O Centro de Oncologia Campinas e o Instituto Nações Amigas Ame África Internacional iniciam nesta quinta-feira (22) o programa Tele AME África, que conectará especialistas brasileiros a profissionais de saúde em países africanos. É um programa pioneiro de tele-educação em oncologia, para levar treinamento e atualizações aos voluntários que participam de ações sociais em Moçambique, Malawi, Zimbabwe, África do Sul (Joanesburgo) e Nigéria.
São médicos, estudantes de medicina, enfermeiros, farmacêuticos e químicos que terão a possibilidade de adquirir conhecimento para aprimorar a assistência oncológica com a ajuda dos profissionais do Centro de Oncologia Campinas. Até a última sexta-feira (16), 368 profissionais dos cinco países já haviam se inscrito.
“A telemedicina conecta médicos e pacientes entre Brasil e África, levando especialistas onde há vazios assistenciais. Apoio técnico, dados móveis acessíveis e formação contínua podem transformar promessa em cuidado real”, avalia o oncologista Fernando Medina, diretor do Centro de Oncologia Campinas.
Inspirado em iniciativas de cooperação e alinhado com as diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS) para o fortalecimento de sistemas de saúde sustentáveis, o programa Tele Ame África será aberto com o primeiro encontro entre os profissionais médicos do COC e os inscritos no programa, a partir das 13h (horário de Brasília).
O programa de tele-educação multidisciplinar com foco em oncologia terá a duração de seis meses, com três a cinco horas semanais de videoconferência. A maior parte das aulas será ao vivo e todo o material ficará gravado em plataforma do YouTube. Ao final do curso, os participantes receberão certificação emitida pelo COC.
Os profissionais inscritos no programa de capacitação também participarão das discussões semanais de casos realizadas pelo corpo clínico do COC, além das “Tumor Board”, em que são analisados casos clínicos em andamento no centro. Especialistas do COC e as equipes africanas discutirão juntos diagnósticos, planos terapêuticos e seguimento.
O programa inclui ainda a estruturação de atendimento oncológico. São orientações para organização de serviços locais, desde rastreamento preventivo até linhas de cuidado integradas (prevenção, diagnóstico, tratamento e paliativos), com foco em sustentabilidade e treinamento de formadores locais.
“O projeto representa uma extensão natural das capacidades do COC em telemedicina, multidisciplinaridade e educação continuada, visando reduzir as desigualdades no acesso a cuidados especializados em oncologia na África, onde a incidência de câncer é alta e os recursos são limitados”, explicou Fernando Medina, oncologista do COC.
AME África
James Jesus, presidente do AME África, e Andressa Barros, fundadora, foram apresentados ao oncologista Fernando Medina durante palestra do médico na Câmara Municipal de Campinas, dentro das ações do Outubro Rosa de prevenção ao câncer de mama. O contato veio por intermédio da vereadora Débora Palermo e da esposa de Medina, Priscila.
O AME África é uma missão humanitária criada há 18 anos por Andressa para levar educação e cuidados em saúde a crianças e famílias no continente africano. A ONG nasceu da experiência de vida de Andressa, que quebrou o ciclo familiar de subserviência.
“Vim de uma família muito simples, adepta do conceito de que as mulheres nascem para cuidar da casa e dos filhos. Não queria isso para mim e fui à luta para mudar minha realidade. Segui o caminho da micropigmentação e dos cuidados estéticos”, recorda.
A princípio, a intenção de Andressa era capacitar mulheres africanas dentro de sua especialidade, mas a realidade da vida nesses países mudou os objetivos do AME África.
“Nesses países vivem pessoas em um nível de carência que nós brasileiros não conseguimos imaginar. Eles precisam de praticamente tudo. Foi então que conseguimos doações para criar uma creche em Malawi que já atendeu mais de 5.000 pessoas, entre crianças e suas famílias. E agora conseguimos a ajuda do COC para capacitar profissionais da área médica em oncologia”, relata.











