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Home Colunistas

A busca pela autossuficiência nacional em hemoderivados

Carmino de Souza Por Carmino de Souza
23 de julho de 2021
em Colunistas
Tempo de leitura: 4 mins
A A
A busca pela autossuficiência nacional em hemoderivados

O uso de produtos hemoderivados obtidos a partir de processamento industrial é de absoluta importância na prática médica moderna. Inúmeros produtos fundamentais para tratamentos especializados podem ser obtidos a partir do plasma humano ou através de técnicas de recombinação de DNA. As proteínas plasmáticas de maior valor terapêutico são: a albumina, os fatores de coagulação (fatores VIII, IX, complexo protrombínico ativado ou não), as imunoglobulinas específicas e não específicas, a cola de fibrina, dentre outras. Estes produtos são fundamentais para a manutenção da vida com qualidade em pacientes portadores de hemofilias (A, B, C), da doença de von Willebrand, de grandes queimaduras, de politraumatismos, de transplantes (particularmente o hepático), nos pós-operatórios de pacientes graves e instáveis e no tratamento das inúmeras imunodeficiências, congênitas ou adquiridas. Apesar da patente importância acima referida, os hemoderivados não são praticamente produzidos no País (talvez pequenas quantidades de albumina humana) com necessidade de grandes e custosas importações que chegam à casa de U$ 500 milhões por ano, aproximadamente.

Desde a década de 1980, iniciativas isoladas em Pernambuco, São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília foram idealizadas e até realizadas, mas sempre em escala que poderíamos chamar, quase doméstica e voltadas à produção, principalmente de albumina humana.

Infelizmente, estas iniciativas foram todas descontinuadas e o Brasil continua sendo um grande importador destes produtos. Após este período, duas iniciativas importantes e que permanecem até hoje foram tomadas pelo governo federal com a criação da Hemobrás, empresa pública vinculada ao Ministério da Saúde e cuja construção está sendo feita na cidade de Goiana-Pernambuco e, no Estado de São Paulo com a planta de fracionamento de plasma do Instituto Butantã, na cidade de São Paulo.

Os projetos são, a meu ver, complementares pois utilizam técnicas de fracionamento de plasma diferentes.

Mas ambas as fábricas dependerão de plasma humano como matéria-prima fundamental ao seu funcionamento. Estima-se que para que ambas as fábricas atuem em suas plenitudes, serão necessários cerca de 700 mil litros de plasma excedente, 500 mil para a Hemobrás e 200 mil para o Butantan. Hoje o excedente de plasma nacional é da ordem de apenas 150 mil litros/ano o que exigirá enorme esforço e compromisso dos poderes públicos, Hemocentros e sociedade para incrementarmos a coleta de sangue e plasma em todo o País e atingirmos a produção na escala planejada.

Atualmente no Brasil, todo o plasma destinado para a indústria de fracionamento advém de sangue coletado nos hemocentros, entidades públicas criadas em todo o País para atender as necessidades transfusionais. Como todos sabem, a doação de sangue no Brasil é gratuita e altruísta e assim deve se manter. Esta foi uma grande conquista de nossa sociedade tendo em vista o desastre sanitário derivado da doação paga em tempos não tão remotos assim. Esta não é a realidade em todo o mundo e grandes países produtores permitem esta prática de pagamento aos doadores de sangue para fins terapêuticos ou industriais.

Nas últimas duas décadas, as técnicas de produção de proteínas recombinantes ganharam grande espaço principalmente na produção dos fatores anti-hemofílicos. São produtos seguros e cuja produção não depende da doação de sangue ou plasma por seres humanos. O Brasil passou a importar estes produtos em larga escala e hoje são utilizados no tratamento de grande número de pacientes portadores de hemofilias do País.

Entretanto, esta técnica não permite a produção de todo o conjunto de proteínas necessárias à prática médica. Mesmo dentre os pacientes com hemofilia A, um percentual significativo de pacientes deve ser tratado com produtos derivados do plasma humano. Assim, ambas as técnicas de produção são possíveis, complementares e desejáveis para atender o maior espectro de doentes e doenças que necessitem destes produtos.

Durante muitos anos fui muito crítico e cético em relação a nossa capacidade de levar adiante o projeto de construir e operacionalizar a produção de hemoderivados no País. Foram inúmeras as dificuldades e os descaminhos observados levando ao pessimismo e ao desânimo quanto ao seu desfecho. Em muitas ocasiões fizemos inúmeras sugestões aos gestores do projeto nacional no sentido de recolocá-lo “nos trilhos”. Sempre mantive a convicção acerca da necessidade de buscarmos a autossuficiência destes produtos e trabalhei sempre para isto desde a implantação da Hemorrede do Estado de São Paulo na década de 80.

Neste último mês de julho tivemos a oportunidade de fazer uma visita técnica à fábrica da Hemobrás em Pernambuco e pudemos constatar, pela primeira vez em anos, o progresso consistente das obras da planta de hemoderivados do plasma bem como o início da planta para produção de hemoderivados recombinantes em uma parceria público-privada (PPP) da Hemobrás com uma empresa multinacional.

É claro que ficamos animados, mas também sabemos do enorme desafio que será fazer com que tudo ocorra dentro do prazo estipulado. Além disto, precisamos que o Ministério da Saúde, secretarias estaduais e municipais de Saúde deem ao programa do sangue a prioridade necessária para que possamos incrementar e muito a coleta de sangue gerando excedentes que possibilitem a sua plena operação. Será uma nova etapa também hercúlea, mas que podemos alcançar. Os pacientes estão certamente muito interessados pois com isto terão produtos em quantidade e qualidade necessária. De minha parte, tentarei ajudar no que for possível pois este é certamente um projeto estratégico à saúde pública do Brasil.

 

Carmino Antonio de Souza é professor titular da Unicamp. Foi secretário de saúde do estado de São Paulo na década de 1990 (1993-1994) e da cidade de Campinas entre 2013 e 2020

Tags: HemobráshemocentrohemoderivadosHemofilia AHemorredeplasma humanosanguesaúdeUnicamp
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