Meus cumprimentos à professora Maysa Furlan pela eleição e nomeação como a primeira reitora da Unesp. A professora Maysa é a atual vice-reitora e na nova posição quer mais cotas e plano contra evasão e estudantes, segundo entrevista recente, e terá o desafio de consolidar a administração de uma estrutura multicampi que, muitas vezes, cria assimetrias entre as unidades.
A Unesp está presente em 24 cidades do Estado de São Paulo. Os Institutos de Pesquisa e unidades complementares da universidade têm muito a contribuir, desde que sejam consolidados e atendidas suas necessidades particulares, especialmente as administrativas. Apenas não compartilho da serenidade da nova reitora quanto ao orçamento, uma vez que é política explícita do atual governo estadual o desmonte das estruturas estatais e das políticas públicas, haja vista a redução de recursos para a educação.
Essa ampla e dura redução dos recursos da educação pelo governo paulista não está fundamentada na gestão, como dão a entender os editoriais de jornalões que clamam que o “Governo Tarcísio deve planos para qualificar o ensino”, como se com menos dinheiro seria possível melhorar a qualidade da educação.
Basta ver a forte carga ideológica nas ações do governador e de seu secretário de educação, com explícitos interesses pessoais na pasta, para concluir que se quer o favorecimento da educação privada excludente e acabar com o ensino público inclusivo. Se for adotar modelo de gestão com resultados e valorização dos profissionais envolvidos, use o dos Institutos Federais, que quase sempre são excluídos nesse tipo de avaliação.
Gestão, repito, não é o obstáculo na educação paulista. Assim, do alto da herança de um dos maiores bancos do país fica fácil apresentar propostas que outros executarão, como fez Neca Setúbal em artigo recente na Folha de S. Paulo intitulado “Gestão para a equidade: o que a cidade de São Paulo pode fazer” (21/11). Mas concordo que gestão pública precisa ser descentralizada e ouvir mais do que falar. Porém, os que moram em áreas vulneráveis podem nem se dar conta dos riscos que correm, por total desconhecimento.
Educação – sempre ela – é o fio condutor da gestão do futuro, mas não parece a tônica de muitos prefeitos, a começar pelo da capital reeleito, associado ao governador seu mentor.
Adilson Roberto Gonçalves, pesquisador da Unesp, membro da Academia de Letras de Lorena, da Academia Campineira de Letras e Artes, da Academia Campinense de Letras e do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Campinas.











