Essa coluna se reserva ao medo do desconhecido, medo esse citado pela escritora Clarice Lispector: “Tenho um pouco de medo, medo de me entregar, pois o próximo instante é o desconhecido”. Ele traz consigo um receio de arriscar, preferindo quase sempre a certeza da zona de conforto, da realidade que já se conhece bem, mesmo que não seja a melhor e a mais prazerosa. Você tem dificuldades em promover mudanças na sua vida enfrentando o incerto? Vamos refletir juntos, peço que não me deixe sozinho nessa viagem.
Tal medo tem grande impacto em quem o sente podendo gerar sentimento de ansiedade e angústia. Sartre, filósofo francês, disse a seguinte frase: “A gênese da angústia são as possibilidades”, se eu pudesse parafraseá-lo eu diria: “A origem da angústia é o desconhecido”. O medo do incerto, do novo, da mudança, do futuro suscita em nós desenvolvermos por vezes a capacidade de planejamento, para que você não seja pego de surpresa por completo. Certifique-se dos prós e contras, tenha pró-atividade para conhecer o máximo que lhe for possível do novo contexto que fará parte da sua vida.
Como você reagiria ao saber que terá um bebê? Sua interpretação pode depender de inúmeras variáveis: se terão condições financeiras e matérias para dele cuidar, se o casal (pai e mãe) se ama de verdade, se apenas estão apaixonados, já estão casados ou topam casar, se o pai não quer assumir… Um bebê requer grandes transformações na vida do casal; é o novo, a mudança de hábitos e rotina, mudança inclusive no corpo, na jornada de trabalho, no vocabulário…
Outro ponto importantíssimo nessa classe de medos são os vários “e se” que pronunciamos; geralmente associado a perspectivas pessimistas de futuro: e se der errado, e se eu arriscar e for zombado, e se eu for demitido, e se eu for rejeitado, humilhado? E se eu fracassar, e se eu realmente estiver doente, e se eu perder tudo e não conseguir recomeçar?
E se, e se… Já pensou no contrário: e se der certo? Sair da zona de conforto e se arriscar é tarefa delicada, o próprio termo sugere um espaço confortável, de relaxamento e descanso, seja ele físico ou mental, mas especula-se muito e eu tendo a concordar que o que nos faz realmente crescer como ser humano é o desafio, é enfrentar obstáculos, é atravessar a ‘porta do medo’ e desfrutar das recompensas que há do outro lado, sejam elas materiais ou emocionais, nem que com ele tenhamos que caminhar nessa viagem da vida!
Depois de refletirmos juntos sobre essa classe de medos: do desconhecido, do novo, da mudança, do incerto, do futuro, quais os aprendizados que você conseguiu levantar? Como é capaz de enxergar e conviver com algum desses medos? Ele é passageiro nessa sua viajem da vida? Reflita sem pressa, um grande abraço
Thiago Pontes é filósofo e neurolinguista (PNL)











