O sucesso do filme “Ainda estou aqui” levou-nos a prestar mais atenção nas demais categorias concorrentes ao Oscar e também aos detalhes de como são apresentadas as candidaturas e conduzidas as disputas.
Chamou a atenção o relato das coincidências entre os filmes “Eu não sou um robô” ser mais um que integra o rol de casos de plágio envolvendo brasileiros. O curta de Victoria Warmerdam, ganhou o Oscar de 2025 em sua categoria. Em 2021, um outro curta-metragem de mesmo nome, dirigido pela brasileira Gabriela Lamas, ganhou o prêmio de melhor fotografia e direção de arte no Festival de Gramado. Coincidência? Inspiração cruzada? Fruto de nosso tempo em que tudo está no ar, bastando pegá-lo?
Creio que outro exemplo bastante significativo é a obra “Rebecca”, de Daphne du Maurier, ser quase uma cópia de “A Sucessora”, da brasileira Carolina Nabuco. Não que atinjam apenas mulheres, mas, em todas as situações, parece que o lado brasileiro é sempre o mais prejudicado, aceitando acordos ou recebendo ameaças. Mas arte é arte em qualquer parte, dinheiros são diferentes.
Há outro caso importante de plágio, que está chegando a um desfecho pelo juízo brasileiro, que é a canção “Mulheres”, de Toninho Geraes, usada explicitamente pela cantora britânica Adele em sua “Million years ago”.
Mas muitas situações não são públicas. Ou, quando muito antigas, se perderam no tempo, como um suposto caso de uso de texto e ideias de Monteiro Lobato por George S. Schuyler e tantos outros que mereceriam uma investigação jornalística profunda.
Assim, não precisa da chamada inteligência artificial para lidar com questões de plágio, com a qual nós escritores estamos bastante aflitos, pois como provar que o texto de nossa lavra não foi construído com ajuda de consulta ao ChatGPT ou análogos? Vale a minha palavra, abusando do trocadilho (talvez o humor do computador não chegue a tanto).
Adilson Roberto Gonçalves, pesquisador da Unesp, membro da Academia de Letras de Lorena, da Academia Campineira de Letras e Artes, da Academia Campinense de Letras e do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Campinas.











