No artigo de hoje eu gostaria de expor a relação que, em teoria, deveria ter conexão que é a relação entre o discurso e a prática do mesmo, o que pode vir a dar origem ao ceticismo caso a relação não concretize, de fato (a não ser, por intempéries do cotidiano). Você aceita refletir comigo sobre tal temática? Que bom, pois isso em algum momento da vida pode lhe acometer, então venha comigo, por favor.
Quando me refiro ao ceticismo, tal conceito advém da filosofia, área na qual leciono e que basicamente significa “descrença, “ver para crer”, me faz lembrar Thomé, discípulo de Jesus ao lhe dizerem que Ele havia ressuscitado e o mesmo respondeu algo como: “- Só acredito vendo!”.
A postura cética é fruto da não relação entre o discurso retórico do que é dito, expresso, proclamado, prometido, verbalizado e a ação do mesmo. Reitero aqui que é sim pertinente e necessário levar em consideração imprevistos e contingências do cotidiano em ocasiões em que o ato não venha a ser praticado, mas quando não há limitações o bendito ceticismo aparece e ganha força dia após dia.
Imagine só você ouvir de determinada pessoa que há um sentimento positivo por você, tal como saudade, meses longe de você, contando os segundos para o reencontro, perdendo o sono e quando dorme, diz que sonha com sua pessoa e expressa que ao pisar no mesmo local que é acessível a você o tal encontro se concretizará e saudade se findará.
Pois bem, é maravilhoso ouvir isso, a reciprocidade tende a aumentar, a ser alimentada, dia após dia, mas eis que todo o discurso proclamado não se concretiza no momento em que não há mais distância que separem ambos, tal discurso cair por terra quando a pessoa volta a sua rotina e segue a vida normalmente sem lhe dar alguma satisfação, por menor que seja; como você se sentiria?
Aqui trago a tona o ceticismo, pois uma vez que isso ocorre, esse desencontro entre o belo discurso e ausência da consumação da prática, isso dá margem para que a síndrome de São Thomé seja incorporada na personalidade da pessoa que foi frustrada.
Agora ela não mais valoriza o discurso, a encenação, ela agora, infelizmente, movida pela razão (como defendia o filósofo francês René Descartes) e não mais pelas emoções, só valorizará a consumação do ato, da promessa, do discurso, acreditando que todo o sentimento seja realmente verdadeiro quando expresso olhos no olhos.
Isso pode se dar em qualquer relação, seja ela amorosa, seja entre familiares, amigos, no emprego… Basta haver promessas e discursos maravilhosos dignos de Hollywood que a infeliz sucessão de não concretização dos mesmos vão tornando as ‘vítimas’ em pessoas de personalidade cética e infelizmente quando há de fato uma pessoa coma melhor das intenções, ela se torna uma vítima desse ceticismo podendo enxergar o cético como uma pessoa fria, mal sabendo do seu histórico de frustrações…
Essa reflexão eu considero rica, pois confesso que fui vítima em basicamente todas as áreas que envolvem relações sociais (sempre me esforcei para cumprir com o que prometi, isso é um valor que aprendi de criança com minha mãe), mas as inúmeras frustrações que não me deixaram com raiva, apenas triste na circunstância em questão me tornaram uma pessoa cética e tal reflexão pode vir de encontro a um momento de sua vida, principalmente agora com esse começo de ano, no qual você adentrou ouvindo promessas e mais promessas de diversas relações sociais, profissionais e afetivas.
Peço, de maneira humilde que não retribuía na ‘mesma moeda’, apenas que considere a evolução da postura cética como normal mediante aos fatos da vida que infelizmente você sofreu, amadureça e siga em frente. Um grande abraço.
Thiago Pontes Thiago Pontes é Filósofo, Psicanalista e Neurolinguísta (PNL) – Instagram @institutopontes_oficial











