Você se enxerga e se reconhece inserido em uma bolha social? É com essa indagação que dou início a esse artigo minha querida leitora, meu caro leitor e para tanto irei me utilizar de filosofia e psicanálise, áreas do meu saber. Tal questionamento terá como base a era digital a qual estamos inseridos, dito isso, posso contar com sua companhia? Ótimo, obrigado por me fornecer sua atenção, então vamos à reflexão.
Eu particularmente vivenciei a transição da geração antes da internet ser disponibilizada e acessível à toda a sociedade para essa dos dias de hoje que é fornecida praticamente a bel prazer (com planos em operadoras ou gratuitamente em redes de wi-fi de estabelecimentos, por exemplo). Partindo dessa caminhada e avanço da era digital me parei pensando antes de escrever esse artigo acerca das bolhas sociais/digitais as quais estamos inseridos e nem sequer nos damos conta na maioria das vezes…
Para dar uma fundamentação teórica para tal questionamento e reflexão trago de maneira bem superficial o Mito de Narciso, sendo este um rapaz que morreu afogado em um lago por se perceber, enxergar a si, suas próprias qualidades, características como a beleza estética, por exemplo.
Ao pensarmos em internet hoje em dia quem trabalha nessa área sabe muito bem como o algoritmo controla, regula e direciona o usuário.
Quer um exemplo? Uma vez que me interesso por uma viagem (por ser final de ano, receber 13º, férias…) escrevo o destino almejado, acesso algum site, vejo opções de locais, hospedagem, custo e fecho o site acessado deixando para amadurecer melhor sobre o desejo dessa viagem. Se parasse aí, tudo bem, mas não para! Ao entrar em qualquer outro site, qualquer rede social, haverá anúncios relacionados a viagens aparecendo em minha tela a cada clique, até aquilo entrar em minha mente, propostas e mais propostas de preços, possibilidades de destino, condições, uma verdadeira “guerra de marketing libidinosa”.
A partir desse mero exemplo, isso pode se estender, aliás, percebo que já está se estendendo a um ponto em que a realidade virtual a qual estou inserida é a “única, verdadeira e correta” dentre todas as outras, aqui adentra o narcisismo da psicanálise, um modo de levar a vida pautando-a pela identidade que construímos e que acreditamos ser perfeita com os ideais e características perfeitas indo além, julgando e condenando aqueles que pensam e se comportam diferentes de mim.
Há uma crise de identidade onde pessoas estão inseridas em suas bolhas, convivendo com as mesmas ideologias e valores que julgam serem as corretas!
Vivemos de fato em uma era digital na qual há uma maior democracia de informações, mas elas não são nem de longe base para formações, principalmente de caráter ao qual se almeja, por exemplo, senso crítico e empatia. Para se perceber como alguém que falha, como alguém que não é o centro do universo, que pode sim estar errado, que precisa estar aberto às diversas opiniões, princípios e valores que divergem dos meus fazendo com que o convívio político seja mais salutar à todos os envolvidos.
Você se enxerga dentro de uma bolha social senso uma pessoa narcisista onde há apenas um EU dono da verdade e da razão? O que poderia fazer você sair dela de maneira humilde, curiosa e respeitosa para explorar as divergências que há fora dela?
Thiago Pontes é Filósofo e Neurolinguísta (PNL) – Instagram @institutopontes_oficial











