A Região Metropolitana de Campinas (RMC) reúne atualmente 336 moradores com 100 anos ou mais, de acordo com dados do Censo Demográfico 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. O levantamento revela não apenas a distribuição desses centenários entre as cidades, mas também um padrão já observado pela ciência: a predominância feminina na longevidade.
Do total, 247 são mulheres e 89 são homens — ou seja, elas representam 73% das pessoas que ultrapassaram um século de vida na região. Especialistas apontam fatores biológicos, comportamentais e sociais como possíveis explicações para essa diferença.
Vale destacar que, por se tratar de uma população extremamente longeva, os números podem variar rapidamente ao longo dos anos. Ainda assim, o recorte mais recente do IBGE oferece um retrato relevante sobre o envelhecimento na região.
Campinas lidera com folga
Entre os municípios da RMC, Campinas concentra praticamente metade dos centenários, com 169 moradores nessa faixa etária. Em seguida aparecem Americana (24) e Sumaré (21), consolidando o topo do ranking regional.
Outras cidades com números expressivos incluem Indaiatuba (19), Hortolândia e Santa Bárbara d’Oeste (13 cada).
Histórias que dialogam com a ciência
Os números ajudam a dimensionar um fenômeno que o Hora Campinas vem acompanhando de perto em uma série especial sobre centenários. Mais do que estatísticas, são histórias de vida que chamam atenção pela lucidez, autonomia e hábitos simples mantidos ao longo das décadas.
Um dos exemplos é o de dona Floripes Conceição de Lima, moradora de Hortolândia, que completará 102 anos e mantém uma rotina com crochê e música. Ela será homenageada em um evento municipal voltado aos centenários — iniciativa que reforça o reconhecimento dessas trajetórias. (Veja mais na matéria do Hora Campinas sobre o evento em Hortolândia).
Casos como esse têm despertado também o interesse da comunidade científica. Pesquisadores do Centro de Estudos do Genoma Humano e Células-Tronco, ligado à Universidade de São Paulo, estão recrutando pessoas com mais de 100 anos para um estudo sobre longevidade humana.
A pesquisa envolve entrevistas detalhadas sobre histórico de vida e saúde, além da coleta de material genético. Os primeiros resultados indicam tendências já percebidas no levantamento do IBGE, como a maior longevidade feminina e possíveis relações com fatores biológicos — embora os cientistas ressaltem que as conclusões ainda são preliminares.
Expectativa de vida em alta
O crescimento do número de centenários acompanha o aumento da expectativa de vida no Brasil. Segundo o IBGE, uma pessoa que chegava aos 60 anos em 1940 tinha, em média, mais 13,2 anos de vida. Em 2023, esse número saltou para 22,5 anos.
A diferença entre homens e mulheres também se ampliou ao longo das décadas, reforçando a tendência observada entre os centenários: elas vivem mais.
Ranking dos centenários na RMC
Confira a distribuição por cidade:
Campinas — 169
Americana — 24
Sumaré — 21
Indaiatuba — 19
Hortolândia — 13
Santa Bárbara d’Oeste — 13
Valinhos — 10
Vinhedo — 8
Paulínia — 8
Cosmópolis — 7
Itatiba — 7
Jaguariúna — 6
Engenheiro Coelho — 6
Nova Odessa — 6
Artur Nogueira — 4
Monte Mor — 3
Morungaba — 1
Pedreira — 1
Holambra — 0
Santo Antônio de Posse — 0
Total na RMC: 336 centenários
Mulheres: 247
Homens: 89
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