Fevereiro de 2020 – O que era uma preocupação, torna-se problema planetário. A ONU decreta estado de emergência de saúde, a covid-19 é uma realidade devastadora. O pânico se instala, as imagens que chegam da Itália são aterrorizantes. Ninguém sabe muito bem ao certo, mas não se imagina que a pandemia irá durar quase dois anos. Ela acabou, mas deixou suas consequências.
Fevereiro de 2022 – Após ameaças, a Rússia decide pela invasão da Ucrânia. O final daquele mês presencia cenas de guerra em território ucraniano, aeroportos destruídos, pessoas que fogem em carros, de trem, a pé. Famílias separadas, corações divididos e partidos. A esperança é de que dure pouco. Já foram mais de quatro anos.
Fevereiro de 2026 – O “presidente da paz”, no segundo ano de seu segundo mandato, juntamente com seu comparsa, o acusado de genocídio, Bibi Netanyahu, atacam o Irã. As cenas em pouco diferem das de fevereiro de 2022. E ainda não sabemos quanto essa guerra vai se escalar.
Vivemos em tempos de guerra, em que todos os cruéis formatos das conflitos precedentes são juntados a novas formas: tecnológica, de drones, de desinformação, de simples informantes humanos. Mas os efeitos são sempre os mesmos: destruição, mortes, aumento do ódio, da inflação. Os mais frágeis são os que mais sofrem.
As discussões mais cabíveis e necessárias, urgentes, são deixadas de lado. Especula-se somente em relação ao preço do petróleo e dos fertilizantes. As bolsas caem, os riscos decolam, e os ricos se descolam ainda mais da massa de população tornada supérflua.
E aqui estamos, esperando por próximos dias ou outros meses melhores, na vã esperança de que tudo vai melhorar. Não vai!
O presidente da paz fomenta o mercado da guerra.
Gustavo Gumiero é Doutor em Sociologia (Unicamp) e Especialista em Antigo Testamento – gustavogumiero.com.br – @gustavogumiero











