“Vamos fechando os nossos olhos e olhando para dentro de nós. Comece com a respiração, observando o ar que entra e sai. Perceba a sua presença. Como você está nesse momento? Como está o seu corpo? Observe se tem alguma região desconfortável, tensa e sinta as partes presas em você receberem vida por meio da respiração”. É com essas palavras, de forma calma e pausada, que a terapeuta ocupacional do SUS, professora de yoga e especialista em yogaterapia Adriana Sousa Carreira abre os encontros da prática de yoga todas as quintas-feiras (sem chuva), na praça das Pedras, no Jardim Baronesa em Campinas.
No dia a dia Adriana trabalha como terapeuta ocupacional nos Postos de Saúde do Paranapanema e Orosimbo Maia.
Qualquer pessoa pode chegar e participar da yoga na praça, que é oferecida gratuitamente. Basta levar um tapete para se sentar na grama. A costureira Maria Canossa, 67 anos, é uma das alunas que se beneficiam desses encontros restauradores. “Gosto muito de fazer yoga na praça pois estamos no meio da natureza. Sinto o vento, observo as plantas, o sol, o canto dos pássaros, a beleza do céu e tem o ser humano transitando para lá e para cá. Me sinto muito bem, e é uma oportunidade para conviver com outras pessoas das mais diversas faixas etárias. Além disso, tem algo que acho muito precioso nesses encontros semanais: a oportunidade de estar cuidando de mim naquele momento”, conta.
Com a pandemia de Covid-19, as aulas foram, num primeiro momento, interrompidas, e retornaram com distanciamento e uso de máscara na primavera de 2021. “Nesse recomeço introduzi a aplicação de um questionário individual para avaliar a presença de sintomas físicos e psíquicos, bem como critérios de qualidade de vida. A proposta é que esse questionário seja reaplicado após seis meses para autovaliação do aluno e avaliação qualitativa dos benefícios desta prática”, destaca Adriana.
Formada em terapia ocupacional (TO) na PUC-Campinas há 32 anos, Adriana sempre trabalhou na área de saúde mental e psiquiatria, ela também fez especializações em abordagens psicocorporais e estudos em psicossomática. “Coroei minha vida profissional com o curso de formação de professores de yoga em 2017 e depois me especializei em yogaterapia, levar e tornar acessível para todos a yoga tem sido muito gratificante”, conta.
Adriana atua no SUS há quase 30 anos e trouxe o yoga para o trabalho no SUS durante o curso de formação. “As aulas foram incorporadas como uma prática integrativa de saúde oferecida pelo Centro de Saúde”, diz. Ela conta que no começo tinha duas turmas de alunos, e utilizava um espaço na comunidade chamado Casa da Esperança. “Devido à grande procura e limitação do espaço propus que fizéssemos as aulas na praça para abranger um maior número de alunos, que frequentavam ou não o Centro de Saúde”, diz.
Adriana explica que o termo Yoga vem da palavra Yug que em sânscrito significa ‘união’.
“União da consciência individual com a consciência cósmica, integração e harmonia entre pensamento, palavra e ação, consciência e interrelação entre os níveis físico, emocional, mental e espiritual”, diz. Mas ela ainda vai além, dizendo que podemos também compreender o sentido de união como: “agir de maneira em que toda a nossa atenção esteja sendo dirigida para a atividade que estamos desenvolvendo no momento, de forma que estejamos presentes no momento presente”.
Para os interessados, Adriana ainda destaca os benefícios: “Praticar yoga auxilia o aluno no seu cotidiano, para além do tapetinho de yoga. O aluno passa a se conhecer melhor, amplia o olhar sobre si e a maneira de lidar com a vida; favorece o autocuidado e qualidade de saúde geral nos sistemas cardiorrespiratório, musculoesquelético, sistema digestório e excretório, sistema imunológico, sistema endócrino e circulatório. Além disso, fortalece a saúde mental, reduz níveis de estresse e de ansiedade, reduz sintomas depressão, higieniza e revigora a mente”. Vale a pena experimentar!
Kátia Camargo é jornalista e mora perto do local onde ocorrem as aulas de yoga. Pretende se juntar ao grupo de yoga na praça. Traz para o texto uma música que traz parte da fala da Maria Canossa sobre observar os detalhes da natureza: Passarinhos, de Emicida e Vanessa da Mata:














