Vivemos estrepolias de governantes mundo afora, que brincam de taxar produtos ou disparar mísseis como crianças no parquinho criando regras para seus brinquedos. A esperança é sempre de uma solução política para tais devaneios, mas a economia se faz presente e por vezes destrói os esforços de pacificação. Entendemos que uma sociedade melhor passa por uma educação melhor, em que projetos de ensino integral são os mais viáveis para, ao menos, dar condições adequadas de entendimento do mundo às gerações que estão sendo formadas. Que vivamos com educação, ao menos.
Nesse sentido, a matéria de Alexandre Benoit na revista piauí de maio deste ano (A escola integral) mostrou o que aquele 0,7% (460 mil votos) de diferença entre Brizola e Lula no primeiro turno da eleição de 1989 poderia ter significado para o sistema educacional do país. Sim, sou lulista desde sempre, o segundo turno seria vencido pela direita qualquer que fosse o candidato da esquerda, mas o empenho de Brizola pela educação era claro e evidente.
No texto, o autor discorre sobre a proposta brizolista dos Cieps, de educação integral, íntegra e integrada às comunidades onde as escolas foram instaladas, bastante fugidia nos dias correntes. Houve uma conversa de Collor com Brizola que indicava uma remota possibilidade de o governo federal adotar o modelo, mas a reforma da Casa da Dinda tornou-se prioridade.
As escolas técnicas federais de hoje, modelo iniciado no governo petista, se aproximam daquela proposta, ainda que os prédios não estejam integrados fisicamente às comunidades. A educação continuará sendo o gargalo para a necessária boa formação social da população, que, assim, não sairia pelas ruas pedindo anistia a criminosos.
Recentemente foi feito um estudo sobre os fatores que levam à melhoria da educação e um deles é que ter professor que atua em apenas uma escola favorece o desempenho dos alunos. A conclusão do estudo evidencia o quão adequado é o sistema federal de educação técnica, em que os cargos são de dedicação exclusiva, a remuneração é compatível com a importância social de um professor e os alunos têm educação integral. Por outro lado, a rede estadual de São Paulo insiste na precarização dos profissionais e das condições institucionais.
Voltando às disputas políticas, os institutos federais se expandem e as escolas estaduais se deterioram, revelando o quão importante para o país são os mentores de tais projetos, Lula, de um lado, e Tarcísio de Freitas, de outro.
Adilson Roberto Gonçalves, pesquisador da Unesp, membro da Academia de Letras de Lorena, da Academia Campineira de Letras e Artes, da Academia Campinense de Letras e do Instituto