E agora que o ano já virou? Antes de sua leitura desta coluna começar eu já tenho de lhe alertar que não há nada de motivacional nela, muito pelo contrário, será uma coluna de reflexão realista e provocativa que certamente lhe incomodará. Para bem iniciar, trago um pequeno trecho do poema de Carlos Drummond de Andrade: “E agora, José? A festa acabou; a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, e agora, José? E agora, você?”.
Pois bem, é fazendo menção ao poema e nos aproveitando da época que vivenciamos recentemente que lhe indago: e agora? E agora que o ano virou? Que já estamos finalizando o primeiro mês de 2022, o que já mudou em sua vida? Já recebeu a promoção no seu emprego? Já perdeu quantos quilos? Já concluiu seu curso? Já guardou o dinheiro que tanto quis? Já mudou comportamentos e hábitos?
O que quero dizer com tais perguntas clichês é que a virada do ano não é mágica, eu particularmente não vejo nada de brilhante na passagem do dia 31 para o dia primeiro. O que vejo é a realidade: pessoas ainda desempregadas, ainda doentes, infelizes, insatisfeitas voltando para suas respectivas rotinas esperando o próximo feriado (talvez o Carnaval, mesmo com a alta da Covid) para extravasarem toda a agonia da labuta diária.
É como se a maioria das pessoas depositasse toda a energia em alguns poucos dias que contrapõem uma rotina de trabalho árduo, penoso, insatisfatório. O quão mágico é para você tal virada? O que ela já lhe trouxe de bom? Talvez dívidas do hotel na praia ou dos gastos com seu veículo…
Desculpe-me as provocações nada motivacionais, é que elas advêm de minha linha de estudos: a Filosofia; que tem por objetivo colocar os pés no chão e incentivar o indivíduo a assumir sua responsabilidade, que tem por objetivo estimular que cada um faça a parte que lhe cabe, até seu limite, para que assim não se faça de vítima, nem se arrependa por não ter tentado. Deixe os milagres para que Ele os faça, destinado aos casos que realmente não estão em poder do ser humano resolvê-los.
Que tal enxergar que todo dia é uma oportunidade de virar a página, que todo amanhecer é uma nova etapa, na qual você tem uma nova chance de fazer diferente, sem esperar que nada lhe caia do céu. Não precisa esperar dia primeiro de janeiro para iniciar sua rotina fitness, para começar a guardar dinheiro, para buscar médicos, para se dedicar mais em seu emprego buscando uma promoção, para investir em um empreendimento que você tanto busca, muito menos para criar novos hábitos e ter novos comportamentos. Todo dia é o “famoso dia primeiro”, todo amanhecer é o “famoso amanhecer do dia 1 de Janeiro”.
O que você pode fazer de diferente para conquistar novos resultados? O que seria interessante deixar de fazer para que os maus resultados não venham a se repetir? E agora? E agora que você aí está lendo esta reflexão realista e provocativa, o que pode concluir do que aqui foi exposto?
E agora que as festividades acabaram? Que a praia ficou lá e você voltou para sua rotina? E agora que a força de vontade tanto prometida e almejada na virada do ano está engavetada e que a responsabilidade que tanto se orgulhava ter der lugar ao vitimismo?
E agora? Tudo irá se repetir? Não se esqueça de utilizar o passado como guia para que você possa construir e trilhar um novo caminho, para um futuro diferente de tempos anteriores que até então tinha em mãos. Pense, sem pressa, cuidado ao buscar respostas prontas em gurus de internet, talvez, como sugeriu Sócrates, grande nome da filosofia grega, as respostas estejam aí: dentro de você! “E agora José?” e agora você?
Thiago Pontes é filósofo e neurolinguista (PNL)











