O compromisso da mídia com a informação é fundamental, mas é preciso dizer com clareza, informar não é suficiente. O papel dos jornais, rádios, revistas e TVs sempre foi, ou deveria ser, ajudar a sociedade a conhecer, pensar e agir. Isso muda tudo, porque, quando a imprensa assume apenas a função de informar, ela se limita, mas quando assume seu papel formador, ela transforma.
A educação, nesse contexto, não é responsabilidade exclusiva da escola. Ela também é função estratégica dos veículos de comunicação e essencial para o desenvolvimento da democracia.
Gosto muito da frase “sem jornalismo não existe democracia”, pois é direta, incômoda e nos obriga a reconhecer que a qualidade da informação está diretamente ligada à qualidade da vida democrática.
Um povo só pode ser grande se sua escola for boa e sua mídia for plural e responsável. Essa combinação não é detalhe. É estrutura. É ela que sustenta o desenvolvimento social, político e cultural de um país.
A mídia, nesse sentido, torna-se instrumento do nosso aprender cotidiano, influenciando diretamente a forma como interpretamos o mundo, mas há um problema evidente no cenário atual. A tecnologia da comunicação evoluiu de forma acelerada. Nunca tivemos tanto acesso à informação, nunca foi tão fácil consumir conteúdo. E, paradoxalmente, nunca foi tão difícil transformar informação em conhecimento. Estamos cercados por dados, mas carentes de sentido.
E nesse cenário, as chamadas fake news encontram terreno fértil. A desinformação não surge por acaso. Ela se alimenta da pressa, da superficialidade e da ausência de pensamento crítico. Quando qualquer conteúdo circula com aparência de verdade, sem verificação ou responsabilidade, o que está em jogo não é apenas a qualidade da informação, mas a própria capacidade da sociedade de discernir o que é real.
A abundância informativa, sem mediação qualificada, abre espaço para distorções, manipulações e narrativas, que confundem em vez de esclarecer. E é justamente aí que o papel da imprensa profissional se torna indispensável. Mais do que nunca, é preciso reafirmar o valor do jornalismo sério, comprometido com apuração, contexto e responsabilidade pública.
Os meios de comunicação devem educar. Isso passa, necessariamente, pela diversidade de opiniões. Promover debates, abrir espaço para diferentes vozes, estimular o contraditório. Uma imprensa que não questiona, não provoca e não amplia visões, não educa, apenas ocupa espaço.
E mais, os veículos de comunicação precisam se aproximar das iniciativas sociais. Quando se dá visibilidade ao que acontece nas comunidades, quando mostra projetos que transformam realidades e destaca experiências que fazem diferença no cotidiano das pessoas, ela cumpre um papel que vai além da notícia. Ela contribui para que a sociedade repense a cidadania, reconheça seus próprios caminhos e participe de forma mais ativa na construção do coletivo.
Ignorar isso é reduzir a comunicação a um exercício técnico. E a imprensa não é, nem pode ser, apenas técnica. Ela é ferramenta de formação.
A chamada mídia educadora não é um conceito abstrato. Ela se materializa todos os dias, nas escolhas editoriais, nos temas que ganham destaque, nas histórias que são contadas ou silenciadas. É ela que mostra novos caminhos, amplia horizontes e, em muitos casos, oferece algo que anda escasso: perspectiva de futuro.
A boa imprensa também educa e oferece esperança, mas não uma esperança ingênua, e sim aquela construída a partir de informação de qualidade, de exemplos reais e de reflexão crítica.
Os meios de comunicação são grandes aliados das comunidades quando assumem esse papel. Contribuem para o crescimento intelectual, social e até econômico de uma sociedade. Especialmente em um mundo cada vez mais orientado pela economia do saber, onde conhecimento não é apenas valor. É condição.
Diante disso, a pergunta que fica é inevitável: que tipo de imprensa queremos construir? Uma mídia que apenas informa ou que forma? Porque, no fim das contas, formar consciência não é um efeito colateral da mídia. É a sua principal missão. Ou deveria ser.
Luis Norberto Pascoal é empresário e presidente da Fundação Educar











