Hoje resolvi escrever a respeito do sorriso. Irei explorar e provocar, o que de fato seria o ato de sorrir? Uma virtude? Seria uma competência? Uma habilidade? Até mesmo uma necessidade? Pois bem, há o viés clínico no qual uma pessoa o busca por um tratamento dentário, a partir disso, o que será que o motiva? Dores? Vergonha? Desconforto? Enfim, são inúmeras as motivações clínicas, mas e a motivação do sorriso por ele mesmo? Por si só?
Será que o sorriso possui um viés dualista? Dualismo advém de no mínimo duas perspectivas distintas e até contraditórias a respeito de um mesmo conceito. Um refrigerante faz um mal danado, mas num copo com gelo após uma corrida em pleno Verão é difícil resistir não é mesmo? Os exemplos podem ir ao infinito. Assim também é com o sorriso! Ele é no mínimo dual, por ser útil e/ou inútil. “Mas como assim Dr. Thiago Pontes? Não entendi a questão de um sorriso ser útil e inútil?”. Essa pode ser a sua pergunta e lhe respondo dizendo que iremos explorar juntos, caso você se perca pelo caminho, não há problemas, basta me avisar e eu retorno, lhe pego pelas mãos e juntos caminhamos rumo à compreensão do tema proposto.
Vamos explorar primeiro o viés da utilidade do sorriso com base nas emoções: ele pode ser útil quando você deseja alterar o estado emocional de algum ente querido que se encontre triste, depressivo, com baixa autoestima.
A PNL, área da qual sou apaixonado, trabalha muito com esse aspecto de mudança de mentalidade, partindo da fisiologia, tal como propõe aquela música da banda de forró Falamansa: “…Não que a vida esteja assim tão boa, mas um sorriso ajuda a melhorar!”. Partindo disso, podemos alterar nossas emoções e sentimentos à medida que alteramos o foco de nossos pensamentos, imagens, sons, diálogos internos, fisiologia e com esse conjunto de mudanças sutis, podemos então desenvolver uma melhora no estado emocional. Tudo isso, unido e direcionado em um simples sorriso, pode sim gerar outro sorriso sincero, emanando boas vibrações, energias e emoções positivas. O sorriso é contagioso! Quem dera fosse mais contagiosos que vícios e más condutas?
Mas ele também pode ser visto como inútil; e aqui talvez venha o espanto ao ler tal palavra correlacionada com sorriso. Vamos explorar juntos?! A utilidade diz respeito à codependências de estados; algo sempre visa algo. Por exemplo: eu estudo na escola para passar de ano, para assim poder me formar, para poder cursar uma faculdade, para obter o diploma. Agora é a hora de arrumar um emprego, ou abrir meu próprio negócio, para conseguir, clientes, pacientes, para construir ou comprar uma casa, um carro, poder fazer a viajem dos sonhos para… Para… Para…
E no final? Nessa linha lógica de raciocínio aristotélica, o que vem? Então… Não vem nada! Desculpe-me se lhe frustrei, pois o que valeu em cada etapa foram os momentos, às vezes tristes e angustiantes, noutras felizes e alegradores, podendo até terem sido contagiantes com um sorriso sincero e inútil estampado no rosto.
É justamente aqui que queria chegar. Na inutilidade do sorriso, ele é sempre bem-vindo em ambos os casos: tanto para contagiar, como para não servir para nada, pois numa cadeia de utilidades me parece que somos ‘escravos’ dela, sempre pensando no próximo degrau, visando algum benefício, mas quando ele é inútil, ele vale por si só. Imagine você estar na beira da praia, sozinha, contemplando um belo por do sol, praia vazia, dia de semana, lhe fazendo de fato não se sentir incomodada com mais nada, e focado única e exclusivamente naquele momento, inédito, momento este que lhe faz esquecer-se de problemas de ontem e do amanhã, momento este que lhe devolve à paz, o entusiasmo, a alegria que há tempos você buscava e lhe faltavam… Momento este que lhe faz sorrir…
E por que lhe faz sorrir? Para que lhe faz sorrir? Para nada! Talvez quem lhe veja de longe pode lhe intitular de doido, mas e daí? O que importa é seu sorriso, sorrir mais e melhor, sendo ele útil ou inútil. Lembrar sem doer é também resultado de processo de análise pessoal, uma vez que você explora o “porão do seu inconsciente”, ilumina-o e “coloca tudo em ordem” (os traumas). Para maiores informações sobre analise pessoal me siga no Instagram: @dr_thiagopontes_psicanalista
Thiago Pontes Thiago Pontes é Filósofo, Psicanalista e Neurolinguísta (PNL) – Instagram @institutopontes_oficial











