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Home Colunistas

A farsa da I.A. na Educação – por Luis Felipe Valle

Dispositivos de reprodução e coleta invasiva de dados são antipedagógicos

Luis Felipe Valle Por Luis Felipe Valle
20 de janeiro de 2024
em Colunistas
Tempo de leitura: 5 mins
A A
A farsa da I.A. na Educação – por Luis Felipe Valle

Fotos: Freepik

Promessa para o século XXI, a Inteligência Artificial (IA) continua sendo vendida sob o fascínio da novidade, embora seja utilizada essencialmente desde que a informática surgiu.

Softwares para fazer cálculos matemáticos, diagramação de mapas, edição e correção de imagens, planilhas de projeções e simulações estatísticas, buscadores online e até mesmo o corretor ortográfico de editores de texto podem ser entendidos como ferramentas de inteligência artificial. A diferença, talvez, seja a personificação de programas de IA como o ChatGPT, que simulam um diálogo responsivo “humanizado” nas interações com o usuário, criando a impressão de que ali se estabelece certa equivalência entre a inteligência humana e a programação algorítmica vasta e complexa, embora limitada e pré-programada, da ferramenta de processamento de informações e linguagem.

No desenvolvimento humano, a inteligência é compreendida como a síntese de capacidades e habilidades refinadas ao longo da vida, fruto de processos fisiológico-metabólicos e interações socioculturais diante de fatores externos inerentes ao convívio coletivo e a exposição ao meio ambiente. Desde o nascimento, a rede neural de cada indivíduo é formada e lapidada de maneira única, criando canais sinápticos que não só permitem a sobrevivência, mas também registram memórias, criam significados, produzem relações afetivas e possibilitam a utilização de símbolos e linguagens para a comunicação, expressão e externalização de necessidades, desejos, sonhos e tudo mais que transborda do inconsciente psíquico.

Por mais que simuladores de inteligência tentem imitar a comunicação humana, é um erro supor que o pensamento maquínico possa equiparar-se ao pensamento profundo desenvolvido pela mente humana através do constante exercício da criticidade, reflexividade, criatividade, empatia e responsabilidade sobre a própria vida e a de outras pessoas.

A Educação, como eixo estruturante das civilizações humanas há milhares de anos, ocupa um papel fundamental na construção (desconstrução e reconstrução, também) do pensamento profundo, estimulando-o a partir das relações dialógicas entre diferentes pessoas, em diversos contextos, diante da imprevisibilidade dos acontecimentos e dos atritos gerados pela pluralidade de ideias, experiências e formas de ser que não cabem em linhas de programação.

Pesquisadores neurocientistas na vanguarda de estudos sobre a mente humana e inteligências artificiais, como o brasileiro Miguel Nicolelis e o francês Michel Desmurget, alertam para as distorções trazidas por especulações sobre os efeitos que softwares simuladores teriam sobre a aceleração ou otimização de processos pedagógicos educativos.

A partir de diferentes estudos realizados em vários países, com milhares de crianças, fica claro que a virtualização e a digitalização da Educação reduzem as interações face-a-face e o enfrentamento de problemas vivenciados por estudantes na infância e na adolescência, repercutindo negativamente na capacidade de autonomia dos indivíduos.

Cada vez mais isolados de espaços de contrastes, contradições, divergências e adversidades que expõem e espelham a condição existencial humana, crianças e adolescentes crescem numa realidade fantasiosa alimentando-se de estímulos sensoriais e recompensas imediatas altamente viciantes e prejudiciais ao neurodesenvolvimento. Não por acaso, esses mundos paralelos projetados pelas telas luminosas servem como maquiagem para a engendrada rede de vigilância, coleta de dados e controle de usuários que opera nos mainframes, longe da vista de quem vive nas nuvens do ciberespaço.

 

 

Se, por um lado, ferramentas de inteligência artificial facilitaram enormemente processos escolares, tornando aulas mais dinâmicas e atraentes com o uso de multimídias, por exemplo, e agilizando trabalhos burocráticos, como cálculo de notas e frequência escolar, por outro representam uma grave ameaça à medida que são projetadas não só para perceber, mas para criar padrões e tendências comportamentais.

A superficialização, a generalização e a padronização das formas de pensar são o efeito imediato do uso desenfreado de inteligências artificiais para produzir textos e resumos que já começam a se tornar um problema grave na elaboração de TCCs, artigos acadêmicos, relatórios e até mesmo reportagens e livros inteiros.

Evidente que não se deve censurar ou mistificar o uso das tecnologias digitais na Educação, mas é preciso discutir até que ponto seu uso não só deixa da trazer benefícios, mas pode, fatalmente, trazer prejuízos.

Não bastasse o empobrecimento da capacidade criativa do ser humano mediada por bots e algoritmos, há que se levar em conta que os softwares de inteligência artificial não são neutros ou imparciais e, muito menos, à prova de erros. Pelo contrário: são programados por empresas e investidores que não têm a expansão do conhecimento ou sua popularização como finalidade, mas, sim, o aumento de margens de lucros através da coleta de dados, direcionamento de anúncios, influência da opinião pública e controle de padrões comportamentais visando interesses de grupos patrocinadores dos monopólios globais das telecomunicações.

Além disso, as máquinas não fazem juízo moral e tampouco ponderam com bom senso ou sentem compaixão ao disparar notícias falsas, fomentar discurso de ódio ou legitimar fundamentalismos valendo-se da aura oracular de uma entidade supostamente superior ao intelecto humano. Justamente porque não são estruturas inteligentes ou, sequer, sencientes, mas dispositivos que apenas imitam a capacidade comunicacional dos seres humanos para coletar alguns dados e introjetar outros, influenciando, de forma dissimulada, centenas de milhões, bilhões de pessoas, a todo instante.

É fato que todo tipo de doutrinação segue um caminho similar ao aqui descrito.

Todavia, enquanto a doutrinação religiosa, militar ou política permite ver com clareza de onde emana o discurso de controle e dominação, na doutrinação tecnológica cria-se uma estrutura de vigilância e influência descentralizada, sutil, quase imperceptível em sua perversa presunçosa onipresença, onisciência e onipotência, como apontado pelo filósofo sul-coreano Byung-Chul Han e pela estadunidense PhD em psicologia Shoshana Zuboff.

Problemas básicos como analfabetismo funcional ou mesmo o desinteresse de adolescentes e jovens por ler, interpretar e escrever textos não serão resolvidos com promessas milagrosas que movimentam bilhões de dólares de especulação na indústria tecnológica. Tampouco a incapacidade de resolver contas simples sem usar calculadoras ou utilizar o pensamento racional-dedutivo antes de recorrer a plataformas online de perguntas e respostas ou assistentes virtuais como Siri, Alexa, Cortana e afins.

Vender a IA como diferencial escolar serve para catalisar campanhas de matrículas que entregam a estudantes brindes como smartphones, óculos de realidade virtual, pacotes infinitos de dados e outras bugigangas que, sem a presença humana e humanizadora de professores e professoras, têm pouco ou nenhum sentido pedagógico.

Por fim, é preciso destacar que, longe de ser um erro de cálculo ou um choque de realidade a sonhadores idealistas, o teórico mau funcionamento de inteligências artificiais na Educação cumpre exatamente o propósito para o qual foi concebido: o condicionamento de mão-de-obra obediente, minimamente funcional, disposta a trabalhar, produzir, consumir e seguir padrões sem questionar as injustiças sociais, desigualdades econômicas, crimes ambientais e o domínio ideológico-cultural em que se reafirma o sistema de exploração neoliberal.

Pretendendo silenciar vozes dissonantes e desmobilizar iniciativas subversivas, verdadeiramente transformadoras e revolucionárias, a inovação tecnológica serve como chamariz para encantar e anestesiar pessoas imersas em realidades paralelas e mundos virtuais (ou deles alijadas, por não terem dinheiro para acessá-los) onde máquinas são percebidas como divindades enquanto as pessoas se desumanizam, à imagem e semelhança dos aplicativos e softwares a quem louvam e obedecem.

 

Luis Felipe Valle é professor universitário, geógrafo, mestre em Linguagens, Mídia e Arte, pós-graduado em Neuropsicologia.

Tags: aprendizagemcolunistasconhecimentoconteúdoEducaçãoensinoHora Campinasinteligênciainteligência artificialLuis Felipe Vallepensamentotecnologia
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