Às vezes, precisamos ir além de nós mesmos, acreditar no impossível e, sem medir riscos, virar um Dom Quixote. As utopias são nosso alimento espiritual.
Sonhos se tornam realidade quando colocamos trem de aterrissagem em nossas utopias. Sonhar é uma viagem pelo imaginário, que só se realiza com os pés no chão.
Sonhar com todas as crianças na escola, aprendendo com qualidade, dignidade e sentido, deveria ser uma utopia permanente da nossa sociedade. É uma demanda do nosso tempo, que não aceita retrocessos. Por que, então, não dar asas à nossa imaginação? Por que não fazer essa grande utopia alçar voo com os motores da nossa determinação?
A solução é não sonhar só, é sonhar em conjunto. É mais que sonhar: é criar um imaginário coletivo que sonhe o mesmo sonho, voe bem alto e que, na hora certa, saiba aterrissar. Sem bons pilotos e sem trem de pouso, a utopia se transforma em pó, vira sonho só. O que precisamos são pilotos para essa jornada, mas é preciso reconhecer que colocar todas as crianças na escola já não é suficiente. É necessário garantir aprendizagem significativa, inclusão verdadeira e formação para a cidadania. Estar matriculado na escola não é o mesmo que aprender.
Vamos juntos comandar esse sonho e aterrissar no quintal de cada casa, de cada escola, de cada empresa, de cada comunidade, dando chances iguais a todas as crianças de se transformarem em adultos saudáveis.
O filósofo e educador Rubem Alves, que viveu grande parte de sua vida em Campinas, sempre defendeu uma educação capaz de despertar o encantamento pelo conhecimento. Na mesma linha, o educador Paulo Freire, em Pedagogia da Autonomia, lembra que “ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção”. Essas reflexões nos ajudam a compreender que educação não é depósito de informações, mas despertar de curiosidades. Não é acúmulo de conteúdos, mas construção de sentido.
Em tempos de mudanças tecnológicas aceleradas, educar é também preparar para o inesperado, vejo com bons olhos a retirada do uso do celular na escola. É preciso ensinar a pensar, dialogar e conviver com as diferenças. A escola precisa ser espaço de conhecimento, mas também de ética e esperança.
Hoje, falar em educação plena significa falar em inclusão social, valorização dos professores, participação das famílias e políticas públicas consistentes. Significa compreender que a escola é o coração da democracia.
Precisamos de muitos parceiros. Comece já o seu curso de piloto de utopias, comece já a ser um realizador, comece a alimentar o seu espírito.
A verdadeira utopia não é fuga da realidade; é direção com responsabilidade. É aquilo que nos faz caminhar, mesmo diante das dificuldades.
Se quisermos um País mais justo e humano, não há caminho mais seguro do que a educação.
Luis Norberto Pascoal é empresário e presidente da Fundação Educar











