10 de agosto de 2026
O SEU PORTAL DE NOTÍCIAS, ANÁLISE E SERVIÇOS
ANUNCIE
Sem Resultados
Ver todos os resultados
Informação e análise com credibilidade
  • ÚLTIMAS
  • CIDADE E REGIÃO
  • COLUNISTAS
  • ARTE E LAZER
  • OPINIÃO
  • ESPORTES
  • EDUCAÇÃO E CIDADANIA
  • SAÚDE E BEM-ESTAR
  • BRASIL E MUNDO
  • ECONOMIA E NEGÓCIOS
  • TURISMO
  • VEÍCULOS
  • PET
  • FALECIMENTOS
  • NOSSO TIME
  • ÚLTIMAS
  • CIDADE E REGIÃO
  • COLUNISTAS
  • ARTE E LAZER
  • OPINIÃO
  • ESPORTES
  • EDUCAÇÃO E CIDADANIA
  • SAÚDE E BEM-ESTAR
  • BRASIL E MUNDO
  • ECONOMIA E NEGÓCIOS
  • TURISMO
  • VEÍCULOS
  • PET
  • FALECIMENTOS
  • NOSSO TIME
Sem Resultados
Ver todos os resultados
Informação e análise com credibilidade
Sem Resultados
Ver todos os resultados
PUBLICIDADE
Home Colunistas

O glamour e a decadência de um cinema

João Nunes Por João Nunes
29 de julho de 2021
em Colunistas
Tempo de leitura: 3 mins
A A
O glamour e a decadência de um cinema

Morador do antigo Cine Marrocos em cena do filme dentro do filme Fotos: Divulgação

Trata-se de uma façanha do roteirista e diretor Ricardo Calil colocar como protagonista de Cine Marrocos (Brasil, 2021, 75 min.), pessoas que perderam (ou nunca tiveram) representação social, os chamados marginalizados, sem tratá-los, de um lado, como vítimas e, de outro, como bandidos.

Calil consegue com criatividade e a partir da concepção híbrida, que mistura documentário com ficção, encontrar beleza em meio ao caos e imprimir ao filme inesperado registro lírico. Não bastassem estas qualidades o espectador vai descobrindo outras camadas. Poderia ser visto como mero exercício de cinéfilo, ou filme saudosista empenhado em preservar o espírito da romântica época do cinema de rua.

 

Fachada do imponente cinema paulistano nos áureos tempos

 

O diretor toca estas questões e agrega outras em tom de denúncia, mesmo sem se utilizar de velhos discursos, e expõe a inabilidade e o desinteresse da sociedade em enfrentar o drama dos sem-teto e dos refugiados, e de questionar o poderio do estado representado da força assustadora da polícia.

Ou, de como vivemos em admirável mundo conduzido pela alta tecnologia, mas perdemos (ou nunca tivemos) a capacidade de nos sensibilizar com histórias de despossuídos que são tão próximas às nossas; afinal, são seres humanos, lutando pelo direito de viver e sonhar.

 

Calil ilustra a narrativa com a canção de exílio “Nine out of Ten”, do álbum Transa, de um Caetano Veloso vagando pelas ruas de Londres no início dos anos 1970, e que sintetiza as emoções do filme. O cinema está impregnado na letra (“nove entre dez estrelas de cinema me fazem chorar”) enquanto lança um grito de resistência: “estou vivo”.

Com este poderoso achado narrativo, o diretor revela o lado rejeitado da grande cidade de São Paulo – porque pobre, feio e marginal – e, entretanto, riquíssimo dramaturgicamente, pois são histórias reais desprovidas de filtros.

Quem viveu na capital paulista, ou a conheceu a partir dos anos 1950, provavelmente, frequentou o imponente Cine Marrocos, da Rua Conselheiro Crispiniano, localizado na parte posterior do Teatro Municipal. Ele se tornou referência da cidade e chegou a sediar um festival internacional de cinema, no qual compareceram figuras ilustres de Hollywood.

Transformado em cine pornô, acabou fechado e abandonado. Moradores de rua decidiram invadi-lo e ele virou edifício residencial. Segundo um depoimento, chegou a ter três mil moradores vindos de todos os lugares do Brasil e de 17 países, entre eles, pessoas da Ilha da Madeira, do Congo e Senegal.

Não por acaso, o português do Brasil se mistura ao de Portugal e ao inglês e francês, ressaltando o multiculturismo de uma comunidade de pessoas que perderam tudo e só lhes restou a própria história e a cultura como riquezas.

Na cena que abre o filme, vemos a grande sala tomada pelas cadeiras sujas e quebradas dentro de um ambiente escuro. É desse caos que Calil constrói seu filme e, de cara, propõe aos moradores realizar oficina de interpretação. Aparecem cerca de 20 pessoas que recebem preparação para encenar passagens dos filmes antigos exibidos no cinema.

Confira o trailer no link https://www.youtube.com/watch?v=4MCPrwlcf5o

As representações dão vida ao cinema porque vêm antecedidas das exibições dos filmes que fizeram sucesso no passado glamouroso do Marrocos e porque servem de simbólico resgaste da história e da dignidade daqueles personagens.

 

Jornalista do Congo: fugiu do país dele e foi morar em um cinema de São Paulo

Do jornalista que fugiu da violência nascida dentro do palácio do governo no Congo, da mulher saudosa dos filhos que deixou na Ilha da Madeira, da brasileira orgulhosa da academia da qual foi dona e que, ao encenar Crepúsculos dos Deuses, sonha retornar à antiga vida; do refugiado que emula Marlon Brando, de Júlio César, e transforma do texto de Shakespeare em rap.

 

Moradores encenam a tragédia Júlio Cesar, de Shakespeare

 

Cine Marrocos poderia, politicamente, recender ao mofo que se vê nas primeiras imagens. Entretanto, Ricardo Calil transformou as pautas do filme em discurso político sem ranços e alcançou uma contundência que gera comoção, mas deveria, também, provocar reação. Incompreensível que em um país tido como rico e moldado em princípios cristãos seja tão passivo ante o indigno que as cenas reais do desfecho nos jogam na cara.

Disponível no Now da Claro/Net

João Nunes é jornalista e crítico de cinema

Tags: Cine MarrocoscinemacolunistasfilmeHora CampinasJoão NunesRicardo CalilSala de Cinema
CompartilheCompartilheEnviar
João Nunes

João Nunes

Sala de Cinema

Notícias Relacionadas

Dia dos Pais: porque, no fim das contas, o que ficam são as histórias – por Daniela Nucci
Colunistas

Dia dos Pais: porque, no fim das contas, o que ficam são as histórias – por Daniela Nucci

Por Daniela Nucci
9 de agosto de 2026

...

Sem jornalismo, não há democracia – por Luis Norberto Pascoal
Colunistas

Sem jornalismo, não há democracia – por Luis Norberto Pascoal

Por Luis Norberto Pascoal
7 de agosto de 2026

...

Quando ir às lojas era um passeio – por Alexandre Campanhola

Quando ir às lojas era um passeio – por Alexandre Campanhola

6 de agosto de 2026
Permita-se sentir tédio – por Tábita Luiza de Ávila Dutra

Permita-se sentir tédio – por Tábita Luiza de Ávila Dutra

6 de agosto de 2026
Um mês decisivo para a legislação ambiental no Brasil – por José Pedro Martins

Um mês decisivo para a legislação ambiental no Brasil – por José Pedro Martins

5 de agosto de 2026
‘Ficar’ é um campo minado

‘Ficar’ é um campo minado

4 de agosto de 2026
Carregar Mais

Mais lidas

  • Herói até o fim: pedreiro salva colega e morre afogado dentro de caixa d’água

    Herói até o fim: pedreiro salva colega e morre afogado dentro de caixa d’água

    0 Compartilhamentos
    Compartilhe 0 Tweet 0
  • ‘Rolimã na Rua’ terá edição especial do Dia dos Pais neste domingo, em Valinhos

    0 Compartilhamentos
    Compartilhe 0 Tweet 0
  • Campinas abre seleção inédita de projetos para a pessoa idosa

    0 Compartilhamentos
    Compartilhe 0 Tweet 0
  • Motorista morre ao colidir Uno na traseira de um caminhão na Anhanguera, em Campinas

    0 Compartilhamentos
    Compartilhe 0 Tweet 0
  • Mulher de 42 anos é morta a facada pelo marido em Valinhos; vítima tinha medida protetiva

    0 Compartilhamentos
    Compartilhe 0 Tweet 0
  • Avatar photo
    Alexandre Campanhola
    Hora da Saudade
  • Avatar photo
    Carmino de Souza
    Letra de Médico
  • Avatar photo
    Cecília Lima
    Comunicar para liderar
  • Avatar photo
    Daniela Nucci
    Moda, Beleza e Bem-Estar
  • Avatar photo
    Gustavo Gumiero
    Ah, sociedade!
  • Avatar photo
    José Pedro Martins
    Hora da Sustentabilidade
  • Avatar photo
    Karine Camuci
    Você Empregado
  • Avatar photo
    Kátia Camargo
    Caçadora de Boas Histórias
  • Avatar photo
    Luis Norberto Pascoal
    Os incomodados que mudem o mundo
  • Avatar photo
    Luis Felipe Valle
    Versões e subversões
  • Avatar photo
    Renato Savy
    Direito Imobiliário e Condominial
  • Avatar photo
    Retrato das Juventudes
    Sonhos e desafios de uma geração
  • Avatar photo
    Thiago Pontes
    Ponto de Vista
Hora Campinas

Somos uma startup de jornalismo digital pautada pela credibilidade e independência. Uma iniciativa inovadora para oferecer conteúdo plural, analítico e de qualidade.

Anuncie e apoie o Hora Campinas

VEJA COMO

Editor-chefe

Marcelo Pereira
marcelo@horacampinas.com.br

Editores de Conteúdo

Laine Turati
laine@horacampinas.com.br

Maria José Basso
jobasso@horacampinas.com.br

Reportagem multimídia

Silvio Marcos Begatti
silvio@horacampinas.com.br

Leandro Ferreira
fotografia@horacampinas.com.br

Marketing

Pedro Basso
atendimento@horacampinas.com.br

Para falar conosco

Canal Direto

atendimento@horacampinas.com.br

Redação

redacao@horacampinas.com.br

Departamento Comercial

atendimento@horacampinas.com.br

Noticiário nacional e internacional fornecido por Agência SP, Agência Brasil, Agência Senado, Agência Câmara, Agência Einstein, Travel for Life BR, Fotos Públicas, Agência Lusa News e Agência ONU News.

Hora Campinas © 2021 - Todos os Direitos Reservados - Desenvolvido por Farnesi Digital - Marketing Digital Campinas.

Welcome Back!

Login to your account below

Forgotten Password?

Retrieve your password

Please enter your username or email address to reset your password.

Log In

Add New Playlist

Sem Resultados
Ver todos os resultados
  • ÚLTIMAS
  • CIDADE E REGIÃO
  • COLUNISTAS
  • ARTE E LAZER
  • OPINIÃO
  • ESPORTES
  • EDUCAÇÃO E CIDADANIA
  • SAÚDE E BEM-ESTAR
  • BRASIL E MUNDO
  • ECONOMIA E NEGÓCIOS
  • TURISMO
  • VEÍCULOS
  • PET
  • FALECIMENTOS
  • NOSSO TIME

Hora Campinas © 2021 - Todos os Direitos Reservados - Desenvolvido por Farnesi Digital - Marketing Digital Campinas.