Ao pensar em caridade a primeira interpretação que eu tinha de tal conceito limitava-se ao ato que envolvia doação fosse, de dinheiro, fosse de alimentos e roupas. Interessante como eu consegui expandir o entendimento de tal palavra que hoje considero uma virtude. Tal como professor de filosofia que sou, me amparo num dos maiores pensadores da história: Aristóteles, e dentre suas várias teorias há a das virtudes, sejam elas morais ou intelectuais, que basicamente podemos entender como virtudes desenvolvidas e pensadas, mas que necessitam de prática constante até virar um hábito.
Ser uma pessoa caridosa em meu pensamento está em estar presente ao próximo, doando o que se tem, inclusive a própria atenção; posso dizer que é isso que tenho feito ultimamente com alunos dentro e principalmente fora da sala de aula, onde me procuraram para desabafar, para serem ouvidos, para um ombro amigo, um minuto de atenção. Além de alunos, estou doando essa virtude de ouvir sem julgar para pessoas que não tenho intimidade alguma, seja lá onde for.
Ao fazer isso, doar atenção, doar palavras, doar tempo percebo o quão carente está nossa geração e o quão bem isso faz as pessoas envolvidas. Uma nova interpretação de caridade que vai muito além da dita nas primeiras linhas dessa nossa reflexão. Independente de religião, li recentemente sobre a definição de caridade para o saudoso Chico Xavier, segundo ele: “A caridade é amor. A prática do bem ao semelhante é uma excelente escola para a alma”. A melhor das escolas: a da vida.
E você querido leitor, caríssima leitora, como interpreta caridade? Ela é uma virtude de sua parte? É um hábito praticado por você? Penso que caridade está intimamente associada a não esperar nada em troca. Ela é doação, ela é extensão de si para com o seu semelhante, para com seu próximo. Esperar alguma recompensa ou reconhecimento não faz essência na definição de um gesto caridoso. Esperar algo em troca inclusive pode nos trazer grandes frustrações e não precisamos de mais estresses em nosso cotidiano além dos que já temos constantemente, concorda?
Pois bem, ando tendo enorme satisfação em me doar enquanto ser humano, doar minhas qualidades de alguém que cultiva um raciocínio lógico advindo da filosofia, doar a capacidade de trocar o julgamento pela curiosidade em tentar saber o que se passa na vida da outra pessoa para ela estar agindo daquela maneira, doar minha capacidade de interpretar a linguagem não verbal/ corporal quando está faltando o sorriso sincero, doar a virtude de saber fazer boas perguntas tal com fazia o famoso filósofo Sócrates com seu método da Maiêutica.
Hoje me sinto realizado pelo que tenho feito, pela caridade por mim praticada.
Há um ponto importante aqui: eu em minha ignorância de vida acreditava que para poder ajudar meu próximo eu precisaria estar bem, seja financeiramente, seja com as emoções e também a saúde física, mas se esperarmos tudo isso estar alinhado, pode esquecer… (Digo isso em tom de ironia mesmo!). Essa ideia, ou desculpa, que criamos para não ajudar o próximo é muito fácil de ser encontrada nas pessoas, pelo menos é isso que ouço por aí, e era nela que eu me amparava para pensar única e exclusivamente em mim.
Convido você a perceber quais suas virtudes, qualidades, habilidades e a partir delas cogitar modos de praticar a caridade. Um grande abraço!
Thiago Pontes é filósofo e neurolinguista (PNL)











