No início dessa semana estava com minha rinite atacada, algo que me acompanha desde criança, basta uma mudança de temperatura radical, tal como aconteceu com o início do Outono, que ela se faz presente. Pois bem, professor que sou, chegando à escola e me deparo com uma querida professora, velha de casa, que me aborda e me pergunta: “O que você tem Thiago?”. Algum tempo depois, já em aula, uma aluna chega de canto, me aborda e me pergunta: “O que há com o senhor, professor?”. Eu expliquei pra ambas sobre a rinite atacada, mas fiz questão de questioná-las sobre o que as levou a perceberem que havia algo de diferente comigo e elas responderam quase que com as mesmas palavras e argumentos: “Você nem precisou falar sobre sua rinite, sobre sua saúde, seu olhar pesado já revelou que você não estava 100% como de costume, alegre, espontâneo, animado. Você estava como que cansado!”.
Partindo desse relato real que vivenciei é que lhe convido a refletir sobre o poder e o impacto de comunicação que nosso corpo tem. Vamos juntos nessa reflexão? Conto com você!
Pois bem, segundo pesquisas científicas, nossa comunicação verbal, por intermédio de palavras, se dá apenas em 7% do total, diferentemente da nossa comunicação não verbal, que gira em torno de 93%.
Aqui nesse exato minuto adentramos no território da Programação Neurolinguística (PNL), área na qual dou formações, e basicamente podemos usar de tal técnica para nos amparar em aprendermos a nos comunicar por um viés não verbal e também a compreender aquilo que não é dito!
Há inúmeras técnicas profissionais para que isso se dê de maneira prática, inclusive muitas são usadas na área judicial para ajudar na interpretação de réus e seus argumentos de defesa. Mas ambas as experiências que tive na escola, tanto com a professora, bem como com a aluna, faz-se notar que não é preciso necessariamente um estudo aprofundado para perceber que há algo de errado com pessoas de nosso convívio social.
Algo que me soa necessário é apenas a característica de uma relação afetuosa dentre os envolvidos, no meu caso a professora já velha de casa sempre me pediu ajuda para questões tecnológicas, e a aluna é daquelas que senta na primeira carteira e desabafa comigo assuntos “delicados e pesados de sua vida particular” me vendo quase que como um psicólogo. Repito: para que haja uma percepção de que há algo de diferente com alguém é necessário um mínimo de intimidade, e tal percepção vem muito antes de a pessoa em questão abrir a boca.
Você já passou por isso: de ser abordado (a) por alguém que perceba que há algo de anormal em você exclusivamente pelo seu comportamento, por sua postura, por seu olhar, sorriso (ou a falta dele)? Aqui o que me deixa surpreendido no viés positivo é que tal feedback advém muitas das vezes de pessoas que nem imaginamos.
E o outro lado da moeda: você já foi àquela pessoa que conseguiu perceber que seu interlocutor não estava bem? Qual foi sua reação para com tal pessoa? Como gostaria de ser abordado se notassem sua vulnerabilidade ali naquele momento? Eu fui abordado por ambas em particular, sem exposição e isso me deixou muito feliz. Você saberia como abordar alguém sem fazer o menor escândalo, sem expor tal pessoa, sem gritar e constranger o indivíduo em questão?
O corpo fala, arrisco dizer que só aquelas pessoas que muito lhe querem bem, que muito lhe respeitam, lhe admiram, tem um carinho por você é que conseguem perceber a diferença, a falta de equilíbrio, seja ele de viés físico ou emocional.
E em sua rotina qual sua relação com tais percepções; se sente acolhido ao perceberem que você necessita de um ombro amigo? Se sente capaz de perceber quem precisa de um ombro amigo e de ofertar o seu? Pense nisso. Um grande braço.
Thiago Pontes é filósofo e neurolinguista (PNL)











