PUBLICIDADE
1 de abril de 2026
O SEU PORTAL DE NOTÍCIAS, ANÁLISE E SERVIÇOS
ANUNCIE
Sem Resultados
Ver todos os resultados
Informação e análise com credibilidade
  • ÚLTIMAS
  • CIDADE E REGIÃO
  • COLUNISTAS
  • ARTE E LAZER
  • OPINIÃO
  • ESPORTES
  • EDUCAÇÃO E CIDADANIA
  • SAÚDE E BEM-ESTAR
  • BRASIL E MUNDO
  • ECONOMIA E NEGÓCIOS
  • TURISMO
  • VEÍCULOS
  • PET
  • FALECIMENTOS
  • NOSSO TIME
  • ÚLTIMAS
  • CIDADE E REGIÃO
  • COLUNISTAS
  • ARTE E LAZER
  • OPINIÃO
  • ESPORTES
  • EDUCAÇÃO E CIDADANIA
  • SAÚDE E BEM-ESTAR
  • BRASIL E MUNDO
  • ECONOMIA E NEGÓCIOS
  • TURISMO
  • VEÍCULOS
  • PET
  • FALECIMENTOS
  • NOSSO TIME
Sem Resultados
Ver todos os resultados
Informação e análise com credibilidade
Sem Resultados
Ver todos os resultados
PUBLICIDADE
Home Opinião

Artigo – Violência contra animais, visibilidade midiática e responsabilização: reflexões a partir do caso Orelha – por Christiany Pegorari Conte, Marcelo Alves dos Santos e Tatiane Maria dos Santos 

Redação Por Redação
9 de março de 2026
em Opinião
Tempo de leitura: 5 mins
A A
Campinas entra na mobilização nacional pela morte brutal do cão Orelha; veja fotos e vídeos

Foto: Leandro Ferreira/Hora Campinas

A morte do cão comunitário Orelha, ocorrida na Praia Brava, em Florianópolis, trouxe para o debate público a violência contra animais domésticos e a forma como esse tipo de episódio circula socialmente. Casos dessa natureza ganham espaço no noticiário e nas redes sociais por reunirem critérios clássicos de relevância jornalística, como violência, proximidade afetiva e conflito moral. Assim, rapidamente deixam de ser acontecimentos restritos ao local onde ocorreram e passam a integrar discussões mais amplas na sociedade.

A maneira como o fato é narrado, seja como episódio isolado ou como parte de um padrão recorrente, influencia diretamente a forma como o público interpreta a gravidade do problema. A repetição e a visibilidade desses casos contribuem para que a violência contra animais ocupe espaço na agenda pública, ampliando o debate social sobre responsabilização, prevenção e limites da tolerância coletiva diante da crueldade.

Do ponto de vista psicológico, a violência contra animais envolve mecanismos de desengajamento moral que permitem ao agressor reduzir ou neutralizar a culpa ao retirar do animal a condição de ser que sente, tratando-o como objeto ou propriedade. Esse processo é reforçado por uma lógica social que hierarquiza vidas e naturaliza a instrumentalização dos animais. Em contextos marcados por relações coercitivas, a agressão pode operar como deslocamento de poder, funcionando como forma de exercício de controle sobre um alvo vulnerável. No ambiente digital, essa dinâmica se intensifica quando a violência passa a ser performada e validada por meio de engajamento, transformando o sofrimento em espetáculo e aprofundando a dessensibilização.

A partir da Teoria do Elo, a violência contra animais articula-se a outras formas de violência no âmbito doméstico e interpessoal, compondo sistemas de poder e controle. Nesse contexto, o animal pode ser instrumentalizado como forma de ameaça e coerção emocional. Crianças expostas a esses ambientes tendem a internalizar a agressão como forma legítima de relação, com impacto no desenvolvimento da empatia. Para o animal, a violência reiterada pode levar a colapsos comportamentais, apatia e ruptura de vínculos com o ambiente e com humanos.

No campo da prevenção, a educação emocional e a formação ética desde a infância são centrais para romper esse ciclo. O desenvolvimento da empatia como habilidade cognitiva e emocional, aliado ao treinamento de habilidades sociais, favorece a substituição de respostas agressivas por comportamentos de cuidado e respeito, inclusive na relação com animais. Em um contexto marcado pela mediação das telas, torna-se necessária também uma alfabetização em ética digital, para que crianças e adolescentes reconheçam a senciência no mundo real e não naturalizem processos de objetificação. O contato direto com animais e práticas de cuidado fortalece vínculos, estimula a compaixão e funciona como freio à banalização da violência, inclusive no ambiente online.

Aspectos Jurídicos relacionados aos Maus-Tratos aos Animais

Do ponto de vista jurídico, a proteção aos animais encontra fundamento no art. 225 da Constituição Federal de 1988, que consagra o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado como direito fundamental. O § 1º, VII, “impõe ao Poder Público o dever de proteger a fauna e vedar práticas que submetam os animais à crueldade”. Trata-se de norma que confere densidade normativa própria à vedação da crueldade.
No plano infraconstitucional, o art. 32 da Lei nº 9.605/1998 tipifica como crime praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos. Referido dispositivo foi alterado pela Lei nº 14.064/2020, que introduziu forma qualificada quando a conduta recai sobre cão ou gato, estabelecendo pena de reclusão de 2 a 5 anos, multa e proibição de guarda.

O tipo penal é doloso, admitindo dolo direto ou eventual, e a comprovação da submissão à crueldade pode decorrer de prova pericial, registros audiovisuais e testemunhos. A proibição de guarda, prevista na forma qualificada, possui natureza de efeito específico da condenação, orientado à prevenção especial.

Embora inserido na legislação ambiental que tem por sujeito passivo toda a coletividade, em virtude da característica difusa do bem ambiental, o bem jurídico tutelado pelo art. 32 da Lei nº 9.605/98 refere-se de forma imediata à integridade física e psíquica do animal, enquanto ser senciente. Ainda que o Código Civil classifique os animais como bens móveis (semoventes), observa-se evolução normativa e doutrinária no sentido de reconhecer interesses próprios juridicamente protegidos, superando gradativamente o paradigma estritamente patrimonialista e antropocêntrico relacionado à fauna.

Apesar do avanço legislativo, persistem desafios estruturais, como a subnotificação, dificuldades periciais e limitações na estrutura investigativa. O endurecimento penal, isoladamente, não assegura efetiva responsabilização se não acompanhado de políticas públicas integradas e mecanismos adequados de investigação.

A diferenciação punitiva entre espécies — especialmente o tratamento qualificado conferido a cães e gatos — revela opção legislativa fundada em sua maior proximidade afetiva com humanos, suscitando debate sobre seletividade normativa. Ainda assim, o movimento representa avanço relevante na consolidação do Direito Animal no Brasil.

Nesse cenário, o Direito Animal avança na medida em que dialoga com outras áreas, especialmente com a prevenção da violência doméstica, conforme apontado pela Teoria do Elo. A responsabilização jurídica, quando articulada a políticas educativas e preventivas, pode funcionar como instrumento não apenas punitivo, mas também transformador.

 

Referências:

Caso Orelha: o que se sabe até agora sobre a morte do cão em SC. Agência Brasil – publicado 28/01/2026. Disponível em: < https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2026-01/caso-orelha-o-que-se-sabe-sobre-ate-agora-sobre-morte-do-cao-em-sc >Acesso em: 13 fev. 2026.

Teoria do Elo (também conhecida como The Link), um conceito fundamental da Criminologia e da Psicologia Forense. Essa teoria estabelece que a violência doméstica, o abuso infantil e os maus-tratos contra animais estão interconectados. O “elo” (ou ligação) sugere que a crueldade contra animais não é um evento isolado, mas sim um indicador de periculosidade ou um sintoma de um ambiente familiar disfuncional. Disponível em < file:///C:/Users/marce/Downloads/admin,+bjd+453%20(1).pdf> Acessado em 20/02/2026.

Animais de estimação: um conceito jurídico em transformação no Brasil. Superior Tribunal de Justiça, 2023. Disponível em: https://www.stj.jus.br/sites/portalp/Paginas/Comunicacao/Noticias/2023/21052023-Animais-de-estimacao-um-conceito-juridico-em-transformacao-no-Brasil.aspx. Acesso em: 25 jun. 2023.

 

 

Christiany Pegorari Conte, professora de Direito Penal e Processual Penal da PUC-Campinas. Doutora em Educação pela PUC-Campinas, Mestre em Direito da sociedade da Informação pela FMU/SP e Advogada Criminalista.

Marcelo Alves dos Santos, professor dos cursos de Administração de Empresas, Direito e de Engenharia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, campus Campinas e doutor em Psicologia pela PUC/SP.

Tatiane Maria dos Santos, é jornalista, pesquisadora e especialista em gestão estratégica em comunicação organizacional e relações públicas pela ECA/USP.

Tags: animaisArtigocaso orelhaDireito AnimalHora Campinasjustiçalegislaçãomaus tratosOpiniãoviolência
CompartilheCompartilheEnviar
Redação

Redação

O Hora Campinas reforça seu compromisso com o jornalismo profissional e de qualidade. Nossa redação produz diariamente informação em que você pode confiar.

Notícias Relacionadas

Agências bancárias voltam a funcionar nesta quinta-feira para atendimento presencial
Opinião

Agências bancárias: o abandono de milhões de brasileiros – por Lourival Rodrigues

Por Redação
1 de abril de 2026

...

STF precisa de um código de conduta
Opinião

Artigo: Por que o STF precisa de um código de conduta – por Júlio César Cardoso

Por Redação
31 de março de 2026

...

Cão Orelha: RMC integra esforço nacional para punir com mais rigor ataques a animais

Artigo: O olhar que transforma proteção em lei – por Gustavo Reis

30 de março de 2026
Artigo: Árvores trocadas por buracos em Barão Geraldo – por Adilson Roberto Gonçalves

Artigo: Árvores trocadas por buracos em Barão Geraldo – por Adilson Roberto Gonçalves

29 de março de 2026
Artigo: A vida após o diagnóstico – por Juliana Pampanini Bertelli

Artigo: A vida após o diagnóstico – por Juliana Pampanini Bertelli

28 de março de 2026
Artigo: Diversidade nos espaços de poder como estratégia de desenvolvimento sustentável – por Tania Cristina Teixeira

Artigo: Diversidade nos espaços de poder como estratégia de desenvolvimento sustentável – por Tania Cristina Teixeira

27 de março de 2026
Carregar Mais
  • Avatar photo
    Alexandre Campanhola
    Hora da Saudade
  • Avatar photo
    Carmino de Souza
    Letra de Médico
  • Avatar photo
    Cecília Lima
    Comunicar para liderar
  • Avatar photo
    Daniela Nucci
    Moda, Beleza e Bem-Estar
  • Avatar photo
    Gustavo Gumiero
    Ah, sociedade!
  • Avatar photo
    José Pedro Martins
    Hora da Sustentabilidade
  • Avatar photo
    Karine Camuci
    Você Empregado
  • Avatar photo
    Kátia Camargo
    Caçadora de Boas Histórias
  • Avatar photo
    Luis Norberto Pascoal
    Os incomodados que mudem o mundo
  • Avatar photo
    Luis Felipe Valle
    Versões e subversões
  • Avatar photo
    Renato Savy
    Direito Imobiliário e Condominial
  • Avatar photo
    Retrato das Juventudes
    Sonhos e desafios de uma geração
  • Avatar photo
    Thiago Pontes
    Ponto de Vista

Mais lidas

  • Retirada de bancas no Centro mobiliza categoria e gera reação da Câmara de Campinas

    Retirada de bancas no Centro mobiliza categoria e gera reação da Câmara de Campinas

    0 Compartilhamentos
    Compartilhe 0 Tweet 0
  • Assassino de menina de 10 anos em Campinas é condenado a 60 anos de prisão

    0 Compartilhamentos
    Compartilhe 0 Tweet 0
  • Festa do Boi Falô celebra tradição e memória na Sexta-Feira Santa em Campinas

    0 Compartilhamentos
    Compartilhe 0 Tweet 0
  • Prefeitura promete apresentar plano para impasse das bancas no Centro até 13 de abril

    0 Compartilhamentos
    Compartilhe 0 Tweet 0
  • Cerimônia da Lavagem das Escadarias da Catedral acontece no Sábado de Aleluia

    0 Compartilhamentos
    Compartilhe 0 Tweet 0
Hora Campinas

Somos uma startup de jornalismo digital pautada pela credibilidade e independência. Uma iniciativa inovadora para oferecer conteúdo plural, analítico e de qualidade.

Anuncie e apoie o Hora Campinas

VEJA COMO

Editor-chefe

Marcelo Pereira
marcelo@horacampinas.com.br

Editores de Conteúdo

Laine Turati
laine@horacampinas.com.br

Maria José Basso
jobasso@horacampinas.com.br

Silvio Marcos Begatti
silvio@horacampinas.com.br

Reportagem multimídia

Gustavo Abdel
abdel@horacampinas.com.br

Leandro Ferreira
fotografia@horacampinas.com.br

Caio Amaral
caio@horacampinas.com.br

Marketing

Pedro Basso
atendimento@horacampinas.com.br

Para falar conosco

Canal Direto

atendimento@horacampinas.com.br

Redação

redacao@horacampinas.com.br

Departamento Comercial

atendimento@horacampinas.com.br

Noticiário nacional e internacional fornecido por Agência SP, Agência Brasil, Agência Senado, Agência Câmara, Agência Einstein, Travel for Life BR, Fotos Públicas, Agência Lusa News e Agência ONU News.

Hora Campinas © 2021 - Todos os Direitos Reservados - Desenvolvido por Farnesi Digital - Marketing Digital Campinas.

Welcome Back!

Login to your account below

Forgotten Password?

Retrieve your password

Please enter your username or email address to reset your password.

Log In

Add New Playlist

Sem Resultados
Ver todos os resultados
  • ÚLTIMAS
  • CIDADE E REGIÃO
  • COLUNISTAS
  • ARTE E LAZER
  • OPINIÃO
  • ESPORTES
  • EDUCAÇÃO E CIDADANIA
  • SAÚDE E BEM-ESTAR
  • BRASIL E MUNDO
  • ECONOMIA E NEGÓCIOS
  • TURISMO
  • VEÍCULOS
  • PET
  • FALECIMENTOS
  • NOSSO TIME

Hora Campinas © 2021 - Todos os Direitos Reservados - Desenvolvido por Farnesi Digital - Marketing Digital Campinas.