Meu nome é Leandro Ferreira, tenho 54 anos e dediquei 21 anos da minha vida ao fotojornalismo no jornal Correio Popular. Durante todo esse tempo, vesti a camisa da empresa, trabalhei com compromisso, responsabilidade e a convicção de que fazia parte de algo importante. Dei o melhor de mim em cada pauta, em cada fotografia e em cada cobertura.
Mas, em janeiro de 2021, tudo terminou de forma brutal. Toda a redação foi demitida de uma só vez, sem qualquer aviso prévio, sem respeito, sem dignidade. Fomos dispensados de maneira sumária, sem receber os direitos que nos eram devidos. Foi como arrancar um mato da calçada: rápido, frio e sem qualquer consideração pelas pessoas que dedicaram anos de suas vidas à empresa.
Durante os anos, a empresa havia deixado de cumprir obrigações trabalhistas para com os funcionários. As consequências dessa gestão recaíram sobre quem menos tinha responsabilidade pela situação: os trabalhadores.
O impacto dessa demissão foi devastador para mim.
Não perdi apenas um emprego. Perdi uma parte da minha identidade, da minha rotina e da minha história. Minha saúde mental foi profundamente afetada. Passei por um período muito difícil, marcado por ansiedade, tristeza e um sentimento constante de abandono. Precisei de dois anos de acompanhamento psicológico para conseguir reorganizar minha vida e recuperar o equilíbrio emocional.
Até hoje, quando relembro aqueles acontecimentos, sinto a dor daquele momento. O que mais machuca não é apenas a perda do trabalho que tanto amava, mas a forma como fomos tratados. O desrespeito diante da falta de pagamento de salários, décimo terceiro, férias e outros direitos trabalhistas deixou marcas que permanecem.
Nenhum profissional quer ser tratado como herói. Espera apenas respeito, honestidade e dignidade. Infelizmente, foi justamente isso que nos foi negado. A maneira como a empresa, liderada pelo então presidente Silvino de Godoy, conduziu esse processo deixou cicatrizes profundas em muitas pessoas, inclusive em mim.
Conto essa história não por ressentimento, mas porque ela faz parte da minha vida.
Falar sobre o que aconteceu é uma forma de dar voz a quem passou pela mesma situação e de lembrar que, por trás de cada demissão, existem seres humanos, famílias, histórias e sonhos. O trabalho pode acabar, mas a dignidade de quem trabalhou honestamente jamais deveria ser descartada.
Leandro Ferreira, fotojornalista, é um dos centenas de ex-funcionários do Correio Popular que aguardam o pagamento de suas indenizações trabalhistas












