoro, em 2006, nas manhãs de sábado, com o objetivo de ensinar os jovens o ofício de estofador.

“Eu achava muito importante servir o café da manhã para eles, comprava pão, leite, depois tinha uma palestra e começava a oficina. Queria que eles se sentissem acolhidos e valorizados no projeto. Mas, estava ficando difícil bancar os gastos do café, eu não tinha muito dinheiro. Até que uma vizinha percebeu a movimentação dos jovens no meu quintal e quis saber o que aquele grupo de garotos vinha fazer toda semana em casa. Quando expliquei sobre o projeto ela se ofereceu apoio e disse que traria toda semana um bolo para ajudar no lanche deles. O café ganhou reforço e eu entendi, com aquela conversa, que precisava envolver a comunidade no projeto”, conta ele. E assim fez!

Unindo forças com a comunidade

Esse gesto de partilha da vizinha fez Izidoro ter uma ideia para envolver a comunidade no projeto. “Comecei a falar para toda a vizinhança que se eles reformassem o sofá conosco estariam ajudando o projeto a se manter vivo”. E, com isso, a demanda do serviço começou a aumentar muito, pois as pessoas viam que seus filhos, seus vizinhos estavam empolgados e cheios de esperança de aprender algo novo, ter um trabalho, melhorar a vida.

“O projeto foi crescendo, ganhando visibilidade e força. Contar para os outros o objetivo do projeto acabou gerando muito mais trabalho na oficina. E com isso eu fui chamando alguns jovens que faziam parte do projeto para me ajudar durante a semana. E foi assim que esses meninos começaram a ter uma remuneração pelo que estavam aprendendo e colocando em prática. Percebia também algo que enchia meu coração de alegria, pois nas conversas entre eles, enquanto estavam trabalhando, começavam a aparecer a esperança de uma vida melhor, com mais dignidade e a sonhar com novos caminhos”, diz.

 

Cerca de 300 jovens já passaram pelo projeto em seus 15 anos de existência

 

Uma das exigências para entrar no projeto, que hoje funciona em um galpão cedido pela prefeitura no bairro Eldorado, é que o jovem não abandone a escola e que tenha comportamento, frequência e participação nas aulas. “Acredito que se ele tiver tudo isso a nota será uma consequência”, diz Izidoro.

Nesses 15 anos, já passaram pelo projeto cerca de 300 jovens que se transformaram em estofadores, marceneiros, administradores de empresas, advogados, dentre tantas outras profissões.

“Temos exemplos de estofadores que foram trabalhar em grandes empresas, outros empreenderam, outros se tornaram ótimos marceneiros e alguns continuaram estudando e hoje são advogados, administradores. Nosso objetivo vai muito além de ensinar o jovem a ser estofador, queremos que ele aprenda a ser honesto, que seja solidário e encontre caminhos longe das drogas, dos vícios, dos crimes e bons exemplos não faltam por aqui”, conta.

Este ano o projeto teve reconhecimento no Expo Favela, feira de negócios cujos expositores são empreendedores e startups de comunidades. De 44 mil projetos apresentados no evento, o Reforcriativ foi selecionado entre os 300 que receberam premiação.

 

Kátia Camargo é jornalista e conheceu a história de Izidoro buscando exemplos de projetos para jovens que vivem em vulnerabilidade social pelo Brasil. Ao escrever esse texto lembrou de uma música da Legião Urbana chamada Mais Uma Vez que traz a força da palavra acreditar.

 

 

 

Tags: caçadora de boas históriascolunistasEducaçãoformaçãoHora CampinasInclusão SocialjuventudeKatia Camargoprojetosociedadevoluntariado
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Kátia Camargo

Kátia Camargo

Caçadora de Boas Histórias

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