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Home Colunistas

Reverter o grave cenário socioambiental depende de arte e educação – por José Pedro Martins

José Pedro Martins Por José Pedro Martins
20 de setembro de 2023
em Colunistas
Tempo de leitura: 6 mins
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Reverter o grave cenário socioambiental depende de arte e educação – por José Pedro Martins

A Noite Estrelada (1889), óleo sobre tela, de Van Gogh - Foto: Reprodução

É inegável que a questão socioambiental ganhou importante visibilidade e relevância nos últimos tempos, sobretudo pelo acirramento da crise climática. A sequência de catástrofes alimentadas ou turbinadas pelas mudanças do clima tem provocado reações importantes e pela primeira vez muitos governantes estão atentando para o assunto. Os discursos dos líderes na Assembleia Geral das Nações Unidas ontem (19) não deixam dúvida nesse sentido.

Entretanto, entre o discurso e a prática a distância é longa, muito longa, e nas últimas décadas os dramas socioambientais apenas se agravaram. A extinção da biodiversidade é acelerada, os recursos hídricos estão se tornando cada vez mais escassos em muitos territórios e o aquecimento global é notório, evidente. Temos vivido em anos com recordes frequentes de temperatura. A maior das crises também está bem distante de ser equacionada: a pobreza extrema que afeta milhões e com a sua pior consequência, a fome.

As alternativas discutidas à exaustão para a reversão desse cenário mais do que inquietante geralmente se concentram em duas palavras: dinheiro e tecnologia.

Os negócios envolvendo energias limpas, fundamentais para a eliminação gradativa dos combustíveis fósseis, grandes causadores da crise climática, de forma geral envolvem somas milionárias ou mesmo bilionárias. A descarbonização da economia envolve recursos enormes e às vezes parece que esse é um caminho inevitável.

O mesmo em relação à tecnologia. Carros elétricos, energia eólica e solar estão sempre no horizonte de soluções para a crise climática, e evidentemente são muito importantes, decisivos, para a redução da dependência dos fósseis. Mas essas saídas tecnológicas também têm seus problemas. O automóvel elétrico sem dúvida é preferível ao que usa gasolina, mas ainda é uma solução individual, não é transporte coletivo. Os parques eólicos são igualmente essenciais para a transição energética, mas não podem ser edificados sem considerar a realidade das comunidades para onde são projetados. Algumas tensões nessa linha estão sendo verificadas com relação a parques eólicos no Nordeste brasileiro, por exemplo.

A questão de fundo é: dinheiro e tecnologia são imprescindíveis, mas podem não tocar no principal, que é a mudança de estilo de vida, de visão de mundo, sem a qual as transformações necessárias de fato não vão acontecer. A raiz da conjunção de crises socioambientais contemporâneas está no estilo de vida que se tornou dominante na maior parte do planeta, associado a um consumismo desenfreado e a um materialismo/pragmatismo que orienta boa parte das relações sociais.

Como fruto desse estilo de vida, na realidade mais um estilo de morte, a natureza se tornou algo para ser explorada à exaustão e precificada, não importam os efeitos disso. A natureza como um bem em si, cujo equilíbrio garantiu a vida como conhecemos, não tem mais valor. Assim como não tem valor a natureza como um bem estético por excelência, a ser apreciado, reverenciado, aliás como em geral fazem os povos indígenas dos quatro cantos do planeta.

Nesse sentido, entendo que a solução de fato das múltiplas crises socioambientais em curso passa necessariamente por outras duas palavras: educação e arte, ambas ligadas a metamorfoses culturais urgentes, inadiáveis. O sistema educacional atual não está dando conta da complexidade crescente da sociedade contemporânea. E o modelo educacional estabelecido não consegue competir com o mundo virtual que se tornou muito poderoso e influenciador de corações e mentes. Então mudanças na educação são decisivas, para ontem, se a cidadania planetária efetivamente almeja novos estilos de vida, que não ameacem a própria existência como ocorre agora.

O mesmo no caso das artes. Sem uma revolução cultural profunda, mediada pelas distintas linguagens artísticas, não é possível falar em novos estilos de vida, menos destruidores do meio ambiente e menos geradores de desigualdade. Muitos artistas através da história são exemplares em termos de identificação com a natureza. A educação dos sentidos que suas obras possibilitam é algo inquestionável. Mais arte, de qualidade, para os alunos e alunas e para a população em geral é, assim, um ingrediente mais do que desejável em um projeto civilizatório de construção de novos estilos de vida.

Mais arte de qualidade porque ela é um caminho seguro e saboroso para, repito, a educação dos sentidos, para o refinamento da percepção de mundo. A arte que ressalta o que de fato vale à pena na vida.

Dois artistas são, para mim, exemplares em termos de associação das obras que fizeram com a crítica do mundo em que viviam. Os dois, por sinal, com biografias entrelaçadas em determinado momento de suas trajetórias.
O holandês Vincent van Gogh (1853-1890) procurava um sentido mais profundo para a vida e chegou a ser pastor protestante durante alguns anos. Trabalhou junto a grupos de mineradores de carvão na Bélgica e sua situação de miséria serviu de inspiração a alguns de seus quadros famosos.

Já em Paris, o centro das artes na época, Van Gogh teve contato com grandes nomes da pintura, mas a vida frenética na capital francesa não o seduziu. Em 1888 se estabeleceu em Arles, no sul da França. A paixão foi imediata pela natureza do local e no campo, ao ar livre, Van Gogh produziu algumas de suas obras-primas.
Um dos propósitos da viagem a Arles era a fundação de uma colônia de artistas e Van Gogh convidou para a empreitada o francês Paul Gauguin (1848-1903), a quem muito admirava – e a recíproca era verdadeira. Como se sabe, a relação entre os dois gênios se tornou tumultuada e Gauguin logo resolveu trilhar seus próprios caminhos.

Alguns quadros de Van Gogh, retratando aspectos da natureza, são comoventes. Talvez o maior exemplo seja “A noite estrelada”, de 1889, um ano antes de sua morte. O céu parece em movimento, retorcido, refletindo o estado emocional do pintor naquela altura da vida. As estrelas, também pintadas de modo rebuscado, parecem chamar atenção para a beleza cósmica do universo, em contraponto com a finitude inexorável da vida humana, presente na modesta vila também pintada no quadro. O cipreste, que aparece em primeiro plano, é associado em várias culturas com a morte.

Enfim, vários elementos da natureza diretamente ligados à própria condição do pintor. Arte e vida inseparáveis, indissociáveis. A ternura que “A noite estrelada” e outras obras de Van Gogh transmitem faz pensar sobre a beleza que nos cerca e que muitas vezes nem nos damos conta, nós envolvidos nas tarefas da mera sobrevivência cotidiana.

Paul Gauguin, que se desentendeu com Van Gogh, é outro questionador nato. Ele foi ainda mais radical em sua crítica ao estilo de vida urbano, excessivamente urbano, da metrópole que Paris se tornava a cada dia. O novo mundo trazido pelas ferrovias e pelas fábricas, com sua poluição permanente e tristeza perene dos operários, definitivamente não encantava o artista francês.

Assim ele que já havia viajado muito como marinheiro, e conhecido outras terras como a peruana Lima, onde viveu parte da infância, decide na parte final de sua vida se estabelecer no Taiti, na Polinésia Francesa, longe do frenesi parisiense. Lá ele se torna defensor dos indígenas locais, contra a mentalidade colonialista das autoridades francesas que ocupavam o território. Mais do que isso, na Polinésia Gauguin define um estilo. Ele até tentou voltar para Paris, mas acabou regressando ao Pacífico, falecendo nas Ilhas Marquesas, em 1903.

Ambos, Van Gogh e Gauguin, quase nada venderam de suas obras em vida. Pelo contrário, passaram dificuldades financeiras quase o tempo todo. Hoje seus quadros valem milhões (de dólares). O estilo de vida que eles criticavam se tornou predominante, com sua voracidade para tudo precificar, tudo comprar e vender.

Arte e educação. Parece utopia, diante da magnitude dos problemas atuais. Mas sem esses dois eixos não haverá solução concreta para o gravíssimo drama civilizatório contemporâneo. A arte e a vida de alguns nomes servem de inspiração para que pensemos além, que ousemos um novo futuro.

 

José Pedro Martins é jornalista, escritor e consultor de comunicação. Com premiações nacionais e internacionais, é um dos profissionais especializados em meio ambiente mais prestigiados do País. E-mail: josepmartins21@gmail.com

Tags: ArtecolunistasculturaecologiaESGHora CampinasHora Sustentabilidadejosé pedro martinsmeio ambientemercadoMundoplaneta
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