Os combates no Sudão continuam causando grande impacto na população. A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que muitos morrerão por falta de serviços essenciais e por potenciais surtos de doenças. Já a Organização Internacional para Migrações, OIM, estima que mais de 334 mil pessoas foram deslocadas dentro do país desde que o conflito eclodiu há mais de duas semanas. Por sua vez, a Agência da ONU para Refugiados, Acnur, calcula que, até agora, mais de 100 mil pessoas fugiram para os países vizinhos.
Em entrevista à ONU News, de Dacar, no Senegal, a coordenadora da ONU Mulheres no Sudão, Adjaratou Fatou Ndiaye, comentou as ações para aliviar o sofrimento da população feminina. Segundo ela, as mulheres estão expostas a altos riscos para cuidar de suas famílias.
“Todos sabemos que em período de guerra há maior risco de violência de gênero e sexual. E todos lembramos a incidência de violações graves dos direitos das mulheres e da enorme quantidade de violência sexual que ocorreu durante a primeira guerra de Darfur”.
De acordo com ela, a comunidade internacional precisa estar em “alerta máximo” durante este conflito para impedir violações contra mulheres. A coordenadora lembra que a população feminina tem um papel importante em serviços de cuidado e na resposta humanitária.
Fatou Ndiaye comentou que a ONU Mulheres apoia uma rede de colaboração, criada pelas sudanesas, chamada Sudão Pacífico. A iniciativa ajuda na distribuição de comida e assistência médica. A troca de informações facilita ainda a denúncia de casos de violência de gênero.
As jovens do país também contam com apoio da agência para criar aplicativos que podem ajudar com informações sobre focos de violência e rotas seguras de migração.
Para a coordenadora, num contexto de interrupção dos serviços, as mulheres estão fornecendo dados importantes para garantia de cuidados essenciais. Ela reforçou o apelo pela pacificação do país.
“Não há desenvolvimento sem paz e o povo do Sudão já sofreu por tempo demais.”
O Escritório de Assuntos Humanitários da ONU, Ocha, informou que apenas 14% do apelo para o Sudão foi entregue. O montante de 1,75 bilhão está longe de ser alcançado, deixando o Plano de Resposta Humanitária subfinanciado.
A resposta humanitária no país já estava em curso antes da escalada da violência, que começou em 15 de abril. Mesmo com a escassez de fundos, as operações continuam principalmente com serviços de saúde e nutrição nas áreas onde a segurança ainda permite a entrega de auxílio.
O coordenador de Assistência Humanitária da ONU, Martin Griffiths, foi enviado à África para discutir o apoio aos sudaneses. Nesta segunda-feira, ele se reuniu com o presidente do Quênia, William Ruto, e com a ministra das Relações Exteriores, Mélanie Joly, em Nairóbi.
O coordenador humanitário das Nações Unidas destacou que ambas as partes do conflito devem proteger a população e a infraestrutura civil. Ele apelou pela garantia da passagem segura para civis que fogem de áreas de violência e pelo respeito aos trabalhadores humanitários.











