Você já deve ter ouvido, ou até repetido, essa ideia em algum momento: trabalhar com o que ama. Durante muito tempo, essa foi quase uma regra. Mais recentemente, ela ganhou uma versão um pouco mais possível: descobrir o que você ama no seu trabalho. E, olhando com calma, faz sentido.
Quando você começa a prestar atenção no seu dia a dia, algumas coisas ficam mais claras. O que te dá energia, o que te desafia de um jeito positivo, o que você faz com mais facilidade. E, ao mesmo tempo, o que cansa, o que já não faz tanto sentido, o que você evita.
Esse tipo de leitura traz clareza. E clareza, em carreira, costuma organizar muita coisa por dentro.Mas tem um ponto aqui que quase não aparece nessa conversa: você não vai amar tudo no seu trabalho.
E, lendo isso, talvez você até pense: claro, isso é óbvio. Mas, no dia a dia, isso está realmente claro para você?
Porque, quando não está, qualquer desconforto começa a ganhar um peso maior do que deveria. Atividades necessárias passam a parecer desalinhadas, fases normais são interpretadas como sinais de que algo está errado, e o que faz parte da função começa a ser visto como um problema.
Na maioria das funções, existe uma proporção. Em muitos casos, algo próximo de 70/30. Uma parte que te engaja e outra que simplesmente precisa ser feita. Tem atividade que desenvolve, tem atividade que faz a operação acontecer. E as duas convivem no mesmo papel.
O desconforto começa quando essa conta não está clara. Porque aí surge uma sensação difusa e, muitas vezes, uma conclusão rápida de que não está alinhado com o seu “propósito”.
Mas, antes de chegar a essa conclusão, talvez falte uma etapa. Entender, de verdade, o que você gosta e o que você não gosta no seu trabalho hoje. Com mais precisão e menos no automático. O que te energiza de forma consistente? O que te desgasta, e por quê? O que é fase, e o que já virou padrão?
Essa clareza muda o peso das decisões. Mas ela, sozinha, não resolve tudo. Porque, junto com clareza, vem algo que faz tanta diferença quanto: maturidade para lidar com o que não está alinhado.
Essa maturidade traz um tipo diferente de tranquilidade. Você para de esperar um trabalho perfeito e começa a fazer leituras mais honestas sobre o que vale a pena manter agora. E, se fizer sentido, começa a se movimentar com mais intenção para algo diferente.
Sem romantização. Sem decisões precipitadas. E aqui entra um ponto que nem sempre é confortável de encarar: nem tudo que incomoda vem do trabalho. Às vezes, vem da forma como você se posiciona dentro dele. Na expectativa de que tudo precise fazer sentido o tempo todo. Na dificuldade de lidar com o que não é tão interessante, mas ainda é necessário. Ou até na falta de clareza para transformar incômodo em direção.
Talvez não seja sobre amar o trabalho o tempo todo. Mas é necessário ter maturidade suficiente para fazer boas escolhas ao longo do caminho, e buscar o melhor para a sua carreira.
No fim, a pergunta muda um pouco. Não é só se você gosta do seu trabalho, mas se ele faz sentido dentro da trajetória que você quer construir. Ou se você está apenas reagindo ao que apareceu.
Que, neste Dia do Trabalho, o seu trabalho faça mais sentido para você.
Karine Camuci é fundadora da Você Empregado, empresa que tem dois importantes compromissos: preparar os profissionais para conseguirem um novo emprego, atuando desde o reconhecimento de competências individuais até a aprovação em processos seletivos; e auxiliar empresas no tocante à responsabilidade social após desligamentos de funcionários e no suporte em processos de headhunting, visando a contratação de novos colaboradores.











