Independentemente do tamanho da empresa ou segmento, o endividamento empresarial pode acontecer. Com o patamar elevado das taxas reais de juros e as dificuldades causadas pela pandemia, guerra na Ucrânia e risco de diminuição da atividade econômica mundial, o impacto já é sentido, significativamente, com o endividamento de muitas empresas.
Segundo o consultor financeiro e diretor executivo da Planope Consultoria , Daverson Furlan, o desequilíbrio nas contas do governo, refletido na Selic e nos juros reais, desestimula o investimento produtivo e eleva o custo dos empréstimos e os financiamentos encarecem os produtos, diminuindo a competitividade e lucratividade de praticamente todos os empreendimentos no País.
“O aumento da taxa Selic e sua manutenção em patamar extremamente elevado (13,75% em novembro), implica num juro real, descontada a inflação medida pelo IPCA de 6,47% nos últimos 12 meses, de aproximadamente 6,8%. Esses altos juros reais encarecem o crédito ao consumidor, desaquecendo diversos setores da economia, culminando em receitas menores para as empresas”, explica Furlan.
Mas esse endividamento não deve ser necessariamente considerado algo negativo.“Financiar bens produtivos é saudável porque geralmente é feito com taxas de juros mais baixas, pois o bem adquirido geralmente é garantia, diminuindo o risco e sua amortização está atrelada a geração de caixa pelas operações”, aponta o consultor.

Segundo o especialista, o endividamento mais sensível é aquele representado pelos empréstimos para as empresas pagarem suas contas: com taxas de juros maiores, pouca ou nenhuma carência e prazos de amortização bastante curtos.
Outra contra indicação de endividamento empresarial é quando as operações são de curtíssimo prazo, elevando o custo financeiro, afetando a margem da operação e impactando o caixa.
Quando um negócio começa a estagnar por conta das dívidas, então é a hora de fazer uma análise do que se deve e reavaliar as prioridades.
Conforme Furlan, em geral, as causas do endividamento de baixa qualidade são:
♦ Quedas nas vendas;
♦ Inadimplência dos clientes;
♦ Baixa ou nula geração de caixa, causada por precificação incorreta;
♦ Investimentos equivocados, por erros de planejamento.











