A noite da última sexta-feira em Campinas reservou ao jornalismo um palco de luz e aplausos. Não é sempre que isso acontece. Ao contrário, desprestigiá-lo passou a ser nos últimos anos um exercício muito apreciado.
Contestar é uma tarefa essencial da opinião pública, desejável que seja quando há excessos, erros e desvirtuamentos. Mas, desqualificar e descredibilizar um segmento essencial para a sociedade, porque seu noticiário eventualmente contraria as suas crenças, é contribuir para a desinformação generalizada.
Defender o jornalismo, que deve fazer sempre sua necessária autocrítica, não deveria ser papel apenas de jornalistas.
E é isso que a cerimônia de premiação da 24ª edição do Prêmio FEAC de Jornalismo deixou evidente. O evento celebrou trabalhos de reconhecimento público e jogou luz em protagonistas que usaram seus talentos para mostrar projetos de impacto social que têm mudado vidas.
Referência no Brasil por constituir uma rede bem-sucedida de iniciativas socioassistenciais, a FEAC mantém um saudável espaço de valorização da comunicação social por meio de prêmios a trabalhos jornalísticos que merecem ser exaltados. Faz isso há quase três décadas.
O Hora Campinas, na sua modesta mas persistente contribuição à cidadania e ao social, ganhou um dos prêmios da noite, na categoria Fotojornalismo. O trabalho de autoria do repórter multimídia Gustavo Abdel integrou reportagem de fôlego que contou a história de sucesso de uma comunidade reavivada por meio da revitalização de uma praça na região dos Amarais.

Aliás, esse conceito de transformação de territórios será o tema da edição do prêmio em 2025.
Neste sentido, impactar vidas de forma positiva é uma das ferramentas do bom jornalismo. Há, obviamente, muitas críticas – justas – aos canais que dilaceram o tecido social por meio de postagens virulentas e desabonadoras.
Aliás, o dicionário de Oxford, que a cada ano elege uma palavra ou expressão que marcou uma temporada, elegeu em 2024 um termo pouco conhecido, mas incrivelmente atual: “brain rot”, tradução para “podridão mental”.
É um termo derivado do lixo, das trivialidades e da superficialidade do mundo digital, sobretudo as bolhas vazias de bom conteúdo que pululam pelas redes sociais.
Convenhamos, isso não é jornalismo.
Misturar ao jornalismo esse gigantesco ecossistema de likes, cortes e fakes é ignorar a separação vital entre baboseiras e conteúdo saudável. Por isso, o Prêmio FEAC de Jornalismo tem reiterado à sociedade sua valorização a trabalhos que promovam a dignidade.
Em seu marco zero de fundação, em março de 2021, o Hora Campinas externou seu compromisso com a diversidade, o bem-estar social, a tolerância e a agenda social.
Desde então, tem se esforçado a seguir lutando por um jornalismo de propósitos, onde as histórias inspiradoras têm grande destaque.
A FEAC, quando fortalece o jornalismo e apoia iniciativas de comunicação ativa, seja produzida por veículos tradicionais da mídia, seja por iniciativas independentes como o Hora, seja por coletivos sociais, indica que reconhece essa luta diária de profissionais que lançam seu olhar para as periferias, para as comunidades vulneráveis e para os espaços onde o poder público demora a chegar.
Que o Prêmio FEAC de Jornalismo continue sendo um encorajador dos jornalistas que trabalham na região de Campinas e que siga como um farol a iluminar os territórios que aguardam uma comunicação de verdadeiro impacto social.
Marcelo Pereira, jornalista, é editor-chefe do Hora Campinas











