A antiga fábrica Chapéus Cury, no Botafogo em Campinas, viveu há poucos dias o capítulo final de sua centenária história que ainda permeia o imaginário coletivo da população e da cidade. Apesar de muitos defensores, vieram abaixo todos os tijolos que representavam uma era de pujança de Campinas. O terreno será ocupado por condomínio residencial e comercial.
Muita gente pedia que a construção fosse preservada e que abrigasse um centro cultural multiuso. Mas o prédio que há anos estava em ruínas, a despeito de seu tombamento, já tinha sido vendido. Há anos a construção estava abandonada e com graves sinais de deterioração, com partes do telhado e até da chaminé caindo.
A demolição da fábrica é um tipo de ponto final de uma história que representava o desenvolvimento de Campinas na primeira metade do século 20 e também da memória afetiva que ela evocava.
A Helbor Empreendimentos é a empresa responsável pelo projeto. Em dezembro de 2021, os telhados do prédio foram removidos e agora houve a demolição das antigas construções. A fachada e a chaminé são tombadas como patrimônio histórico e devem ser preservadas.
A empresa não fornece detalhes do projeto, que não consta mais em seu site, mas até o ano passado, a informação divulgada era que seriam construídas duas torres. A Torre A com três dormitórios, sendo uma suíte. Na Torre B seriam três suítes.
O projeto prevê o restauro cerca de 1,6 mil m² de área construída de elementos arquitetônicos como a fachada principal com suas esquadrias, parte dos muros e a chaminé da antiga fábrica, que será integrada ao espaço comercial proposto no projeto arquitetônico. “Viabilizando que esse marco histórico seja observado de perto por qualquer pessoa que visite os espaços comerciais e cinemas projetados, e seja uma referência da região. Atualmente, isso não é possível com o imóvel fechado, e também não o seria, caso fosse um empreendimento de uso exclusivamente residencial”, destacou a incorporadora no ano passado.
“Parte da fachada da Rua Barão Geraldo a partir de onde está a portaria com letras em ferro “Chapéus Vicente Cury S/A” até a esquina da Rua Alberto Sales. A outra parte da fachada é a que contém a curva entre as ruas José Paulino e Alberto Sales juntamente com a chaminé”, informou o órgão.
O Condepacc também aprovou os procedimentos da demolição, bem como os escoramentos das fachadas tombadas e da chaminé.
“Nesse momento, a Companhia não irá se manifestar sobre o projeto imobiliário que segue em fase de aprovação na prefeitura”, informou a Helbor.

Tombamento
Em setembro de 2008, quando tinha 88 anos de existência, a fábrica se tornou patrimônio histórico de Campinas. A fachada do prédio que era ocupado pela empresa desde 1920 e a chaminé foram tombados pelo Condepacc. Os estudos visando o tombamento estavam em avaliação desde 1994.
A Chapéus Cury ganhou fama internacional como a fabricante do chapéu do Indiana Jones. Ela é símbolo da Campinas pujante do século passado, com a industrialização em franca expansão.
O visual faroeste do personagem de Harrison Ford tinha o acessório feito em Campinas. O personagem usava o chapéu desde “Os Caçadores da Arca Perdida”, o primeiro filme da série, de 1981.
A história da empresa em Campinas começou em 1920, quando Miguel Vicente Cury e seu pai, Vicente Cury, fixaram residência na cidade e fundaram uma pequena fábrica de chapéus. Antes disso, eles tinham uma oficina de reforma de chapéus, em Mogi Mirim.












