Foram com essas palavras que o capitão do exército americano encerrou sua jornada em busca do soldado Ryan no filme estrelado por Tom Hanks, que leva o nome do próprio soldado: “O resgate do soldado Ryan”, e é com essa frase que dou início a este texto, levando uma provocação filosófica para você minha querida leitora, meu caro leitor.
Quando nos damos conta de que é impossível parar o tempo (o máximo que podemos fazer é tentar gerenciá-lo), percebemos que nele estamos inseridos e ponto final. Uma vez percebido esse fato, seria prudente pararmos para assumir a responsabilidade de se perceber protagonistas de nossa vida, daquela pessoa que mesmo aflita e insegura mediante as escolhas, sem sequer saber o que nos aguarda; não se acovarda e corre atrás dos seus objetivos.
Uns acreditam que há em si, de forma singular uma missão de vida, um propósito, já pré-estabelecida por um viés religioso, metafísico. Outros não têm essa convicção e se percebem como que jogados nesse mundo, livres para se fazer, para construir sua jornada, porém condenados a colher dos frutos das sementes que outrora plantaram (é a proposta existencialista de Sartre na qual sua célebre frase era a de que “somos condenados a ser livres”, sendo assim não há escolha, não escolher já é uma).
Ao nos perguntarmos se o tempo tem o poder de nos curar de alguma mazela física, e prioritariamente emocional que o tempo não foi efetivo em tal ato, podemos nos perguntar, a partir da recomendação do capitão do filme, se a vida que estamos vivendo está valendo a pena. Você já se perguntou isso alguma vez? Será que estamos vivendo como protagonistas ou estamos “levando…”, ou como diria minha saudosa avó dona Angelina: “Empurrando com a barriga”?
Fazer tal pergunta é bem interessante, pois passamos a aceitar que há fatos que não podemos controlar, que há problemas físicos e/ ou emocionais que o tempo não pode curar e que com ele iremos conviver, quer queiramos ou não. Então, como continuar vivendo? Há os que optam por não continuar vivendo, se é que me entende…
Mas partamos do pressuposto que você almeje se ajustar a sua realidade e suas limitações, por onde começar então esse ajuste? O que acha de perceber os fatores que estão lhe desagradando, que em nada estão lhe agregando, como ambiente, como pessoas e trocar isso? O que acha de aos poucos, à medida do possível ajustar seus pensamentos, não mais vivendo excessivamente no futuro de modo a alimentar a ansiedade, nem focando no passado alimentando a depressão, melancolia, tristeza?
O presente é um presente, é o que e o agora, é o momento que temos para parar, respirar e desfrutar desse presente, seja de modo individual, seja com as pessoas que amamos. Fazer isso já será um grande e precioso passo para se ajustar à resposta positiva da pergunta embasada na fala do capitão: estamos fazendo valer a pena a vida à qual estamos inseridos, mesmo que impotentes em alguns aspectos?
A habilidade da resiliência precisa ser desenvolvida e praticada, ela assim tende a ser mais presente em nossa mentalidade e ações em nosso cotidiano, nos fazendo contornar as limitações e contingências que a vida possa colocar em nosso caminho.
Uma vez inseridos no tempo cronológico, que hora temos a sensação de estar parados, estagnados, geralmente em momentos difíceis, de tédio, improdutivos, impotentes, e que hora temos a sensação de que ele “voa”, de tão intenso estamos nele inseridos, precisamos também nos perguntar o que eu podemos fazer para ter a sensação de prazer no momento chamado presente.
Essa teoria é embasada na proposta grega dos filósofos hedonistas (hedonê significa prazer) em que nos estimularam os gregos a aproveitar intensamente o momento, o instante, único, singular, que não tem preço, mas sim valor. Momento presente não associado à prazeres carnais, mas momentos ao lado de pessoas que você ama, momentos na própria companhia satisfeito com a vida que está construindo.
Você se orgulha da vida que tem a seu controle? Está fazendo valer a pena? Se partisse hoje desse plano, como seria lembrado? Fica a provocação.
Thiago Pontes Thiago Pontes é Filósofo, Psicanalista e Neurolinguísta (PNL) – Instagram @institutopontes_oficial











