Você conhece ou se reconhece como alguém que esteja em uma situação clínica delicada seja ela física ou emocional? Começo essa reflexão com esse questionamento temporal por encará-lo pertinente e necessário nessa nossa jornada existencial que por vários momentos nos tira o fôlego. Aja fôlego para aguentar a pressão externa e interna à qual estamos constantemente submetidos e inseridos em nossa realidade. Eu irei me utilizar de psicanálise e filosofia, áreas na qual atuo como profissional, seja em sala de aula lecionando, seja clinicando com pacientes.
Aos olhos da psicanálise a pessoa depressiva está como que “presa” no passado, carregando-se de culpas por ter ou não tido determinada atitude… Me recordo agora de um belíssimo poema de Fernando Pessoa intitulado ‘A Dúvida’:
“Quem escreverá a história do que poderia ter sido o
irreparável do meu passado;
Este é o cadáver.
Se a certa altura eu tivesse me voltado para a esquerda,
ao invés que para direita;
Se em certo momento eu tivesse dito não, ao invés que sim;
Se em certas conversas eu tivesse dito às frases que só hoje
elaboro;
Seria outro hoje, e talvez o universo inteiro seria
insensivelmente levado a ser outro também.”
Do outro lado temos a ansiedade que está atrelada ao futuro, as preocupações que na maioria das vezes não estão ao nosso alcance, é sim importante ter sonhos, objetivos, metas, mas reitero o verbo: ter! Tenha sonhos, não seja refém dos mesmos a ponto de lhe tirar o sono e a paz de espírito.
Agora que já expus brevemente a relação temporal e psicológica do ontem e do amanhã, que tal focarmos no hoje, o que acha? Afinal de contas o hoje é o maior presente que temos! Época de final de ano, logo mais se inicia a correria em shoppings para comprar presentes de Natal, Amigo Secreto… Mas pode procurar à vontade, você não irá encontrar em lugar nenhum para comprar o tempo, o presente, único, singular, seu!
Passo a passo, tal como em uma caminhada de um exercício físico matinal, de fim de tarde, estou “amarrando” os conceitos para que você leitora, para que você leitor, se identifique e perceba que, uma vez que você foi à pessoa acometida por um problema de saúde (ou conhece alguém que foi), possa compreender que não há como modificar o passado, mas há como aprender com ele construindo um novo momento, o presente, sem se martirizar nem vitimizar por ter recebido um diagnóstico delicado, seja ele qual for.
Um diagnóstico pode ser visto de diversos ângulos, com diversas interpretações, quiçá oportunidades, me recordo aqui também de uma reflexão da autoria de Antônio Pereira (Apon) acerca da pedra:
“O distraído tropeçou nela.
O violento projetou-a.
O empreendedor construiu com ela.
O homem do campo cansado, usou-a como assento.
As crianças brincaram com ela.
Drummond poetizou-a.
David usou-a para matar Golias
Michelangelo fez com ela as mais belas esculturas,
Em todos os exemplos a diferença não estava na pedra,
mas sim no tipo de ser humano!
Não existe pedra no teu caminho que não possas usar para
teu próprio benefício”.
E você poderia me perguntar: “Mas Thiago, qual a relação entre a pedra, o tempo e o meu diagnóstico clínico?”. A analogia que lhe proponho é lhe fazer refletir o que você faz com essa “pedra”, com esse seu diagnóstico no tempo que tens consigo. Lembre-se de que não controlamos o mundo, o amanhã, as coisas que nos acometem; apenas controlamos a forma como reagimos às contingências da vida e um diagnóstico desses infelizmente jamais passa em nossa mente recebe-lo, mas e aí?
O que você escolhe fazer nesse momento chamado presente? Como escolhe reagir? Talvez seja um período de oportunidades, de reconstruir sua identidade, suas prioridades, rever valores, ambientes, rotinas, hábitos…
Termino esse artigo lhe deixando uma provocação: você conhece algum excelente comandante da marinha que jamais precisou passar por tempestades? Lembre-se que “mar calmo não forma bons marinheiros!”.
Thiago Pontes é Filósofo e Neurolinguísta (PNL) – Instagram @institutopontes_oficial











