Queimada é queimada em qualquer canto. O estado de São Paulo ardeu em chamas. Foram quase 5 mil focos de incêndio verificados neste ano, com pico na semana que segue, com metade desse número registrada em apenas dois dias. Junto com a fumaça vinda de outras regiões – da Amazônia, por exemplo – que não se dissipa devido às cadeias de montanhas do continente, o ar ficou irrespirável. E seco.
Os cantores líricos de Campinas se apresentaram na semana passada no Centro de Ciências, Letras e Artes e um dos destaques, o tenor Kohdo Tanaka, japonês, chegou a pigarrear várias devido à garganta seca, ainda que mantenha sua bela e forte voz aos 87 anos de idade.
O fogo é um elemento natural, tido como purificador. No entanto, as queimadas são criminosas, como relataram várias testemunhas que viram e filmaram as pessoas ateando fogo em matos e pastagens.
Está havendo ação coordenada com objetivos ainda desconhecidos. Acidentes também são outra causa, mas lembremos que um acidente não acontece simplesmente, também é causado.
Nas estradas fazem alertas para que os motoristas não joguem as guimbas de cigarro pela janela, pois elas são brasa viva que pode provocar incêndios devido à secura em todo lugar.
A chuva do fim de semana amenizou o efeito, mas, mesmo assim, no domingo, 25 de agosto, pôde-se ver fogo saindo da área do Clube dos Agrônomos, perto do Instituto Agronômico de Campinas, na Fazenda Santa Eliza. Aqueles que são os principais estudiosos da ação deletéria das queimadas parecem que não conseguem controlar o fogo em seu quintal, literalmente.
Adilson Roberto Gonçalves, pesquisador da Unesp, membro da Academia de Letras de Lorena, da Academia Campineira de Letras e Artes e do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Campinas.












