“Conhecer não é suficiente, precisamos praticar; acreditar não é suficiente, precisamos fazer”
Johann Wolfgang von Goethe
Certamente eu não sou e não deveria ser o melhor autor para escrever e discutir este tema já que sou alguém com um perfil mais para sedentário do que fisicamente ativo. Fui no passado, podem acreditar, bom esportista com grande predileção por praticamente todos os esportes coletivos. Nunca gostei de esportes individuais, achava muito solitário.
Eu brinco com meus amigos e colegas que fui bom jogador de Voleibol 30 Kg atrás (e não apenas 30 anos). Mas… ainda assim, vou tentar discutir um pouco a questão ligada a atividade física e outras orientações ligadas às práticas saudáveis de vida amplamente debatida e preconizada nos dias de hoje.
Em primeiro lugar devemos estratificar do que estamos falando usando populações adultas através do mundo. Impressionante observar esta distribuição aparentemente inesperada ou melhor, indesejada: 20% dos adultos jamais fazem exercícios físicos, 24% se afastam ou se afastaram de esportes e raramente fazem exercícios, 34% são “atletas de oportunidades” fazendo ente 1-3 horas de atividades por semana, 16% são atletas “de recreação” e fazem entre 3-5 horas por semana e finalmente, apenas 6% são atletas/esportistas com alguma performance e com mais de 5 horas semanais de atividades físicas relevantes. Estes dados foram coletados em mais de 1000 pessoas com mais de 14 anos na Alemanha.
Creio que no Brasil, estes dados devam ser assemelhados e, possivelmente, a maior parte de nossa população adulta também deve ter um perfil mais para sedentário do que ativo.
Em relação à alimentação, a sugestão é que façamos a ingestão de 400g/dia de legumes, verduras e frutas, 120g/dia de proteínas animais como peixes, carnes etc., 2.7 g/dia de alho, 100g/dia de chocolates e até 150ml/dia de vinho (que bom!) (1). Dentre os Euro 20 bilhões/ano para os diversos programas de saúde, incluindo um dos mais relevantes de combate ao câncer, cerca de Euro 1,3 bilhão (6.5%) no Single Market Programe, está destinado a segurança alimentar.
Outro dado importante está nos programas de prevenção utilizando as estatinas. Dados internacionais mostram que a expectativa de vida, tanto no homem como na mulher, possam melhorar com a utilização de estatina. Dados europeus mostram que esta melhoria da expectativa de vida é de cerca de 2.68% para os homens (de 76.9 para 79.6 anos) e de 2.04% para as mulheres (de 82.3 para 84.3 anos). O custo para esta prevenção variou muito de Euro 762/ano (R$4600) até Euro 2811/ano (R$16800) dependendo do país, do sexo e da idade do indivíduo.
Como colocado no título deste artigo, e isto tem sido vastamente discutido e confirmado, a atividade física associada a práticas saudáveis de vida desde as idades mais precoces são elementos fundamentais para a longevidade com qualidade.
É claro que a vida é cheia de vicissitudes e que apenas estas variáveis não garantem absoluta saúde para toda a vida. Mas, são elementos fundamentais para que tanto a saúde física como mental tenham um reforço continuo. Fazer algum tipo de atividade desde as mais simples e fisiológicas como caminhar (aliás a minha preferida) até exercícios programados e orientados por profissionais de educação física, fisioterapia, dentre muitos outros pode agregar bem-estar ao nosso dia-a-dia, normalmente bastante duro.
Sabemos a importância deste tema nas prevenções de doenças crônicas não infecciosas tais como as cardiovasculares, as metabólicas, as degenerativas como alguns tipos de tumores malignos. Em grandes Centros Integrados de Câncer através do mundo, muitas ações de prevenção estão ligadas às práticas saudáveis de vida. No planejamento dos Centros italianos, por exemplo, recursos significativos são alocados com estes objetivos.
Minha intensão neste pequeno texto é alertar sobre a importância das práticas saudáveis de vida em nosso cotidiano.
No passado, tivemos o programa “move yourself” (mexa-se). Mais do que nunca isto continua válido e necessário. Campanhas continuas de alerta e motivação são necessárias para que nossa comunidade esteja engajada e praticante.
Cada um do seu modo e dentro de sua disponibilidade pode e deve fazer algum tipo de atividade no tempo e local onde isto for possível. Vale a pena!
(1)- Franco O, BMJ 2004; 329:1147-50.
Carmino Antônio De Souza é professor titular da Unicamp. Foi secretário de saúde do estado de São Paulo na década de 1990 (1993-1994), da cidade de Campinas entre 2013 e 2020 e Secretário-executivo da secretaria extraordinária de ciência, pesquisa e desenvolvimento em saúde do governo do estado de São Paulo em 2022. Atual presidente do Conselho de Curadores da Fundação Butantan.











