As chefias militares ucranianas poderão decidir retirar as tropas de Bakhmut (leste), admitiu nesta quarta-feira (1º) um conselheiro do presidente da Ucrânia, quando as tropas russas prosseguem uma vasta e prolongada ofensiva para capturar a cidade.
“Vamos considerar todas as hipóteses para os nossos militares. Até agora, têm mantido a cidade, mas se for necessário haverá uma retirada estratégica”, disse Alexander Rodnyansky, um conselheiro econômico de Volodymyr Zelensky. “Não vamos sacrificar todo o nosso povo para nada”, acrescentou.
A batalha por Bakhmut, na província de Donetsk, leste do país tornou-se num símbolo da resistência ucraniana e quando os seus defensores têm resistido ao longo de muitas semanas a constantes bombardeamentos, e com as tropas russas a registaram pesadas baixas na campanha pelo controlo da cidade, segundo diversas fontes ucranianas.
Rodnyansky assegurou que a Rússia está utilizando as melhores tropas do grupo militar privado Wagner para tentar cercar a cidade. Esta empresa militar é dirigida por Yevgeny Prigozhin, com antigas ligações com o presidente russo Vladimir Putin.
Hoje, Prigozhin disse não detectar sinais de retirada ucraniana da cidade, e admitiu que Kiev esteja, pelo contrário, reforçando as suas posições nesse local. “O Exército ucraniana está deslocando as tropas adicionais e fazendo o que pode para manter o controle da cidade”, indicou Prigozhin. “Dezenas de milhares de soldados ucranianos estão oferecendo uma forte resistência e os combates tornam-se cada vez mais sangrentos”.
Fotos recentes de ‘drones’ mostram a escalada de devastação na cidade, e quando Zelensky já considerou que está “destruída”. Na sequência da invasão da Ucrânia há um ano, a Rússia bombardeou várias cidades e localidades que pretendia ocupar. As infraestruturas energéticas foram outro alvo dos ataques, num aparente esforço para enfraquecer a moral da população e das tropas locais.
Analistas ocidentais citados pela agência noticiosa Associated Press (AP) têm referido que o regresso do tempo quente pode fornecer uma oportunidade a Moscou para desencadear uma nova ofensiva e alertam para a possibilidade de um longo conflito.
A ofensiva militar lançada a 24 de fevereiro de 2022 pela Rússia na Ucrânia causou até agora a fuga de mais de 14 milhões de pessoas – 6,5 milhões de deslocados internos e mais de oito milhões para países europeus –, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
Neste momento, pelo menos 18 milhões de ucranianos precisam de ajuda humanitária e 9,3 milhões necessitam de ajuda alimentar e alojamento.
(Agência Lusa)











