As alterações no projeto Cidade Limpa da capital do estado são um enorme retrocesso, não há dúvida, com a liberação da propaganda, ocultando as fachadas de todas edificações, incluindo os prédios históricos. Conforme várias reportagens recentes, é necessário explicitar o verdadeiro debate sobre a face paulistana que se quer.
Mesmo com a boa intenção dos críticos às mudanças no Cidade Limpa – melhorar o espaço urbano –, a cidade continua cinza e sem verde.
Urbanistas precisam pensar uma cidade não apenas visualmente agradável, mas com a devida cobertura vegetal. Difícil? Informem-se com quem mora no campo, para saber o quão mais fácil é manter um jardim do que ficar concretando o solo.
Campinas segue o mesmo rumo. Quando vamos enterrar os fios elétricos e cabos de dados e rebaixar a altura dos postes de luz para que não façamos mais podas drásticas e assassinas em nossa já rala vegetação? Quando vamos diminuir o espaço do asfalto nas ruas, cedendo-o para canteiros de árvores e plantas? Não precisamos de 7-8 metros de largura de asfalto nas ruas de bairros que têm apenas o trânsito local.
Imaginemos também a possibilidade de planejar bolsões de estacionamento fora do centro da cidade, obrigando que as calçadas comerciais tenham um mínimo de área verde, retirando o decadente e triste concreto de suas frentes.
São singelas medidas, impossíveis de serem implementadas, não pela dificuldade técnica, mas, sim, pela especulação imobiliária que apenas vê o verde das “verdinhas” e não o da clorofila.
Aliás, a cor das famosas cédulas de dinheiro norte-americano faz com que seus adeptos sejam verdadeiros plutófilos.
Adilson Roberto Gonçalves, pesquisador da Unesp, membro da Academia de Letras de Lorena, da Academia Campineira de Letras e Artes, da Academia Campinense de Letras e do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Campinas.











