A Secretaria de Cultura e Turismo de Campinas afirmou que o cercamento do Centro de Convivência Cultural (CCC) é uma medida técnica de proteção e preservação do patrimônio público, aprovada por unanimidade pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Campinas (Condepacc). Em nota divulgada nesta quinta-feira (3), a pasta defende que a instalação de gradis com 2 metros de altura é para garantir a segurança da estrutura.
A manifestação da prefeitura ocorre após a vereadora Paolla Miguel (PT) apresentar uma ação popular à Justiça na quarta-feira (2), pedindo a remoção das grades instaladas no entorno do CCC, localizado no Cambuí.
Na ação, a parlamentar alega que o cercamento descaracteriza o conjunto arquitetônico e restringe o convívio popular, o que violaria o caráter público e aberto do espaço tombado em nível municipal pelo Condepacc e estadual pelo Condephaat.
A peça jurídica também argumenta que a segurança do local já estaria garantida pela presença da base da Polícia Militar na área.
Em nota, a secretaria de Cultura e Turismo informou que até o final da tarde de quinta-feira não havia sido notificada pela Justiça. Também reafirmou que o objetivo é garantir a segurança da estrutura, coibir novos atos de vandalismo e permitir o uso pleno do espaço cultural, que está em fase final de requalificação após um investimento de R$ 64 milhões.
A administração também garante que houve a aprovação unânime pelo Condepacc, e que a proposta teria sido construída com diálogo, responsabilidade técnica e sensibilidade histórica, cultural e arquitetônica. O investimento para a instalação dos grades será de R$ 350 mil, recurso de Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV).

“Para assegurar que o cercamento respeita o legado do arquiteto Fábio Penteado, responsável pelo projeto original do CCC, a Seinfra consultou o Instituto Fábio Penteado e familiares do arquiteto. Segundo a Coordenadoria do Patrimônio Cultural (CDPC), o cercamento protegerá o investimento realizado e contribuirá para a preservação de todo o conjunto arquitetônico”, argumenta a Prefeitura.
Para a pasta, cercamentos similares são adotados em outros espaços culturais e históricos, o Bosque dos Jequitibás e a Lagoa do Taquaral, em Campinas, além de exemplos internacionais como o Coliseu, em Roma, e os Jardins Reais de Madri.
“A Praça Imprensa Fluminense permanecerá aberta e livre para uso da população, como sempre foi. Além disso, o funcionamento da Feira Hippie não será alterado. O cercamento se refere apenas a pontos sensíveis da estrutura do teatro de arena, que precisam de proteção após o investimento de R$ 64 milhões na requalificação”, destacou a nota.

A proposta de cercamento prevê a instalação de gradis transparentes, com 2 metros de altura. O cercamento ocupará um espaço menor do que os tapumes atuais e contará com 19 portões, informou a secretaria. Tudo dentro das normas do Corpo de Bombeiros e permitindo a circulação de pessoas, pontuou o documento.
A reforma completa do Centro de Convivência, que inclui a requalificação do teatro de arena, bilheterias, áreas técnicas e do café, integra um esforço mais amplo de valorização da cultura em Campinas. A Prefeitura destaca o crescimento do público nos equipamentos culturais municipais, que saltou de 124 mil pessoas em 2023 para mais de 128 mil em 2024. Somente no primeiro trimestre de 2025, cerca de 24 mil pessoas já participaram de atividades culturais, segundo a Secretaria.
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