16 de fevereiro de 2026
O SEU PORTAL DE NOTÍCIAS, ANÁLISE E SERVIÇOS
ANUNCIE
Sem Resultados
Ver todos os resultados
Informação e análise com credibilidade
  • ÚLTIMAS
  • CIDADE E REGIÃO
  • COLUNISTAS
  • ARTE E LAZER
  • OPINIÃO
  • ESPORTES
  • EDUCAÇÃO E CIDADANIA
  • SAÚDE E BEM-ESTAR
  • BRASIL E MUNDO
  • ECONOMIA E NEGÓCIOS
  • TURISMO
  • VEÍCULOS
  • PET
  • FALECIMENTOS
  • NOSSO TIME
  • ÚLTIMAS
  • CIDADE E REGIÃO
  • COLUNISTAS
  • ARTE E LAZER
  • OPINIÃO
  • ESPORTES
  • EDUCAÇÃO E CIDADANIA
  • SAÚDE E BEM-ESTAR
  • BRASIL E MUNDO
  • ECONOMIA E NEGÓCIOS
  • TURISMO
  • VEÍCULOS
  • PET
  • FALECIMENTOS
  • NOSSO TIME
Sem Resultados
Ver todos os resultados
Informação e análise com credibilidade
Sem Resultados
Ver todos os resultados
Home Colunistas

Os transplantes em tempos de pandemia do SarsCov2

Carmino de Souza Por Carmino de Souza
6 de setembro de 2021
em Colunistas
Tempo de leitura: 4 mins
A A
Os transplantes em tempos de pandemia do SarsCov2

Certamente, todo o sistema de saúde foi fortemente impactado pela pandemia do SarsCov2, o novo coronavírus. Sabemos que, passada parcial ou totalmente a pandemia, teremos um enorme “rebote” no volume de atendimentos à saúde. Tenho manifestado uma particular preocupação com a área de oncologia, pois sabemos que o tempo corre contra os pacientes neste campo. A redução significativa das ações de rastreamento, de diagnóstico (o mais precoce possível) e tratamentos cirúrgicos, radioterápicos, quimioterápicos ou imuno-quimioterápicos, trará prejuízos intangíveis aos pacientes. Neste artigo, vou discutir um pouco o impacto da pandemia sobre nosso programa de transplantes.

Temos no Brasil um robusto e competente programa de transplantes tanto de órgãos sólidos como de tecidos. O Brasil tem sido um dos países com o maior número de transplantes no mundo, comparável a muitos países desenvolvidos. O SUS, que tem mostrado sua fundamental importância no enfrentamento da pandemia, também tem papel decisivo neste campo da medicina, altamente especializado.

Milhares de pacientes, em 2019 cerca de 30 mil, se beneficiam de maneira decisiva destes procedimentos.

A maioria destes pacientes são atendidos no sistema público de saúde, sem qualquer ônus. São transplantes de rins, fígado, coração, coração-pulmão, pâncreas, medula óssea e córnea realizados em todo o País, sem contar com transplantes menos frequentes e alguns experimentais realizados em entidades de excelência de assistência ou universitárias. A participação da sociedade fazendo as doações de órgãos e tecidos de maneira altruísta, mesmo em momentos de grande dor familiar, tem permitido o constante incremento deste programa. Importante lembrar que, preferentemente, ser doador de órgãos e tecidos, deve ser declarado em vida e a família deve ser informada desta vontade.

Os pacientes transplantados de órgãos sólidos, hoje em torno de 80 mil, foram muito mais afetados pelo SarsCov2, de acordo com estimativas baseadas nos dados de dois dos maiores centros de transplante renal do País.

Aproximadamente, 10% dos pacientes foram infectados.

Sabemos que as taxas de mortalidade pela Covid-19 (doença causada pelo SarsCov2) na população geral está entre 2 e 2,5%. Nos pacientes transplantados, entretanto, a letalidade está entre 20 e 25%1. Estas taxas de letalidade somente serão estabilizadas com a vacinação em massa destes pacientes, altamente vulneráveis.

Em relação à realização de transplantes durante o período de pandemia, dados do Ministério da Saúde e das Secretarias Estaduais mostram uma redução média de 38% no número de transplantes quando comparamos o ano de 2020 com 2019. A maior redução foi relacionada ao transplante de córnea (>50%), seguido dos órgãos sólidos (20%) e medula óssea (TMO) (18%)2. A queda nas taxas de doação e de transplantes de órgãos com doador falecido não foi tão grande como se temia e variou entre as regiões e de acordo com os períodos de maior gravidade regional da pandemia.

Já os transplantes de rim com doador vivo e de córneas, por serem procedimentos habitualmente eletivos, foram suspensos por períodos variados na maioria dos estados, tendo, assim, uma queda maior. Houve redução de 24,5% na taxa de transplantes renais, sendo de 17,2% nos transplantes com doador falecido e de 59,6% nos com doador vivo. A queda foi enorme no Nordeste (em torno de 80%). A taxa de transplantes renais retrocedeu 11 anos, voltando à taxa obtida em 2009. A queda na taxa de transplantes renais com doador falecido foi maior do que a queda na taxa de doadores efetivos, possivelmente relacionada à dificuldade de envio de rins não utilizados em alguns estados, por restrições na malha aérea.

É interessante observar que o número de transplantes renais com doador vivo (440) é o menor dos últimos 36 anos (em 1984 foram 495 transplantes renais, com doador vivo).

Outro aspecto é a alta percentagem de transplante renal com doador vivo não parente e não cônjuge (9,7%). Os transplantes hepáticos tiveram diminuição global de apenas 9%, sendo de 9% com doador falecido e de 13,2% com doador vivo. A taxa de transplante cardíaco teve redução de 16,7%, e foi igual à obtida no primeiro semestre de 2014. A redução na taxa de transplante de pulmão foi de 38,7% e retrocedeu também ao ano de 2011. O transplante de pâncreas apresentou redução de 12,5% retrocedendo ao ano de 2018. Houve redução de 52,7% na taxa de transplante de córnea com retrocesso para meados dos anos de 1990. O transplante de medula óssea também foi afetado, tendo tido redução de 17,6%, sendo de 21,1% para o autólogo (do próprio paciente) e de 13,3% para o alogênico (doador compatível com o paciente). A lista de espera para transplante renal cresceu 6,2%, enquanto o ingresso em lista caiu 32% e a mortalidade em lista aumentou 27%, talvez em decorrência do maior risco de exposição ao SarsCov2 devido a necessidade de realização de hemodiálise.

A lista de espera para o transplante de córnea cresceu 38% e o ingresso em lista caiu 37%. Para os demais transplantes de órgãos, as variações no número de pacientes e nas taxas de ingresso e de mortalidade em lista não foram tão grandes. No fígado, por exemplo o número de pacientes e a taxa de ingresso em lista de espera caiu de 13% e 19%, respectivamente, e a mortalidade em lista aumentou 5%.

Portanto, durante a pandemia o programa de transplantes foi globalmente afetado para todos os tipos, mas foi devastador para alguns grupos.

Todos estamos trabalhando para que tudo volte ao normal e que possamos retomar o círculo virtuoso deste fundamental programa de saúde pública brasileiro. Os transplantes são procedimentos salvadores e insubstituíveis para um enorme contingente de pacientes. Temos que resgatar este programa e aumentar a esperança de vida e qualidade de vida aos pacientes que deles dependem.

♦1 Dimensionamento dos transplantes no Brasil e em cada estado. Registro Brasileiro de transplantes, ano XXVI n0 4, 2020;

♦2 Sistema informatizado do Ministério da Saúde/CETs – Centrais Estaduais de Transplantes/INCA/TabWin, 2021.

 

Carmino Antonio de Souza é professor titular da Unicamp. Foi secretário de saúde do estado de São Paulo na década de 1990 (1993-1994) e da cidade de Campinas entre 2013 e 2020

Tags: coraçãocórneaCoronavirusCovid-19fígadomedula ósseaórgãospâncreasPandemiapulmãorinsSarsCov2saúdesustecidostransplantes
CompartilheCompartilheEnviar
Carmino de Souza

Carmino de Souza

Letra de Médico

Notícias Relacionadas

Investir no trabalho feminino na saúde é fundamental – por Carmino de Souza
Colunistas

Investir no trabalho feminino na saúde é fundamental – por Carmino de Souza

Por Carmino de Souza
16 de fevereiro de 2026

...

Carnaval 2026: os acessórios que definem o estilo (e o comportamento) da folia – por Daniela Nucci
Colunistas

Carnaval 2026: os acessórios que definem o estilo (e o comportamento) da folia – por Daniela Nucci

Por Daniela Nucci
15 de fevereiro de 2026

...

Fundo Patrimonial da Unicamp recebe R$ 300 mil em uma semana

Unicamp transforma realidades – por Luis Norberto Pascoal

13 de fevereiro de 2026
Quando seu conhecimento não chega na sala – por Cecília Lima

Quando seu conhecimento não chega na sala – por Cecília Lima

13 de fevereiro de 2026
Hanseníase tem cura, preconceito também – por José Pedro Martins

Hanseníase tem cura, preconceito também – por José Pedro Martins

11 de fevereiro de 2026
Isenção da multa locatícia e a transferência do inquilino empregado –  parte 2 – por Renato Ferraz Sampaio Savy

Isenção da multa locatícia e a transferência do inquilino empregado –  parte 2 – por Renato Ferraz Sampaio Savy

10 de fevereiro de 2026
Carregar Mais

















  • Avatar photo
    Alexandre Campanhola
    Hora da Saudade
  • Avatar photo
    Carmino de Souza
    Letra de Médico
  • Avatar photo
    Cecília Lima
    Comunicar para liderar
  • Avatar photo
    Daniela Nucci
    Moda, Beleza e Bem-Estar
  • Avatar photo
    Gustavo Gumiero
    Ah, sociedade!
  • Avatar photo
    José Pedro Martins
    Hora da Sustentabilidade
  • Avatar photo
    Karine Camuci
    Você Empregado
  • Avatar photo
    Kátia Camargo
    Caçadora de Boas Histórias
  • Avatar photo
    Luis Norberto Pascoal
    Os incomodados que mudem o mundo
  • Avatar photo
    Luis Felipe Valle
    Versões e subversões
  • Avatar photo
    Renato Savy
    Direito Imobiliário e Condominial
  • Avatar photo
    Retrato das Juventudes
    Sonhos e desafios de uma geração
  • Avatar photo
    Thiago Pontes
    Ponto de Vista

Mais lidas

  • Pesquisador de Campinas desenvolve kit de baixo custo e curso gratuito para democratizar o ensino de eletrônica e IA

    Pesquisador de Campinas desenvolve kit de baixo custo e curso gratuito para democratizar o ensino de eletrônica e IA

    0 Compartilhamentos
    Compartilhe 0 Tweet 0
  • Investir no trabalho feminino na saúde é fundamental – por Carmino de Souza

    0 Compartilhamentos
    Compartilhe 0 Tweet 0
  • Motorista morre após carreta tombar na rodovia D. Pedro, em Campinas

    0 Compartilhamentos
    Compartilhe 0 Tweet 0
  • Campinas lamenta a morte do médico cardiologista Jorge Aoqui aos 64 anos

    0 Compartilhamentos
    Compartilhe 0 Tweet 0
  • Segunda de Carnaval tem folia nos distritos de Campinas; veja a programação

    0 Compartilhamentos
    Compartilhe 0 Tweet 0
Hora Campinas

Somos uma startup de jornalismo digital pautada pela credibilidade e independência. Uma iniciativa inovadora para oferecer conteúdo plural, analítico e de qualidade.

Anuncie e apoie o Hora Campinas

VEJA COMO

Editor-chefe

Marcelo Pereira
marcelo@horacampinas.com.br

Editores de Conteúdo

Laine Turati
laine@horacampinas.com.br

Maria José Basso
jobasso@horacampinas.com.br

Silvio Marcos Begatti
silvio@horacampinas.com.br

Reportagem multimídia

Gustavo Abdel
abdel@horacampinas.com.br

Leandro Ferreira
fotografia@horacampinas.com.br

Caio Amaral
caio@horacampinas.com.br

Marketing

Pedro Basso
atendimento@horacampinas.com.br

Para falar conosco

Canal Direto

atendimento@horacampinas.com.br

Redação

redacao@horacampinas.com.br

Departamento Comercial

atendimento@horacampinas.com.br

Noticiário nacional e internacional fornecido por Agência SP, Agência Brasil, Agência Senado, Agência Câmara, Agência Einstein, Travel for Life BR, Fotos Públicas, Agência Lusa News e Agência ONU News.

Hora Campinas © 2021 - Todos os Direitos Reservados - Desenvolvido por Farnesi Digital - Marketing Digital Campinas.

Welcome Back!

Login to your account below

Forgotten Password?

Retrieve your password

Please enter your username or email address to reset your password.

Log In

Add New Playlist

Sem Resultados
Ver todos os resultados
  • ÚLTIMAS
  • CIDADE E REGIÃO
  • COLUNISTAS
  • ARTE E LAZER
  • OPINIÃO
  • ESPORTES
  • EDUCAÇÃO E CIDADANIA
  • SAÚDE E BEM-ESTAR
  • BRASIL E MUNDO
  • ECONOMIA E NEGÓCIOS
  • TURISMO
  • VEÍCULOS
  • PET
  • FALECIMENTOS
  • NOSSO TIME

Hora Campinas © 2021 - Todos os Direitos Reservados - Desenvolvido por Farnesi Digital - Marketing Digital Campinas.