A escuta a um idoso, por si só, já é sinônimo de gratidão. Ouvir histórias temperadas pela vida, quase sempre sofrida, é um exercício de pertencimento familiar e comunitário. Campinas guarda verdadeiros tesouros nesta faixa populacional. Chegar ao topo da pirâmide etária é uma combinação de bons hábitos, padrões de vida e fatores biológicos. Não é uma equação exata.
Há, porém, uma certeza já evidenciada pela ciência. Com a longevidade cada vez maior, encontrar idosos ativos, lúcidos e cheios de projetos é mais fácil hoje que em décadas passadas.
Foi o que o Hora Campinas constatou ao visitar o aposentado Manoel Lamas de Carvalho, 95 anos, morador do Parque Industrial, em Campinas. Ele se orgulha por ter criado, ao lado da mulher, uma família numerosa. Em uma parede de sua casa, exibe os diplomas de filhos e netos que se formaram em universidades públicas do Brasil.
O Hora Campinas vem acompanhando de perto em uma série especial esse fenômeno do envelhecimento saudável. Mais do que estatísticas, são histórias de vida que chamam atenção pela lucidez, autonomia e hábitos simples.
Além dos centenários, já descritos em várias reportagens, o Hora abre espaço nesta edição para o depoimento de um nonagenário. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base no censo de 2022, indicam que Campinas tinha contabilizados, à época, um total de 5.291 idosos.
Desde total, 1.172 estavam na faixa de 95 a 99 anos (269 homens e 903 mulheres) e outros. 4.119 idosos estavam na faixa dos 90 aos 94 anos (1.240 homens e 2.879 mulheres).
📷🎥 Leandro Ferreira/Hora Campinas

Pesquisa
Histórias longevas têm despertado também o interesse da comunidade científica. Pesquisadores do Centro de Estudos do Genoma Humano e Células-Tronco, ligado à Universidade de São Paulo, estão recrutando pessoas com mais de 100 anos para um estudo sobre longevidade humana.
A pesquisa envolve entrevistas detalhadas sobre histórico de vida e saúde, além da coleta de material genético. Os primeiros resultados indicam tendências já percebidas no levantamento do IBGE, como a maior longevidade feminina e possíveis relações com fatores biológicos — embora os cientistas ressaltem que as conclusões ainda são preliminares.

O Sr Manoel
Na conversa com o Hora Campinas, Manoel Lamas diz que “é muito difícil” explicar tudo que viveu. “É uma riqueza que não cabe em lugar nenhum”, define, enquanto mostra os cantos e recantos da casa, repleta de fotos e recordações da família.
“Eu vim do cabo da enxada, fui borracheiro, quanto tombo tive na vida profissional. Eu e minha esposa Maria Tatagiba Lamas, caindo e levantando, sempre colocando a Igreja do Senhor à frente. Com os trabalhos na periferia só fui crescendo”, relata.
“O Senhor me ajudou com a cultura de meus cinco filhos e oito netos todos graduados, professores, doutores, universitários”, orgulha-se, destacando a importância da Educação na formação de toda a família.

O aposentado, com a sensação de dever cumprido e voz serena, diz estar pronto, quando, obviamente, chegar a sua hora. “Estou aí, alegre, me sentido profundamente recompensado. Estou nas mãos do Senhor. Estou pronto, Senhor”, reforça.
Foi difícil, mas não foi impossível. Conquistei”, conclui, antes de seguir para o primeiro compromisso do dia, a visita ao dentista.

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